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Cultura

Gilmar de Carvalho
Doutor em Patativa do Assaré

O escritor e pesquisador Gilmar de Carvalho, um dos mais originais intelectuais voltados para estudos de cultura de massa, doutor em Semiótica PUC-SP, lança uma antologia sobre Patativa do Assaré onde consagra a riqueza criativa do poeta popular brasileiro que rompeu as fronteiras nacionais e chegou à prestigiosa Universidade de Sorbonne, na França

Gilmar de Carvalho, um prolífico intelectaual cearense, doutor em Semiótica pela PUC-São Paulo, é o que se pode chamar de patativólogo — um especialista em Patativa do Assaré, o poeta popular que desorganizou o imaginário acadêmico conservador. E, mais que isso, Gilmar rompeu os limites da metodologia acadêmica tradicional quando fez do seu objeto de estudo um interlocutor privilegiado, onde a carga passional de modo algum comproemete a riqueza da interlocução — ao contrário, a potencializa.
Gilmar de Carvalho, professor do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará, é dono de uma obra original onde se destaca o estiloso romance Parabélum livro lançado em julho de 1977.
Mas seu grande objeto de estudo, pesquisa e contemplação é o poeta popular Patativa do Assaré, objeto do livro antológico que está sendo lançado pela Omni Editora, Cem Patativa.

 

UMA PEQUENA INTRODUÇÃO

Nesta conversa, Gilmar de Carvalho conta como foi o seu processo de descoberta de Patativa do Assaré.
1 Como e quando aconteceu seu primeiro encontro pessoal com Patativa?
Gilmar de Carvalho. Conheci Patativa em 1988. Fui participar de um evento sobre cordel, na URCA. Ele andava pelas ruas. Eu estava acompanhado pelo gravador Stênio Diniz. Nós o levamos ao Hotel Municipal, onde eu estava hospedado. Conversamos. Eu estava muito voltado para as relações da publicidade com o cordel (tema de minha dissertação de mestrado) e ele não podia me ajudar muito. Confesso que fiquei desapontado, pois só tinha olhos e ouvidos para o cordel de propaganda, que Patativa rejeitava.

2 Em qual momento você teve conhecimento da obra de Patativa?
Gilmar de Carvalho. Em 1974, completei 25 anos e ganhei de presente um exemplar de “Cante lá que eu canto cá”. Quem me deu o presente foi um jovem político chamado Lúcio Alcântara.

3 Quando começou o interesse em estudar e potencializar Patativa?
Gilmar de Carvalho. Veio a partir de 1993. Fui assessor do Paulo Linhares, na Secretaria de Cultura do Ceará — Secult. Tive a ideia de reeditar os folhetos do Patativa. Na verdade, retomava uma proposta do livreiro e arquiteto Américo Vasconcelos (Livraria Tukano). Deu certo. A caixa foi lançada na Casa de Juvenal Galeno. Recolho os cordéis. As xilos foram encomendadas a gravadores de Juazeiro. A impressão foi feita na Lira Nordestina. Fui levar as caixas em Assaré. Ele me deu os originais de “Aqui tem coisa”, publicado pela Secult em 1994. A aproximação veio daí. Fiquei curioso. Quem era este homem que merecia tantos elogios e tantas reverências. Pensava que havia exagero. Depois, constatei que não. Patativa era maior que todas as homenagens que poderiam ser feitas a ele.

 

 

