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Política
Obama
O que significa sua campanha para a Presidência dos EUA?
Ainda que nesse momento estejamos à distância do campo de batalha, a figura de Barack Obama se ergue com tanta visibilidade no horizonte político dos EUA, inclusive aqui em Fortaleza. Há três meses no Brasil, acredito que tenho respondido mais a essa pergunta do que a qualquer outra: e você, o que pensa de Obama?

Já na prévia das eleições do Partido Democrata, o balanço das forças populares nos EUA mudou sensivelmente. Trabalhadores brancos votaram em Obama em Nova Inglaterra, em Lowa e no sul. Sindicatos apóiam Obama. Jovens que abandonaram a política no passar dos anos saem às ruas com bandeiras e gritos a favor dele. Onde antes se escutara suspiros de angústia e cinismo obscuro, se nota entusiasmo e se vêm esperança nos rostos do povo yanqui.
Vozes da esquerda que pareciam fracas e marginalizadas, por conta dos debates polêmicos, voltam a jogar papel educador e mobilizador. Há duas semanas, quatro figuras de alta influência entre progressistas se proclamam em favor de Obama, explicando que o momento é muito propício, é uma grande oportunidade para influir nas mudanças políticas do país. Os quatro – Tom Hayden, Danny Glover, Bárbara Ehrenrecih e Bill Fletcher – procuram estabelecer uma nova coalização “Progressives for Obama”. Cresce rapidamente a lista dos apoiadores.
Que qualidade de caráter, que programa de luta tem Obama que o faz destacar-se entre os Democratas, todos sempre cheios de promessas jamais realizadas?
Não lembramos as eleições de 2006? O povo norte-americano se expressou forte contra a falida política de governo, a guerra no Iraque, a crise financeira, a privatização e o des-regulamento do capital. Elegeram uma maioria de Democratas para o Congresso pela primeira vez em muitos anos. Esses eleitos chegaram no Congresso falando de mudanças que levariam a cabo. Entretanto, não fizeram nada de novo, muito pelo contrário, votaram favoráveiws à liberação de mais recursos para financiar a guerra, oferecendo Bush tudo o que pedia. Traidores! Nesse momento, a chefe do Congresso, Nancy Pelosi, está manipulando os votos dos parlamentares para assegurar que esse maldito acordo de livre comércio com a Colômbia seja aprovado. Outra traição. Por que pensa o povo dos EUA que o Democrata será diferente?
Pois então, Obama é diferente, em parte pelo que simboliza. Representa a verdadeira diversidade dos EUA, dos afro-descendentes, dos brancos, dos povos indígenas, enfim um pouco de tudo. Além dos mais, fala diretamente sobre assuntos que outros políticos evitam com destreza, tais como o racismo. Sua palestra sobre o racismo, já veiculada em todo mundo através do youtube — uma resposta às denúncias contra o pastor de sua igreja, prendeu a atenção e emocionou milhões de pessoas que nunca antes escutaram palavras tão francas e sinceras. Ele demonstrou uma integridade ética sem precedente em campanhas políticas.
Muitos amigos me enviaram essa palestra: um deles, militante dos anos de 1960 e 1970, confessou que não havia sentido, esperança parecida com exceção dos primeiros dias da campanha de Eugene McCarthy em 1968, contra a guerra do Vietnam.
Escritores, acadêmicos, historiadores estão comparando o movimento crescente a favor de Obama com a coalização que surgiu em torno do candidato Franklin Delano Roosevelt. Outros historiadores não vêem dessa forma, mas comentam sobre essa oportunidade que abre caminho para nós construirmos uma coalização progressista. As palavras-chave são oportunidade, possibilidade e potencialidade.
Barack Obama é novo. Politicamente, possui contradições. Tanto o grande capital quanto o pequeno capital o apóiam. Além disso, tem se posicionado contra a guerra do Iraque, mas em outro momento falou em invasão do Iran. Com certeza, a política exterior de Obama vai se parecer muito com a política externa de todos os presidentes, desde Reagan. Quanto a imigração, e sobre os acordos de livre comércio, sobre Israel, sobre Cuba, não se pode prever o que fará. Mas sabemos o que faria uma Hilary Clintou ou John McCain. Além do mais, Barack Obama pode nos ajudar a mudar a política atual e construir um movimento capaz de agregar as forças progressistas nos EUA, que a cada dia são mais organizadas.
A declaração dos Progressives for Obama diz o seguinte: “Durante períodos de alta atividade progressista no final dos anos 30 e os nos primeiros anos da década de sessenta, movimentos sociais têm pressionado muito, contribuindo com idéias inovadoras que permitiram dirigentes centristas apoiar soluções democráticas e progressistas. Nós nos encontramos precisamente nessa situação. Hoje, “Obama nos inspira a organização e a formação política de transformação social”. n
Ruth Needleman é PHD, Professora de Universidade de Indiana — Estados Unidos, Departamento do Programa de Estudos sobre o Trabalho.

     
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