Ana Cristina Becker, 28 anos, é comerciante. Casada há nove anos, com a família e a vida estruturada, ela e o esposo decidiram ter um filho. “Tentei por via natural por dois anos. Fiz tabelinha, tudo que lia nas revistas, sem sucesso”, relembra. O casal decidiu então procurar ajuda de um médico especialista em reprodução humana. Diagnosticou-se que Ana Cristina tinha poucos óvulos. Como uma das alternativas que tinha para realizar o seu desejo de ser mãe, a comerciante decidiu partir para uma Fertilização In Vitro. Uma das primeiras cearenses a se beneficiar da Super-ICSI, Cristina engravidou já primeira tentativa. “Era tudo o que faltava para mim”, afirma.
Cristina não é a primeira mulher que tem dificuldades em engravidar e consegue fazê-lo através de inseminação, apesar de não ser tão simples assim. Mas, a tecnologia aliada à vontade de ser mãe vem ajudando centenas de mulheres a realizar seu maior sonho. Para muitas, alcançar o sonho da maternidade é uma verdadeira batalha. Os casais esperam que, uma vez suspensas as medidas de controle de natalidade, a concepção ocorra. Destarte, muitos descobrem que ter filhos é bem mais complexo do que imaginavam. Se após um ano de relações sexuais não protegidas a gravidez não acontece, o casal deve procurar um médico para investigar uma possível infertilidade, problema que atinge um em cada seis casais. E um dos fatores agravantes desta situação é a idade da companheira: a partir dos 35 anos, a infertilidade pode chegar com mais facilidade. O alerta é dos médicos especialistas em reprodução humana Evangelista Torquato e Fábio Eugênio.
A infertilidade é a inabilidade de um casal chegar à concepção ou a incapacidade de manter uma gravidez até o nascimento. Mas os especialistas asseguram que o problema não deve ser confundido com a esterilidade conjugal, onde há fatores que impedem de forma definitiva a gravidez. “Em cerca de 40% dos casos, fatores femininos são a causa da infertilidade. Causas masculinas são responsáveis por outros 40%. E em 20%, há uma combinação dos dois fatores. Entretanto, é imprescindível que as pessoas compreendam que a infertilidade é um problema do casal”, afirma Evangelista Torquato. Ou seja, são os fatores aliados, e não apenas um isolado, que determinam a infecundidade do casal.

De acordo com os pesquisadores, com os avanços da medicina e da tecnologia, é possível que grande parte desses casais consiga realizar o sonho de conceber uma criança através da reprodução assistida. “Uma equipe multidisciplinar tem uma participação estreita e acompanha toda a concepção. Em alguns casos, há a indução da ovulação, a facilitação ou mesmo realização do encontro entre os gametas, além da otimização e da implantação do embrião no útero”, esclarece Fábio Eugênio.
A também comerciante Érica Meinhart, 33 anos, foi mãe pela primeira vez aos 25 anos. Com o crescimento do primeiro filho, surgiu o desejo de aumentar a família. Há quatro anos e meio, tentava a segunda gestação, mas sem sucesso. Diante da dificuldade, há dois anos Érica decidiu procurar um médico especialista em reprodução humana. Diagnosticou-se que a quantidade da mobilidade dos espermatozóides produzidos estavam dificultando a gestação por via natural. “Não era impossível naturalmente, mas era muito difícil. Nós ficamos muito ansiosos, porque queríamos muito ter um segundo filho. O tempo ia passando e nada. Decidimos fazer uma tentativa com a Fertilização In Vitro. Graças a Deus deu certo”, recorda. Érica não imaginava que a família fosse aumentar tanto e a surpresa veio em dose tripla. Os três embriões implantados conseguiram se desenvolver e ela será mãe de trigêmeos. Agora é se preparar para mais um desafio e se adequar a nova rotina.
Os médicos informam que para o êxito de uma fecundação acontecer é fundamental a qualidade do óvulo e do espermatozóide, que se refletirá na formação de bons embriões a serem transferidos para o útero. Especificamente para o óvulo, a idade da mulher, o tipo de medicação utilizada para induzir a ovulação e existência de doenças que o comprometam, como endometriose, são determinantes. Para o espermatozóide, a presença de alterações morfológicas ou genéticas (fragmentação de DNA) e a técnica de escolha da célula influenciam na qualidade.