Foi há cem anos, em 1909, que veio ao mundo um sertanejo das terras do norte, onde Deus é mais visível. Nasceu Antônio Gonçalves da Silva, mas o nome que deve permanecer ainda por muitos outros séculos é Patativa do Assaré. Neste primeiro cento, prêmios, homenagens, pesquisas acadêmicas e títulos de Doutor Honoris Causa de diversas universidades enfatizam a grandeza do poeta de mão grossa, que sempre tirou da simplicidade da terra seu sustento e seus versos.
A vasta produção de Patativa emociona e traduz as pessoas e suas vidas —fontes maiores do lirismo dele — e ganha os olhares dos atentos à sensibilidade e à sinceridade poética de uma literatura dita popular. Assim o pesquisador Gilmar de Carvalho, já autor de mais de 30 livros, percebeu a riqueza daquela voz ancestral. A ser lançado em janeiro de 2010, o livro Cem Patativa, de autoria do professor da UFC, reúne ensaios fotográficos e cronísticos sobre o poeta, além da reedição de uma entrevista realizada em 1996.
“Fui ao encontro do Patativa movido por uma curiosidade: por que se fala tanto nesse homem? Por que ele é tão valorizado, tão prestigiado?”, recorda Gilmar sobre a entrevista que durou o dia inteiro, naquele 15 de fevereiro, e que tomou as páginas do livro Patativa Poeta Pássaro do Assaré. “Eu fui cada vez mais me enredando nessa teia do Patativa e eu percebi que ele, na verdade, era muito mais importante, mais genial do que minha vã filosofia podia imaginar”.


No dia da entrevista, a que Gilmar costuma se referir como o “Bloomsday” de Patativa — numa referência ao romance Ulisses, de James Joyce —, o pesquisador encontrou algumas resistências. Patativa aparentemente dizia poemas para escapar de uma ou outra pergunta mais segura ao longo da conversa que durou entre oito da manhã e cinco da tarde. Para Gilmar, aquelas estratégias prontas eram algo natural, já que eles ainda não se conheciam bem. “Precisei voltar lá muitas vezes para quebrar esse discurso, que eu até entendo: a casa dele era sempre aberta, cheia de turistas, estudantes, professores. Se o Patativa fosse se entregar a cada uma dessas pessoas, ele morreria de cansaço. Para quem se satisfazia só com aquilo ali, ele tirava uma foto, improvisava uma quadrinha... Mas eu queria ir além”, assevera Gilmar. E conseguiu.

A palavra feita para ser ouvida
Cego de um olho ainda na infância, a pena de Patativa não foi destinada à escrita, como a de outros grandes poetas, e sim para o vôo livre de quem tem a musicalidade na voz primordial da contação. “Patativa tinha acessos de produção poética em que ele tremia todos os músculos da face, como se fosse uma máquina produzindo poemas, as veias do pescoço latejando, e quando ele terminava de recitar, ele tirava o chapéu e o jogava sobre o peito, exausto”, pormenoriza o professor do Departamento de Biblioteconomia da UFC Tadeu Feitosa, que conviveu com o poeta para desenvolver a tese transformada em livro Patativa do Assaré: a trajetória de um canto.
Patativa cadencia em versos a vida em si, e da vida ele tão bem sabia – afinal, “a dor só é bem cantada/ cantada por quem padece!” Agricultor desde menino, aprendeu a enxergar as belezas do sertão: “pra todo lado que eu óio/ vejo um verso se bulir”. No lirismo daquela avezinha cantora era recorrente a denúncia das condições precárias de vida de sua gente, acorrendo a explicações sociais para fundamentar que as injustiças não eram uma sentença partida do céu. “Ele teve uma sintonia mais fina para captar esse mal-estar, essa dor, essa angústia, esse anseio e ao mesmo tempo essa alegria que é de todos ali, os conterrâneos. Ele foi o grande porta-voz desses excluídos e o grande intérprete desse sentimento sertanejo”, pontua Gilmar.
E foi desse viés crítico que surgiu o nome Patativa pelo qual ele ficaria conhecido e ganharia todos os céus: ao criticar o então prefeito de Assaré, foi preso e, deparando-se com um pássaro também momentaneamente sem liberdade (em desacordo com sua essência), dispara: “Patativa descontente/ nesta gaiola, cativa/ embora bem diferente/ eu também sou patativa/ linda avezinha pequena/ temos o mesmo desgosto/ sofremos a mesma pena/ embora em sentido oposto/ meu sofrer e meu penar/ clamam a Divina Lei/ tu, presa para cantar/ e eu preso porque cantei”.
Além do livro da natureza, páginas preferidas de sua cabeceira, Patativa bicou também as folhas da literatura universal: com apenas quatro meses de escola formal, foi constante leitor dos clássicos e dos românticos. Ao se deparar com o Tratado de Versificação, dos parnasianos Olavo Bilac e Guimaraens Passos, passou a entender a métrica com que já trabalhava enquanto cravava a enxada na terra. “Patativa não se enquadra nos gêneros, nos estilos literários. Ele é uma mistura de tudo e ao mesmo tempo nada daquilo. Ele não se enquadra, ele não se deixa enquadrar, ele não quis se deixar enquadrar. Não é que ele seja inclassificável; é que não cabe, ele é maior”, dimensiona Tadeu.
A maior marca da poesia de Patativa é, sem dúvida, a sonoridade, um retorno à condição primeira da palavra falada. Aos 16 anos, ganhou a primeira viola, e por esse tempo andou pelas terras do sertão desenvolvendo sua melódica habilidade do improviso. E muitos dos seus ditos se dispersaram com o vento, sem chegar a ganhar o registro em papel. “O que a gente conhece é um pouco do Patativa. Ele era uma fonte, uma coisa corrente, ele não parava de fazer poesia, de improvisar, de brincar. O que ficou registrado foi muito pouco e é já um monumento. Imagina a dimensão exata que esse homem tem, em sua integridade”, calcula Gilmar. “Ele foi, na verdade, uma usina de poesia”.

