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Especial

Um novo modelo de gestão

Brasil, quinta potência econômica do mundo até 2020. A meta que virou uma obsessão para os políticos e uma grande probabilidade para analistas internacionais, depende fortemente do envolvimento de novas lideranças que marquem a década iniciada em 2010. No Ceará, Fale! ouviu quatro desses novos líderes para saber como o estado pode se beneficiar desse crescimento e ser também um dos protagonistas nacionais no esporte, na iniciativa privada, na gestão pública e enquanto sociedade civil organizada. Por Adriano Queiroz

Fortaleza, sub-sede da Copa do Mundo de 2014. Ceará Sporting Club se credenciando para briga por vagas em competições futebolísticas internacionais. Jovens empresários da capital cearense ocupando altos postos em confederações empresariais e em grupos privados. Políticos do estado ocupando posições de destaque no governo federal. O que poderia parecer utopia há três décadas é realidade no início da segunda década do século XXI. O estado do Ceará vem se consolidando como um dos mais relevantes atores no cenário de um país que também está sendo um protagonista mundial. E por trás do conjunto dos movimentos coletivos locais, a figura dos jovens líderes tem impulsionado esse crescimento cearense.

Fale! entrevistou quatro nomes emblemáticos, em suas respectivas áreas de atuação. Foram eles: Evandro Leitão, presidente do Ceará Sporting Club; Caroline Mello, coordenadora de eventos da Conaje e ex-presidente da Associção dos Jovens Empresários de Fortaleza; Salmito Filho, presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, filiado ao PT, e André Figueiredo, ex-Secretário Executivo do Ministério do Trabalho e vice-presidente nacional do PDT. Um deles, a propósito, foi eleito, em votação realizada pela internet pela Omni Editora, como um dos 30 cearenses mais influentes. Trata-se da jovem liderança Salmito Filho. Mas o que torna alguém um líder? Essa foi a questão comum que Fale! abordou com os quatro líderes, entre muitas outras, que o leitor confere a seguir.

Perfil do líder
Uma pergunta que pode surgir em decorrência da anterior é: como o líder enxerga outro líder? Para a presidente da Solução Max Imaging e da Reimagine Comunicação, coordenadora de eventos da Confederação Nacional de Jovens Empresários e ex-presidente da Associação de Jovens Empresários de Fortaleza, Caroline Mello, basta observar um conjunto de habilidades e conhecimentos. As habilidades vão desde carisma, ter uma boa comunicação, saber exatamente dizer o que você quer para que sua equipe possa entender e trabalhar junto com você na mesma sintonia. Acho que a comunicação nesse processo é importantíssima (...) Os conhecimentos a gente forma e adquire na experiência com o mercado”. Ela aponta ainda a necessidade do líder atuar com ética, sob pena de ver sua credibilidade posta em xeque.
Foi justamente esse valor que Evandro Leitão, presidente do clube de maior torcida no estado, o Ceará, reconheceu nas pessoas que mais lhe inspiraram a se tornar um líder. “Uma pessoa em que eu me espelho bastante é o meu pai. Meu pai é uma pessoa que me passou muitos ensinamentos. Eu extraí demais de minha relação com ele. Tenho outras pessoas também nas quais eu tento me espelhar. Uma delas, dentro do Ceará, chama-se Castelo Camurça (...) É uma pessoa que nos transmite uma confiança e uma serenidade muito grande”, elogiou. Manter a serenidade, aliás, é um dos desafios contínuos de qualquer dirigente esportivo. Com essa característica, Leitão ajudou o clube a deixar as últimas posições da Série B do Campeonato Brasileiro, no ano passado, para ser, em 2010, um dos melhores colocados na Série A – divisão de elite do futebol nacional.
A política, especialmente, em ano eleitoral também guarda suas semelhanças com o esporte. Afinal, envolve disputas, torcida e, claro, articulações. Mas se no futebol, elas orbitam em torno da contratação de jogadores ou técnicos, no jogo político envolvem acordos que podem garantir uma vitória nas urnas ou a governabilidade. É exatamente essa a capacidade de articular, exigida para um líder na política, o atributo mais admirado pelo presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Salmito Filho. “Em minha opinião, o que forma um líder é a sua capacidade de diálogo, somada, ao mesmo tempo, com a capacidade de articulação, para ambas viabilizarem idéias inovadoras e projetos transformadores (...) Um líder deve, por si só, ou com o acúmulo de contribuições de grupos, apresentar propostas transformadoras a partir dessas duas habilidades”, define.