Já para o homem, os principais problemas que afetam na fertilidade são a diminuição do número de espermatozóides ou sua pouca mobilidade; espermatozóides anormais; ausência da produção de espermatozóides e vasectomia e dificuldades na relação sexual. Para as mulheres, a ausência ou obstrução tubária, menstruações irregulares ao ausentes, endrometriose e Síndrome dos Ovários Policísticos são algumas das possíveis causas da infertilidade. Doenças sexualmente transmissíveis, infecções pélvicas/genital, quimio ou radioterapia, além de disfunções hormonais em um dos parceiros também podem influenciar a fertilidade conjugal. A infertilidade deixa, cada vez mais, seu espaço no passado para ser resolvida com as mais modernas técnicas. O sonho de ser mãe está ainda mais próximo dos casais que desejam aumentar a família.
Idade
A idade é, sem dúvidas, uma das grandes vilãs da fertilidade. A mulher não produz nenhum oócito (célula que dá origem ao óvulo) após o nascimento, que perde qualidade ao passar dos anos. É consenso entre especialistas que as taxas de gravidez diminuem de maneira importante a partir dos 35 anos de idade. Para os homenzs, algumas evidências sugerem que não ocorre modificação relevante na concentração espermática do ejaculado, entretanto, tem-se verificado alterações na mobilidade e morfologia dos espermatozóides com o envelhecimento masculino.
Tratamento
A Fertilização in vitro é uma das técnicas mais conhecidas da reprodução assistida, também chamada de “Bebê de proveta”. A ovulação da mulher é induzida por medicamentos. Os óvulos maturados são removidos do ovário e colocados in vitro (proveta) na presença de espermatozóides previamente selecionados. Após a fertilização, que ocorre fora do corpo, um ou mais embriões são transferidos para a cavidade uterina da paciente.
Em casos onde há diminuição importante no número de espermatozóides no ejaculado ou estes estão com morfologia comprometida é indicado o uso da ICSI (sigla em inglês para Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide). Nessa técnica, um único espermatozóide selecionado é injetado diretamente no óvulo. Evangelista Torquato e Fábio Eugenio realizam o tratamento com um diferencial. A clinica onde atuam foi a segunda no Brasil a dispor do aparelho Super ICSI, que é único no Norte/Nordeste. Enquanto outros equipamentos ampliam o espermatozóide em até 400 vezes, o Super ICSI amplia a célula em até 10 mil vezes, possibilitando uma melhor seleção dos espermatozóides a serem utilizados.
Em alguns casos, a indução medicamentosa da ovulação com coito programado pode solucionar problemas de infertilidade conjugal. A Inseminação Artificial Intra-uterina, onde espermatozóides selecionados são colocados dentro do útero na mulher em período fértil, também é um tratamento disponível para os casais. O melhor método depende do diagnóstico da causa da infertilidade.
Fertilidade
Os humanos estão entre as criaturas menos férteis sobre a terra. Há apenas um tempo bem curto dentro do ciclo menstrual durante o qual a concepção é possível, o que faz com que as chances de concepção sejam de apenas 20% a cada mês. Estima-se que 10% dos casais férteis não consigam conceber dentro do seu primeiro ano de tentativas e 5% após dois anos.
De acordo com os ginecologistas, as chances de gravidez são de até 25% na inseminação artificial. Já na fertilização in vitro esse percentual varia conforme a idade: até 60% nas mulheres com até 35 anos que produzam embriões de boa qualidade, 40% a 50% até 40 anos, reduzindo-se para menos de 25% acima dos 40 anos.
Sobre os médicos
O médico Evangelista Torquato, 39 anos, é especializado em Ginecologia. Há 15 anos, tua na especialidade de Reprodução Humana. É membro da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, da Academia Americana de Medicina Reprodutiva e da Academia Européia de Embriologia e Reprodução Humana.
Fellow de Cesare Aragona é professor de Ginecologia e Reprodução Humana da Universidade La Sapienza, na Itália. Integra a “BIOS - Centro de Medicina Reprodutiva”, sendo um dos quatro sócios e diretor de Tecnologia do Laboratório de Andrologia, Criobiologia e Fertilização in vitro da clínica. O BIOS realiza, em média, 300 fertilizações in vitro por ano, estando entre as dez principais clínicas do país. Foi por meio de um tratamento na BIOS que nasceu o primeiro bebê de proveta do Ceará em 1999.
Fábio Eugênio Rodrigues - Médico ginecologista, 39 anos, é mestre em Ginecologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), e lecionou como professor de Ginecologia da Faculdade de Medicina da UFC em 2004/2005. Fellow de Cesare Aragona - Professor de Ginecologia e Reprodução Humana da Universidade La Sapienza, na Itália. Atua na especialidade de Reprodução Humana desde 1995. Também pertence a algumas sociedades, onde é membro da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, da Academia Americana de Ginecologia Minimamente Invasiva, Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia, Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida. É Diretor Clínico da “BIOS - Centro de Medicina Reprodutiva”, sendo um dos quatro sócios. |