Gravador? Que estás gravando?
Por Ria Lemaire, Centre de Recherches Latino-Américaines de l’Université de Poitiers

Assaré do Ceará, a praça, a casa do poeta. Um longo corredor escuro e, bem no final, uma luz suave que entra por uma porta com a metade de cima aberta. Aí, na cadeira de balanço, Patativa do Assaré passa grande parte do seu dia. Aí, o visitante senta-se para conversar. Apalpadelas iniciais, uma prosa hesitante, frases entrecortadas, até o momento em que o anfitrião Patativa decide se tornar poeta, declamar um dos seus poemas para dar a resposta certa à pergunta do visitante; para revelar-lhe um saber, uma verdade que só a fala rítmica, o verso, sabe exprimir, transmitir e guardar para a posteridade.
Uma voz de ancião, vinda do fundo do corpo, da alma e dos tempos, ergue-se, cresce, preenche o espaço da casa, junta-se àquelas outras Vozes que guiaram a humanidade no seu percurso sempre precário: a de Homero grego, a dos bardos celtas, a dos griots africanos, a dos profetas da Bíblia. E dissolvem-se o Tempo e o Espaço perante aquela imensa Voz poética, a de sempre e para sempre...
O presente livro nasceu nesse ambiente mágico da casa do poeta; nele se consignou um encontro de dois homens que representam, cada um, um mundo: o da oralidade de Patativa, o da escrita de Gilmar de Carvalho.
Mundo estranho, o da escrita que, tradicionalmente, só consegue conviver com a oralidade sob a condição de ela estar e ficar longe, tanto no tempo quanto no espaço da contemporaneidade: Homero, cego, metamorfoseado em primeiro “escritor” do mundo ocidental, os bardos, sonhados na ilha mágica, longínqua de Avalon, ou o griot africano transformado em objeto de pesquisa dos antropólogos!
A partir dessas vozes perturbadoras, uma vez confortavelmente classificadas nos seus espaços bem delimitados, os peritos dos séculos XIX e XX elaboraram um conjunto de preconceitos scriptocêntricos que lhes permitiram marginalizar a expressão literária, artística da oralidade contemporânea. Confinaram o seu estudo numa disciplina chamada folclore, desprezada, por sua vez, e geralmente excluída do discurso vigente das ciências humanas.
Ninguém melhor do que Gilmar de Carvalho, cearense, escritor, jornalista, dramaturgo, pesquisador radicalmente interdisciplinar dotado de uma sensibilidade excepcional, podia tornar-se o parceiro de Patativa neste confronto de dois mundos. Confronto que se transforma, no decorrer daquele memorável dia 15 de fevereiro de 1996, numa aventura humana, intelectual e poética, num lindíssimo diálogo de dois amigos — cúmplices. Juntos, eles abrem caminhos para formas inéditas de abordagem e de estudo da oralidade, da sua arte poética, da sua relação com a escrita e, ao abri-los, o poeta e o pesquisador tecem novos pressupostos críticos para uma revisão radical do discurso convencional sobre as tradições orais e populares.
São estas as paradas fundamentais que estão por trás do jogo que os dois parceiros se ofereceram e construíram juntos, um dia, há cinco anos, naquela casa de Assaré. Um jogo que trouxe os seus riscos: para o visitante, primeiro, que teve a coragem de questionar radicalmente os códigos da pesquisa acadêmica convencional. Essa que leva o pesquisador a instaurar com o seu “objeto” de pesquisa aquele tipo de relação cuja palavra-chave é distanciamento e que é, essencialmente, uma estratégia — desrespeitosa e muitas vezes violenta — para invadir o Outro, para tirar dele o máximo de informação, sem necessidade de retribuir o que é generosamente oferecido.
Riscos para o anfitrião, já desconfiado dessas práticas, consciente do perigo, preparado graças à sua inteligência e sabedoria, para não permitir que alguém abuse de novo da sua generosidade, da sua intimidade.
E o diálogo fez-se. Ao misturar poesia e prosa, aproximou um do outro os dois mundos, e gerou o livro — diálogo Patativa Poeta Pássaro do Assaré, em que, bem além das palavras que constróem o diálogo, além dos versos que revelam o talento do poeta, o leitor adivinha e às vezes entrevê o mundo fascinante que é o de Patativa do Assaré e que a escrita é incapaz de transcrever, de registrar na sua riqueza e complexidade, como o próprio poeta o sugere sutilmente:

Gravador, que estás gravando
aqui no nosso ambiente?
Tu gravas a minha voz,
o meu verso e o meu repente,
mas gravador, tu não gravas
a dor que o meu peito sente.


Romaria do eu: o orto de Gilmar de Carvalho

Referência obrigatória em se falando das chamadas culturas populares, Gilmar de Carvalho — hoje doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com tese sobre a construção do ícone Padre Cícero, relata o processo decorrido até chegar ao interesse de uma vida toda pelas tradições do Nordeste. O primeiro contato com a obra do Patativa, por exemplo, se deu aos 25 anos, com o livro Cante lá que eu canto cá. “Confesso que não me encantei. Eu era muito novo, muito pedante, muito urbano, tinha outros valores, outra visão de mundo, referenciais mais cosmopolitas”, compara, num sutil lamento pela falta de sensibilidade daquela que seria apenas uma primeira impressão.
Tudo mudaria de forma definitiva em uma viagem feita em 1976 a Juazeiro do Norte, acompanhando um amigo carioca que insistia em conhecer a cidade. À época, Gilmar era publicitário formado em Comunicação Social pela UFC e já conhecido de Stênio Diniz, herdeiro da Tipografia São Francisco, editora de cordéis em Juazeiro. Foi levado para conhecer aquela gráfica com cheiro forte de tinta, foi levado pelo encanto do “range-range onomatopaico das máquinas”, do acabamento dos folhetos feitos em máquina de costura. Lá fora, estavam o mercado, os pregões, as pessoas.
Voltou para Fortaleza com 90 cordéis, uma igrejinha de espelhos recortados, um Padre Cícero em madeira. A impressão mais forte, entretanto, tinha trazido na certeza do encontro e do deslumbramento por um universo que passaria, desde então, a ser também dele. — Lucíola Limaverde e redação

 

 

Forma, conteúdo e novos projetos

Gilmar de Carvalho revela aqui suas influências intelectuais, fala sobre publicidade e conta o que está por vir.
1 Quais as suas influências literárias?
Gilmar de Carvalho. Clarice Lispector, James Joyce e Guimarães Rosa: gente que eu admiro. O que eu gostaria de ter sido, se continuasse na ficção.