Mas o vice-presidente nacional do Partido Democrático Trabalhista, André Figueiredo, diz que não se deve confundir liderança com populismo. Falando dos atributos de quem exerce cargos eletivos, o pedetista ressalta que “uma liderança política tem de conciliar uma série de questões, desde que seja uma liderança verdadeiramente política. Alguns são líderes pelo caráter populista, por quererem agradar a todos, outros são líderes pela essência que transmitem, de seriedade e de compromisso com o seu país, com o seu estado, com o seu município”. Nesse sentido, ele lembra a figura histórica do fundador do PDT, Leonel Brizola, que de acordo com Figueiredo, foi um dos responsáveis pela resistência à tentativa de golpe militar, em 1961, quando da renúncia do então presidente Jânio Quadros e posse de João Goulart.

O despertar da liderança
Um bom exemplo pode despertar uma liderança potencial, mas há também aqueles que aprendem a liderar de modo natural, a partir das necessidades de seu tempo, mesmo sem qualquer influência ou histórico familiar. Foi o que se deu com o pedetista André Figueiredo. “Meus pais não tinham nenhuma vivência política, nem meus avós, minha vocação não foi uma herança familiar, não foi nada hereditário. Mas foi acima de tudo fruto de um momento que a gente vivia que era o final de uma ditadura militar, que me fez entrar, inicialmente, na Juventude Católica, através do movimento Semente de Libertação, que se reunia semanalmente, lá no Pirambu, com as Comunidades Eclesiais de Base. Quando eu entrei na universidade, em 1984, defini que ia me filiar a um partido político”, recorda Figueiredo.
Aliás, mesmo a escolha do partido foi para ele uma decisão inteiramente individual, a despeito de boa parte de seus colegas de faculdade terem ido para as fileiras do PT. Desde então, são nada menos que vinte e seis anos de militância junto à Democracia Trabalhista, legada por Brizola. O político é um dos raros exemplos atuais de fidelidade partidária. Parte da explicação está em uma de suas características pessoais de não alinhamento com as posições dominantes, atributo que já estava presente nas origens de sua vida política. “Na época em que comecei minha militância, nós tínhamos o PT como partido da moda e eu nunca gostei muito de seguir moda”, enfatiza. O líder também disse ter estudado bastante a história do partido ao qual acabou se filiando, bem como do seu fundador, que na época tinha sido recém eleito governador fluminense.
De fato, o nascimento de um líder pode se dar a partir da observação dos fatos que cercam um indivíduo. Foi assim com Salmito Filho, que, a exemplo de Figueiredo, milita, desde o início de sua vida política, em um único partido, o PT. A jovem liderança petista lembra que “desde criança, com a minha visão mais pueril, até a minha visão elaborada, trabalhada pelo colégio, pela universidade, como sociólogo, eu fui cada vez mais fortalecendo essa impressão de que a política é a grande ferramenta para a convivência humana.”. Salmito disse ter pensado inicialmente que sua atuação pública se daria pela via diplomática, carreira a qual o atraía bastante, tendo chegado a fazer cursos preparatórios e estudado quatro idiomas. Mas foi a ascensão gradual de um líder popular, Luis Inácio Lula da Silva, que o acabou inspirando a seguir pela via partidária.
E assim como para chegar à presidência de uma nação ou de um clube é preciso começar como bom articulador, mesmo que em posições subalternas, um clube de futebol, como o Ceará, pode ganhar destaque nacional a partir do trabalho diário de seus integrantes e líderes. Foi com esse espírito de vencer um obstáculo por dia que se deu a ascensão de Evandro Leitão no “vovô”. Ele aponta como fator determinante para sua chegada ao comando da agremiação esportiva o fato de servir de elo onde existisse alguma dissidência. Eu tenho essa característica. Naquela época eu já sentia que as pessoas me viam como um elo, como uma pessoa que intermediasse alguns conflitos. E assim foi desde o ano de 2006 até o início de 2008. Eu intermediei muitos conflitos, eu tentei contemporizar muitas situações pelas quais o clube estava passando”.
