Fale! Na sua opinião, quais são os fatores de diferenciação da sua administração?
Raimundo Macedo. A nossa administração se iniciou com uma visão diferente, tendo em vista que Juazeiro merece uma gestão voltada para o futuro. Começamos com obras que beneficiaram a população, como a conclusão do Centro de Apoio ao Romeiro, saneamento básico, construção de seis grandes escolas modelos para oferecer ensino de qualidade, onde foi criado cursos de extensão para a comunidade e educação continuada para os alunos. Para que isto fosse possível, foi criado um laboratório de informática e monitores bolsistas ministram aulas para a população aprender informática.
Fale! Quais são os próximos passos?
Raimundo Macedo. Estamos trabalhando na ampliação e recuperação do anel viário, já fizemos vários trechos e agora estendemos o trecho até o aeroporto, tudo com recursos próprios. Isso porque o convênio com o estado foi cancelado e fizemos outro com o Banco mundial, no valor de R$ 17 milhões. As obras são direcionadas para o acesso das avenidas Paulo Maia à São José, até a divisa com Crato, fazendo a interligação com Elvira, Três Marias e passando pelo Porto do Salgadinho, com a rodovia Padre Cícero. Estes recursos já estão assegurados, com parceria do Governo Federal através do PAC, e até o final do ano começaremos a execução dessa obra. Faremos também a interligação das igrejas principais da região. O roteiro da fé é uma parceria da prefeitura, governo estadual e Banco Mundial. Já iniciamos as obras de duplicação entre a Rua Manuel Coelho e o aeroporto. Nas obras de ampliação do terminal de passageiros, serão investidos R$ 30 milhões em uma infra-estrutura melhor para os visitantes. Queremos chegar ao final do ano com mais de 200 salas de aulas construídas e mais de 30 quadras cobertas para o lazer da população.
Fale! Como se caracteriza a zona rural de Juazeiro?
Raimundo Macedo. Já estamos pensando em uma possível desapropriação da área onde está o aeroporto, tendo a visão de que isto será muito complicado daqui a dez anos. A população de Juazeiro hoje é quase 100% urbana, girando em torno de três a cinco por cento de concentração na zona rural. Ressaltando que estimulamos a agricultura, temos mais de 300 pessoas por meio do Banco de Alimentos, apoiando também os agricultores por meio do arado para a fixação das pessoas na zona rural, fornecemos insumos se necessários, investimos também em perfuração de mais de 40 poços para o abastecimento de água para os moradores rurais, vacinamos gratuitamente os rebanhos, melhoramos o acesso nos trechos que ligam a zona rural com a cidade. Fale! Como estão as ações para atrair novas as indústrias para o município?
Raimundo Macedo. No período em que estamos no governo, entre ampliação e atração de novas indústrias, tanto no segmento de serviços como de indústrias propriamente ditas, na área de calçados, confecção, eletrodomésticos, já ultrapassamos o número de 30, gerando mais de 10 mil empregos diretos para a população. A obrigação da prefeitura é apoiar e incentivar o setor privado a gerar emprego para atender a demanda da população. Somos hoje um grande pólo atrativo nessa área dos investidores de diversas partes do país, como do Sul, São Paulo, Minas Gerais, como o Carrefour, distribuidora da Nestlé, e a Novatel. Há um interesse grande do Atacadista Macro também. Juazeiro tem uma situação geográfica privilegiada, está situada no centro de referência das grandes capitais do Nordeste, com uma diferença muito pequena de uma para a outra. Estamos investindo em qualificação, incentivando a instalação de indústrias, o que gera emprego, renda e qualidade de vida para as pessoas. Firmamos uma parceria com o governo do Estado para a realização de um esgoto sanitário para todo o município na ordem de R$3 milhões. Porque temos que dar toda infra-estrutura para que a haja instalação de grandes indústrias, além de proporcionar melhorias para o turista que visita o local, incentivamos também a visitação não só religiosa, mas também de outros locais na região, como os parques arqueológicos.
Fale! Como está a situação do ensino superior em Juazeiro?
Raimundo Macedo. Faculdades estão se instalando na região e temos quase 70 cursos universitários que há sete anos não existiam, onde só o Crato dispunha de ensino superior. Temos um campus universitário avançado, onde o investimento maciço foi da prefeitura, desde a aquisição de terreno até toda infra-estrutura do campus.
Fale! Como o senhor ampliou a arrecadação municipal da cidade?
Raimundo Macedo. Tínhamos uma arrecadação municipal anual de R$ 2.5 milhões e triplicamos esse valor que hoje está em torno de R$ 7 milhões, sem aumentar os impostos. No começo da administração, a arrecadação total era de R$ 100 milhões e atualmente podemos chegar a R$ 200 milhões. Isto significa que o número de emprego, de lojas e de comércio que foram se instalando fez com que a arrecadação pública subisse acima da média nos setores de comércio, indústria e serviços. O ISS tem crescido muito e tem expectativa de crescer ainda mais. Muitas pessoas ainda não se habituaram a cobrar o ISS e o município perde em arrecadar esse imposto.
Fale! Quais são os pontos que mais contribuíram para dificultar sua gestão no município?
