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Política

PARA ONDE VAI O DINHEIRO DAS MULTAS?

Em Fortaleza, a Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania – AMC arrecadou mais de R$ 27 milhões em multas em 2008. Mas, num caso de falta de transparência, a empresa reluta em informar o que acontece com esse dinheiro. Os parcos vereadores de oposição tentam, mas não conseguem obter informações sobre o misterioso caso do dinheiro das multas da AMC

Fortaleza arrecada um montante cada vez maior através das multas de trânsito aplicadas pela Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania de Fortaleza – AMC. A quantia, que era de R$ 17 milhões em 2007, chegou a R$ 27 milhões no ano passado. Os dados são do Sistema de Informação Municipal – SIM, e estão disponíveis no Portal da Transparência do Tribunal de Contas dos Municípios – TCM.
Para 2009, a Lei Orçamentária Municipal prevê uma arrecadação no valor de R$ 40 milhões (uma média mensal de R$ 3,34 milhões), meta que poderá ser facilmente alcançada, visto que só entre os meses de janeiro e agosto deste ano, a soma chegou a R$ 25 milhões.
Mensalmente, a AMC chega a aplicar 200 mil multas, entre manuais, feita por agentes, e eletrônicas, certificadas por censores. O Código Brasileiro de Trânsito diz que a arrecadação das multas deve ser aplicada, exclusivamente, em sinalização, engenharia de tráfego e de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito. Mas você sabe dizer aonde vai parar esse dinheiro?
Foi o que quis saber o vereador Iraguassu Teixeira (PDT). Ele apresentou um requerimento, em março deste ano, exigindo que a AMC divulgasse um relatório mencionando, entre outras informações, a quantidade de multas aplicadas e o respectivo valor arrecadado nos últimos três anos, além de tornar públicos os critérios que foram usados para garantir que a arrecadação prevista para 2009 seja maior do que a do ano anterior.
O contestado crescimento na arrecadação deve-se ao fato de que grande parte dos recursos recebidos através das multas devem ser direcionados a ações de educação no trânsito. Como o número de multas continua a crescer, vereadores acreditam que os recursos não estão sendo aplicados com eficiência.
A assessoria de imprensa da AMC diz que o requerimento foi respondido em abril, mas na Câmara ninguém sabe onde a resposta foi parar. Perguntada sobre o conteúdo da resposta ao requerimento do vereador, a AMC não quis divulgá-la, mesmo se tratando de um documento público.
Fernando Bezerra, Presidente da AMC, diz que os recursos vão para onde manda a lei, mas não existem dados oficiais sobre a porcentagem aplicada em cada item. O Secretário disse ainda que a AMC gasta mais do que arrecada e não entende porque na cidade todos têm mania de dizer que existe uma ‘indústria de multas’. Mas o relatório, que responderia qual o valor da arrecadação e onde ela está sendo investida, a própria AMC se recusa a noticiar.
O vereador Iraguassu Teixeira (PDT) não é o único interessado em saber qual o destino dos valores arrecados com as multas de trânsito. O vereador Marcelo Mendes (PTC) entrou com um processo que corre na 9ª Vara da Fazenda Pública de Fortaleza, para conhecer o real valor da soma das multas. Segundo ele, é lamentável que seja preciso mover ações para obter informação pública: “é um descumprimento flagrante da lei, além de ser um mau exemplo, isso não colabora com a democracia. O fortalezense quer uma gestão limpa, às claras, objetiva, que responda quando um cidadão ou um de seus representantes solicite uma informação”,afirma Marcelo Mendes.

 

EM ESTADO DE GREVE
Em maio deste ano, os agentes da AMC entraram em greve reivindicando o pagamento de 3 anuênios e a incorporação da gratificação de produtividade ao salário. Depois de 47 dias, os 270 agentes voltaram ao trabalho, mas ainda encontram-se em estado de greve.
A Prefeitura já atendeu ao pedido relativo aos anuênios, mas ainda negocia quanto à gratificação de produtividade.
Segundo o Vice-presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Fortaleza, Eriston Ferreira, os agentes já apresentaram uma proposta à Prefeitura, que será discutida em reunião na próxima quinta-feira (1).
Atualmente, os agentes estão fazendo hora extra para compensar o período de paralisação.
Caso as exigências sejam atendidas, haverá Assembléia para votar a suspensão da greve. “Mas se não houver acordo, os agentes podem parar novamente”, completa Ferreira.