Além do caráter conciliador, outra habilidade que pode indicar o surgimento de um novo líder é a adaptabilidade, segundo Caroline Mello. “Os líderes, hoje em dia, têm de estar continuamente se auto-avaliando para saber onde mudar e que tipo de liderança não vai mais funcionar com a mudança da sociedade e os novos hábitos. Às vezes, um tipo de liderança não funciona em determinado grupo”, Ela defende também que embora seja possível notar características de liderança desde a infância é possível estimulá-la e desenvolvê-la. Nesse sentido, a jovem empresária critica a falta de foco no empreendedorismo que permeia o sistema educacional brasileiro e diz que “muitas vezes nós acabamos sendo empurrados para o mercado de outra forma, apenas com uma opção que é trabalhar para alguém”.

Gerenciar conflitos e equilibrar emoção e razão
Nata ou estimulada, a liderança sempre envolve dificuldades. Isso porque o líder sempre se depara com interesses conflitantes. Na política partidária podem ser divergências ideológicas sobre a escolha de aliados. No poder executivo podem ser confrontos entre segmentos sociais diferentes. O pedetista André Figueiredo sabe bem o que é gerenciar esses conflitos. Basta dizer que seu partido, em nível estadual, abriga dois parlamentares com visões destoantes em relação ao governo Cid Gomes: Ferreira Aragão, que é favorável ao governador, e Heitor Férrer, oposicionista de primeira hora. Para conduzir tão espinhosa tarefa, o otimismo é fundamental, tanto, que Figueiredo, a despeito dessas dificuldades acredita que “aquilo que nos une hoje é muito mais do que o que nos afasta, entre todos os que integram o PDT no Brasil e no Ceará”.
Essa visão otimista aliada ao compromisso com a solução de impasses também ajudou o político a ter êxito em sua passagem pelo Ministério do Trabalho e Emprego, quando além de secretário executivo, ligado ao ministro e correligionário Carlos Lupi, assumiu como interino por cerca de cem dias. Aliás, talvez esse tenha sido o maior desafio de sua carreira pública: equilibrar interesses de empregados e empregadores. “Nós tínhamos, logicamente, conflitos, nos quais havia interesses patronais e os interesses laborais e atuamos dentro de uma compreensão de que cabe ao governo fazer a mediação das partes, evidentemente levando em consideração que a parte do trabalhador é a mais desprovida de direitos e de uma maior assistência, uma vez que, se nós temos uma condição patronal significa que existe poder em cima do trabalhador.”
Para quem exerce sua capacidade de liderança no Legislativo a tarefa ganha um componente extra além da hierarquia: a multiplicidade ideológica de um parlamento. Que o diga Salmito Filho. Trazendo ainda mais complexidade ao cenário de atuação do petista, está o fato de que nas últimas eleições para a Câmara Municipal de Fortaleza houve renovação de quase 60% na composição parlamentar. Com tantos vereadores representando tantos partidos, o maior desafio para Salmito Filho “é garantir o bom debate e fazer com que todos os vereadores e vereadoras possam cumprir e exercer bem o seu mandato, trabalhar muito pela população e pela nossa cidade. Eu não posso como presidente querer que os vereadores pensem como eu penso. Então, é normal o debate, é normal a divergência e tudo issoé bom e importante para a cidade”.
Mas se engana quem pensa que a administração de conflitos é exclusiva da política. No esporte, aliás, essa é uma atividade corriqueira. Ainda mais considerando o caráter passional que o envolve. Imagine então quando você lida com astros idolatrados – ou odiados – por pelo menos um milhão de torcedores do alvinegro espalhados pelo país – segundo a última pesquisa do Instituto Data Folha. “É difícil porque tudo que envolve paixão na vida você termina carregando uma variável que não se mensura. Então nós gestores temos de ter muita serenidade, muito equilíbrio, muita prudência para a gente saber o que está fazendo, como fazer e com quem fazer, porque qualquer tipo de atitude que você toma, principalmente, no futebol, tem reflexos durante um bom tempo (...) Nós temos de estar sempre com a razão sobreposta à emoção.”
Se por um lado a razão deve ser o norte quando se dirige um clube de futebol, marcado por emoções e tradições, pode se dar em certa medida o contrário quando se lida com uma atividade tão associada à frieza dos resultados. Em parte, é justamente esse o papel de Caroline Mello, na Conaje, enquanto coordenadora de eventos. Mas se a empresária cearense agrega sua sensibilidade e intuitividade à entidade empresarial nacional, também conhece realidades de outros estados e pode agregar essas experiências à sua atuação local. “Apesar de todo mundo viver no mesmo país, cada estado tem sua cultura local, que influencia bastante e diretamente nas questões empresariais (...) Eu comecei a ver determinadas coisas que funcionavam em outros estados. Daí a gente começa a cobrar que o nosso estado também desenvolva algo parecido”, conclui.