Raimundo Macedo. A desigualdade na captação de recursos. Juazeiro perdeu muito espaço na saúde. O município tem uma população de 250 mil habitantes e recebe hoje R$ 9 milhões por ano de recursos oriundos do Sistema Único de Saúde (SUS). Barbalha, com 70 mil habitantes, recebe R$ 23 milhões, quase três vezes o que Juazeiro recebe. Crato tem menos da metade da população de Juazeiro recebe de R$ 14 a R$ 15 milhões do SUS. O município tem que se virar e resolver o problema da população. E é um problema grave porque quando assumi a prefeitura, o ideal é que fôssemos investindo, fazendo com que o recurso começasse a vir, que é a compensação do paciente, a referência e a contra-referência. Há três anos não há essa compensação, então o município continua atendendo pacientes até de outros municípios. Ampliamos nosso serviço e o recurso é o mesmo. Se não tivesse essa referência e contra-referência, poderíamos dobrar o nosso recurso. Aqueles que têm muito não querem perder, então eles trancam pra que não haja essa compensação, para eles manterem os recursos deles.
Fale! Qual é a solução para esse problema?
Raimundo Macedo. Temos que tratar os desiguais como desiguais, e não como iguais. O problema da distribuição de renda é que está cada vez mais acentuada e aí, enquanto não revertermos esse número, não teremos uma economia sustentável, uma cidadania verdadeira, porque a concentração de renda continua aumentando, mesmo com o esforço do governo, mesmo com a interferência do Banco Mundial, com instituições que ajudam a financiar na tentativa disso. Essa problemática foi uma preocupação muito grande do senador Tasso Jereissati, que tentou fazer tudo, mas não conseguiu conter a concentração de renda. Há uma necessidade que haja uma preocupação daqueles que dirigem o país, da sociedade como um todo, para que haja uma reversão desse número e que ampare aqueles que têm muito pouco ou nada. Essa é uma situação preocupante. A cada dia que passa, está se acentuando. Sou da filosofia de que deve-se dar empregos, dar trabalho. Você tem que oferecer à população base para que saia desse quadro. Eles não querem receber migalha, mas sim emprego, moradia, e não viver na miséria. Eles querem ter condições para criar os filhos, e para isso melhorar, tem que haver essa reversão a médio ou a longo prazo, e não tenho dúvidas de que é uma preocupação do setor público e privado.
Fale! A prefeitura tem alguma experiência de parceria com setores privados ou instituições?
Raimundo Macedo. Total. A contribuição que têm nos dado vai desde a infra-estrutura, como a doação de terreno, da redução de impostos, das parcerias feitas com faculdades em termo de bolsas de estudo, da criação do projeto Padre Cícero, para ajudar as pessoas legalmente que ainda não têm emprego, até o restaurante popular com mil refeições diárias e, a partir de agora, teremos mais 800 através de quatro cozinhas comunitárias gratuitas, localizadas em quatro bairros diferentes. Nesse momento é importante que pensemos que não podemos fazer isso a vida toda. Temos que treinar, criar escolas profissionalizantes, investir em cursos universitários, cursos profissionalizantes, como informática, refrigeração, mecânica, bijuterias, bordado, artesanato, corte e costura, entre outros. Estamos ampliando esta área por meio da descentralização das ações nos bairros, apoiando as associações que querem atuar neste segmento através de doação de equipamentos para que possamos profissionalizar essas pessoas. Muitas vezes, quando se abre uma fábrica, há necessidade de empregados, mas infelizmente as pessoas não estão qualificadas para ocupar uma destas vagas. Na medida em que vamos identificando as necessidades, vamos trabalhando neste ponto, fazendo parceria com faculdades, com as escolas que nó s temos, contratando pessoas qualificadas, da área, acadêmicos para serem monitores para suprir a carência de mão de obra qualificada.
Fale! Como está a cobertura de iluminação pública no município?
Raimundo Macedo. Havia uma cobrança muito grande da população neste ponto e para atender a demanda firmamos uma parceria importante com a Coelce. Com recursos próprios, investimos R$ 10 milhões em iluminação pública. Vamos colocar postes e lâmpadas em todas as avenidas. Na nossa visão, iluminação pública representa segurança para a população, inibindo a ação da marginalidade. Um exemplo do nosso empenho é na rodovia que liga Juazeiro a Crato, cuja responsabilidade de manutenção é do Estado, que esta toda iluminada.
Fale! Quais foram as ações desenvolvidas pela prefeitura?
Raimundo Macedo. Trabalhamos pautados em grandes projetos como a eletrificação, a educação, esportes, salário dos servidores. Nossa cobertura na educação é de 100%. Todas as crianças estão estudando. Estamos trabalhando para acabar com o turno intermediário, que prejudica o aprendizado do aluno, e para isso as reformas nas escolas, para ampliá-las e regularizar esse horário já estão na fase final. Enfatizando que fortalecemos o esporte, não só na construção de quadra de esportes, mas continuamos apoiando todas as modalidades na aquisição de materiais, com recursos financeiros, com tudo que foi necessário tanto para o esporte amador como no profissional. Outro problema que resolvemos foi o salário dos 4.3 mil servidores da prefeitura que ganhavam em torno de R$ 70,00 a R$ 130, 00 reais. Atualmente, o salário mais baixo é de R$ 415,00. A média do salário gira em torno de mil reais. A nossa folha de pagamento hoje é de R$ 4.5 milhões de reais. Isto reflete na satisfação do servidor no desempenho de suas funções.
|