2Onde você bebeu?
Gilmar de Carvalho. Bebi na tradição popular. Ouvia histórias de minha madrinha Dadá, que cantava a Nau Catarineta e o bendito “Maria Valei-Nos” para me embalar. Sempre acreditei nas artimanhas do narrador. Scherazade para mim foi alguém presente e próximo. Gosto da ideia das narrativas em novelos. Relatos que se emaranham e que nos livram do labirinto. Gosto da ideia da narrativa como salvação (da vida).

3 E a publicidade? Como foi a experiência?
Gilmar de Carvalho. Foi maravilhosa. Me deu a ideia de síntese. Aprendi a ir direto ao que interessa, sem arrodeios.
A publicidade me deu a noção de convivência com as mídias e a eficácia da argumentação sedutora e eficaz.

4 Projetos?
Gilmar de Carvalho. Um livro sobre xilo (Memórias da Xilogravura) para 2010. Uma coletânea sobre cordel.
Um relato das viagens pelo interior, com o fotógrafo Francisco Sousa, em homenagem aos 150 anos da Comissão Científica de Exploração. Uma viagem a Portugal para ver as matrizes lusas de nossos folguedos, culinária e crenças. Para isso, preciso vender minha coleção de folhetos [3 mil títulos, 11 mil exemplares] de cordel.

 

Ao Dr. Gilmar de Carvalho
Por Patativa do assaré — Poema inédito em homenagem a Gilmar de Carvalho

Doutor Gilmar de Carvalho,
Eu gostei do seu trabalho,
Estou bastante feliz,
Com a pena milagrosa
Você retratou em prosa
Tudo o que em versos eu fiz

Sua honrosa reportagem
Merece a minha homenagem,
Porque vejo o bom amigo
Com seu trabalho distinto,
Sentir aquilo que eu sinto,
E acreditar no que eu digo

Vejo que o grande escritor
É grande pesquisador
Que acerta e nunca se engana,
Naquelas eras passadas
Andou nas minhas pegadas
Lá na Serra de Santana

Por Jesus predestinado,
Depois de ter estudado,
Cursos e mais cursos fez
E foi da Universidade
Falar da simplicidade
De um poeta camponês

Um poeta agricultor
Que só teve um professor,
O Santo e Divino Mestre,
Com a lição soberana
Nesta Serra de Santana,
Meu paraíso terrestre

Quando ouvi a sua escrita
Bem verdadeira e bonita,
Fiquei de tudo bem certo,
Por onde Deus me guiava
Você também caminhava
Me observando de perto

O que o amigo escreveu
Bastante me comoveu,
Me fez até recordar
A sensação que eu sentia
De alegria quando ouvia
A passarada cantar

Você me fez renascer
E eu preciso agradecer
Com a simples poesia
De um poeta de mão grossa
Que sempre tirou da roça
O seu pão de cada dia

Vejo que por sua vez
Retratou um camponês,
Um caboclo do roçado
Que com sentimento nobre
Cantou defendendo o pobre
Que vive subordinado

Tudo o que disse o amigo
No seu precioso artigo
É uma pura verdade,
Me veio até a lembrança
Do meu tempo de criança
Aos setenta anos de idade

De tudo o amigo falou,
Vejo que nada faltou,
Além do tema rural,
Falou até sobre a crítica
Que eu fazia da política
Na campanha eleitoral
Porém não vou tratar mais
De currais eleitorais,
De palanque e de eleição,
Não vou entrar nesse assunto
Não quero arrancar defunto
Pra fazer assombração

Disse a verdade real,
Vou fazer ponto final
E quero neste momento
Para cumprir meu dever
Com amor oferecer
O meu agradecimento

Tenho oitenta e nove anos
Mas não mudei os meus planos,
A lucidez e a noção,
Tudo quanto é bom me inspira
Receba da minha lira
O papel de gratidão