Enfrentar obstáculos
Mesmo havendo peculiaridades nas experiências empresariais, nos diferentes estados brasileiros, há alguns desafios comuns. Caroline Mello lembra das dificuldades que praticamente todas as empresas encontram para se firmar no mercado e aponta alguns culpados pelos seus altos índices de mortalidade. “Existem pesquisas que mostram que mais de 50% das empresas não consegue sobreviver aos primeiros cinco anos e isso se deve, principalmente, a uma questão tributária. O Brasil precisa de uma reforma tributária urgente. Não é só que a carga é muito alta, é também muito complexa”, reclama. Outros dois fatores apontados pela empresária para a não prosperidade de um negócio são a falta de estímulos ao empreendedorismo e a desproporcional cobrança por credibilidade que o mercado exerce sobre quem está começando.
Fazendo coro com a empresária, embora por uma perspectiva diferente, o vice-presidente nacional do PDT, André Figueiredo, lembra que não é possível resolver a questão do emprego sem reduzir a carga tributária no Brasil, principalmente, por conta da vinculação umbilical entre trabalho, setor produtivo e economia, mas descartando que os direitos trabalhistas onerem o empresariado. Ele cita como entrave ao trabalho, porém, a alta taxa de juros que, mesmo sendo hoje uma das mais baixas da história brasileira recente, continua uma das maiores do mundo. “A taxa de juros elevada inibe o mercado interno, faz com que as indústrias nacionais e o comércio não tenham volumes de produção e vendas, respectivamente, significativos e consequentemente não tenham um aumento no número de trabalhadores nelas inseridos”, adverte.
Outros desafios para a geração de emprego no país, de acordo com Figueiredo, são: o chamado “custo-Brasil”, a falta de maiores investimentos em obras de infraestrutura e de incentivo ao agronegócio e à agricultura familiar. “Nós temos um custo-Brasil’ elevado, que se reflete em uma carga tributária onerosa e também em uma infraestrutura deficiente com estradas que impedem que as mercadorias cheguem mais rápido ao seu destino, além de um sistema de navegação de cabotagem ainda deficiente e um sistema ferroviário, praticamente inexistente”, enumera. Apesar das dificuldades de sempre, o pedetista ressalta que o país conseguiu sair da crise econômica mundial de 2008-2009 com um saldo de um milhão de novos postos e que nos quatro primeiros meses de 2010 já gerou 962 mil novos postos, com previsão de chegar a dois milhões até o fim do ano.
Superar dificuldades históricas, antes de obter resultados, igualmente, históricos, também foi o desafio de Evandro Leitão. Para ele, os problemas do “alvinegro” eram basicamente os mesmos dos demais clubes nordestinos, que explicam o baixo rendimento dessas equipes em competições nacionais, quando em trinta e nove edições do Campeonato Brasileiro, apenas em duas ocasiões o campeão veio do Nordeste. No caso específico do Ceará Sporting Club, o presidente revela que “muitas pessoas estavam afastadas porque não encontravam espaço para ajudar e nós tivemos essa virtude de chamar todas as pessoas que queriam ajudar e de unir essas pessoas. Isso aí ajudou. Além disso, nós tivemos sempre uma gestão pautada na transparência e nos interesses do clube, sempre os colocando acima de quaisquer outros interesses”.
Separar interesses de naturezas diversas, tais como, os da instituição como um todo, os dos partidos, bem como os da sociedade civil organizada, é também um dos principais obstáculos para quem tem um posto de presidência da Câmara Municipal de Fortaleza. Podemos acrescentar ainda os interesses pessoais legítimos de quem exerce essa função. Contudo a legitimidade desses interesses pode vir acompanhada pela tentação autoritária. É o que evita Salmito Filho. Para ele, não deve prevalecer “a vontade do presidente de plantão, porque tanto ele quanto os demais vereadores têm opções partidárias e a Câmara Municipal não pode se partidarizar. O partido é fundamental e necessário, mas como o próprio nome já diz, ele é uma parte. E o todo é a população de Fortaleza e não apenas a população que simpatiza com partido A, B ou C”.

Casos, experiências ou momentos de sucesso
Mas nem só de lutas é feita a vida de um líder. Há também muitos momentos de reconhecimento e realização. Afinal ninguém chega a condição de exercer influência, em qualquer área em que atue, sem ter grandes resultados. Para André Figueiredo, seus maiores resultados foram obtidos frente à Secretaria Executiva do Ministério do Trabalho. Isso sem esquecer de sua atuação na Câmara dos Deputados Federais, quando foi eleito por dois anos consecutivos um dos parlamentares mais influentes do Congresso, nem de sua atuação como o primeiro secretário de Esporte e Juventude do Ceará, quando criou projetos que depois inspiraram programas nacionais. Mas foi no MTE que o pedetista ajudou a construir “índices recordes de geração de emprego e renda, o que fez com que o Brasil, hoje, seja visto, lá fora, como exemplo”.
O vice-presidente nacional do PDT informa ainda que “nos últimos quatro anos nós tivemos mais de um milhão de jovens, no “Projovem Trabalhador” e igual número nos planos setoriais de qualificação. Nós temos hoje aí também, dentro dos nossos programas de qualificação, o “Próximo Passo”, voltado aos beneficiários do “Bolsa-Família”, dando àquelas pessoas uma condição de saírem desse programa com sua renda própria”. O ex-secretário executivo do Ministério de Trabalho citou ainda como êxitos de sua co-gestão o uso dos dois principais fundos do país, o FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador – e O FGTS – Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – como fontes de financiamento de programas como o “Minha Casa, Minha Vida” e PAC – Projeto de Aceleração do Crescimento.
Resultados também não faltaram para o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Salmito Filho, em quase um ano e meio de presidência. Ele cita entre muitos projetos que foram criados ou aperfeiçoados na gestão do vereador petista “a Câmara Ambiental; Câmara Cultural; Câmara Móvel; Câmara Solidária; Pacto Por Fortaleza; Grupo Gestor, que é uma gestão compartilhada com os servidores públicos de carreira da Câmara Municipal e com os assessores de todos os vereadores; a TV Fortaleza; e a Líder FM, que foi uma inovação nossa para garantir a transmissão, ao vivo, dos trabalhos da Câmara Municipal de Fortaleza, através da rádio FM 107,3”. Salmito lembra ainda que os vereadores da capital cearense visitam, constantemente, terminais de ônibus e praças da cidade, além de fiscalizar obras públicas.
Mas não é preciso exercer funções públicas ou cargos importantes para interferir na realidade social de uma cidade ou país. O dirigente esportivo Evandro Leitão ressalta que já esteve à frente de “projetos sociais, antes de entrar no Ceará. Depois, quando eu entrei no clube, vi o quanto o esporte, e mais precisamente o futebol, pode ser utilizado como instrumento para ajudar as pessoas”. Mas, evidentemente, é dentro do “alvinegro” que Leitão assiste as maiores transformações sociais, especialmente nas categorias de base do “vovô”, onde jovens, oriundos de famílias carentes, sonham com mudanças concretas em suas vidas e em se tornarem revelações alvinegras. Esse trabalho de garimpagem de craques deve ser intensificado, principalmente, quando forem inaugurados os novos Centros de Treinamentos do clube, nos próximos anos.
E por falar em “pratas da casa”, a empresária Caroline Mello ressalta que nossas jovens lideranças do mundo dos negócios têm brilhado, nacionalmente, quer seja assumindo postos de direção e até a presidência de entidades classistas, quer seja ascendendo em grandes grupos empresariais. “Todos os participantes do Ceará dão uma aula, dentro da Conaje, de comprometimento e responsabilidade com o movimento. O Ceará, hoje, é um estado muito ativo dentro da confederação. Nós temos projetos desenvolvidos aqui no estado que são referências para o Brasil. Vira e mexe nos pedem consultoria, perguntam como a gente conseguiu desenvolver algo e isso tudo se dá com compromisso”, assegura. Ela cita ainda o exemplo do empresário cearense Pedro Fiúza, ex-presidente da Conaje, que recebeu proposta para ser um dos vicepresidentes do Itaú.

Copa de 2014, Olimpíadas de 2016; desafios e oportunidades
Se é fato que o estado do Ceará tem algumas das experiências mais exitosas em termos de gestão empresarial, será um pouco menos difícil a tarefa da capital Fortaleza, ser subsede da Copa do Mundo de 2014. E mais que isso, será muito proveitoso para a economia estadual. Para Caroline Mello “haverá crescimento na área imobiliária, na área de tecnologia, no turismo. Essas são algumas áreas que devem crescer muito, em termos e contratação, e devem surgir muitas oportunidades até lá e mesmo depois da Copa”. Além das oportunidades para o empresariado, Caroline observa que a realização do evento será um ótimo mote para que o poder público intervenha na infraestrutura de Fortaleza. Economia à parte, a empresária também se disse muito orgulhosa de o Brasil sediar uma Copa pela segunda vez em sua história, feito alcançado por poucos países.
O feito citado pela empreendedora é, no entanto, pequeno frente ao potencial esportivo do país, como lembra o presidente do Ceará, Evandro Leitão. Lembrando também das Olimpíadas de 2016, o dirigente destaca que o Brasil “tem dimensões continentais, uma população bastante numerosa, ótimos esportistas, pessoas que se qualificam, agora falta um investimento maior da parte do governo, falta um olhar melhor por parte das autoridades para o esporte, que é sinônimo de cultura e lazer”. Leitão vê com bons olhos a escolha da capital cearense como sub-sede da Copa do Mundo de 2014, mas lamenta que o clube, o qual dirige, não poderá disponibilizar seus equipamentos esportivos para o evento. Até 2020, no entanto, o quadro projetado é outro, inclusive, com o aumento nos investimentos em outras modalidades esportivas.
Com foco em 2020, mas sem esquecer 2014, está a Câmara Municipal de Fortaleza. O presidente Salmito Filho assumiu o compromisso de junto com o órgão “fiscalizar e acompanhar as obras, mas nos antecipamos para que esses investimentos e a realização da Copa de 2014 sejam feitos dentro de uma agenda pensada, debatida pela própria sociedade. Agenda, essa, propositiva”. O parlamentar se compromete com a proatividade da Câmara em relação às discussões sobre o evento. Digase de passagem, o Legislativo Municipal já iniciou, há cerca de um ano, uma série de estudos sobre as necessidades de investimentos na capital cearense e os principais gargalos da cidade, tendo em vista a competição, observando os principais aspectos cobrados pela FIFA – sigla inglesa para Federação Internacional das Associações de Futebol.
Entre os obstáculos para que Fortaleza e as outras onze cidades brasileiras realizem uma boa Copa do Mundo de 2014 e, no caso do Rio de Janeiro, bons Jogos Olímpicos, em 2016, está a falta de qualificação profissional nas áreas ligadas direta ou indiretamente ao turismo. Para o ex-secretário executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, André Figueiredo, parte dessa demanda será suprida pelo “Projovem Trabalhador”. Ele lembra que só no Ceará esse programa “disponibilizou mil e quinhentas vagas para o município de Fortaleza. Todos esses jovens estão sendo treinados em arcos ocupacionais voltados para o turismo e à hospitalidade.” André acrescenta ainda a necessidade de “termos uma infraestrutura nos nossos principais pontos turísticos que proporcionem o fácil acesso, sem, logicamente, comprometer o meio-ambiente”.

As jovens lideranças e o Brasil potência
Para além da Copa em 2014 ou das Olimpíadas de 2016, muitos analistas internacionais e até mesmo a pré-candidata à presidência da República, pelo PT, Dilma Rousseff, tem trabalhado com a hipótese de que o Brasil alcançará a quinta posição em uma competição bem mais difícil: a das maiores potências econômicas mundiais. A opinião é compartilhada pelas quatro lideranças entrevistada por Fale! Para André Figueiredo, vice-presidente nacional do PDT a meta é “atingível, mas para isso, nós temos de continuar aliando desenvolvimento econômico à geração de emprego e renda, porque não adianta chegarmos à condição de quinta potência do mundo em termos de PIB, se não tivermos uma justiça social, claramente instalada em nosso país, com a redução das desigualdades sociais e regionais”.
Caroline Mello, coordenadora de eventos da Conaje, também disse acreditar que o Brasil vai se tornar a quinta potência econômica do mundo, apesar de se preocupar com a deficiência na educação. Mais que isso, ela entende que “já passou aquela história de ‘Brasil, o país do futuro’. O Brasil é o país do presente. A gente está conseguindo fazer. Mas ainda tem muito trabalho pela frente e deve haver uma cobrança política muito grande, principalmente, nesse ano que é de eleições. Hoje o jovem pode decidir e definir uma posição política dentro do país”. A empreendedora cita o exemplo da Conaje, que têm participado ativamente das discussões com os presidenciáveis e apresentados propostas da entidade. Ela conclama a sociedade a “se organizar para cobrar, analisar e na hora de votar, votar com consciência”.
Além do voto, o esporte também pode ser um instrumento de transformação nacional. Essa é a aposta do presidente alvinegro Evandro Leitão. Para ele, o país tem tudo para se tornar também uma potência esportiva. Leitão acrescenta que “todo e qualquer povo precisa do esporte, de alguma atividade esportiva. Até para tirar esse povo das ruas, para deixar às drogas a bastante distância das pessoas. Através do esporte, você está atingindo diversas camadas sociais, na questão cultural, na questão da segurança pública e numa série de processos sociais, que podem ser solucionados ou minimizados”. Com esse intuito, o clube comandado pelo dirigente, está investindo alto em dois Centros de Treinamento para as categorias de base e pretende, futuramente, investir também em outros esportes que não só o futebol.
Pensar no futuro é também o grande projeto do presidente da Câmara Municipal de Fortaleza. Tanto que Salmito Filho está coordenando, um detalhado estudo sobre eixos temáticos que norteiam o cotidiano dos cidadãos fortalezenses: segurança pública e cidadania; desenvolvimento econômico e social; qualidade de vida; mobilidade urbana; resíduos urbanos e geração de renda. O relatório produzido será depois transformado em uma agenda propositiva para gestores nas três esferas. É o “Pacto Por Fortaleza: a cidade que queremos até 2020”. Para o parlamentar, há sintonia entre as metas desse pacto e a meta da pré-candidata petista à presidência da Republica, Dilma Roussef, de alçar o país ao posto de quinta potência mundial, desde que “a população esteja acompanhando esse crescimento e essa boa colocação do Brasil no cenário mundial.”

Metas, aspirações e visão de futuro
Mas além de pensar no ano de 2020 do país, do estado ou da cidade de Fortaleza, é natural que cada indivíduo pense no seu próprio futuro, principalmente, em se tratando de pessoas com destaque profissional e que exercem papel de liderança. Assim, mesmo antevendo a reticência estratégica que os quatro entrevistados de Fale! teriam para revelar suas metas pessoais , não deixamos de perguntar o que eles pensavam fazer pelos próximos dez anos.
Salmito Filho, sem revelar se pretende estar no Legislativo ou suceder a correligionária Luizianne Lins na prefeitura de Fortaleza, preferiu antecipar a meta de médio prazo de se reeleger presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, garantindo o compromisso com um bom fechamento de mandato. Para depois de 2012, prefere se comprometer apenas em “fazer o melhor e o máximo que puder com muita franqueza, com muita sinceridade, com muito empenho, com muita dedicação”.
Evandro Leitão é um pouco mais ousado em suas previsões para o futuro do Ceará Sporting Club. “A grande meta é fazer do Ceará, o maior clube do Norte/Nordeste do Brasil”. Quanto a uma inserção mais forte na política, uma vez que, a exemplo de André Figueiredo, é filiado ao PDT, prefere não fazer prognósticos. “Ainda estou avaliando o cenário para ver se vale mais a pena eu contribuir de alguma outra forma ou se me candidatando ao legislativo. Até o final de junho eu defino”, garante.
Bem menos específico foi o correligionário André Figueiredo. A própria função de vice-presidente nacional do PDT impõe cautela na hora de falar de futuro político, em meio a tantas definições internas no período de convenções partidárias. Afirma apenas que vai “continuar na luta, independente de quaisquer resultados em eventuais disputas que venhamos a ter, por um Brasil mais justo e um Ceará mais desenvolvido, para que o nosso estado continue sempre nessa trajetória de crescimento acima do nosso país”.
Sem quaisquer pretensões políticas, Caroline Mello, prefere reservar os próximos dez anos para se dedicar inteiramente às duas empresas que comanda. Quanto à Solução Max Imaging, que está há exatos dez anos no mercado, ela planeja “partir para o Sul/Sudeste de uma forma mais agressiva.” Quanto à Reimagine Comunicação, seu mais novo empreendimento pretende inseri-la “no mercado de forma diferenciada e deve ser pioneira aí em diversos serviços que em breve o mercado estará absorvendo.