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Economia

Bloomberg + Businessweek
Michael Bloomberg, prefeito de Nova York e um dos homens mais ricos dos Estados Unidos, com fortuna de US$ 17,5 bilhões, segundo estimativa da revista ‘Forbes’ comprou a BusinessWeek, da McGraw-Hill

Mesmo em tempo de crise, Michel Bloomberg, o prefeito de Nova York, continua ampliando seus negócios. Depois de três meses de negociações com diferentes candidatos à compra, a editora McGraw-Hill formalizou no dia 12 de outubro a venda da revista BusinessWeek por cerca de US$ 5 milhões para a agência de notícias Bloomberg, fundada por ele em 1981. A revista, lançada há 80 anos, é um ícone do jornalismo econômico no mundo e uma das pérolas da coroa do neoliberalismo.
Mas em 2008 amargou enormes perdas. O prejuízo foi de US$ 43 milhões e projetando perdas de outros US$ 60 milhões para este ano. A agência Reuters e o grupo ZelnickMedia, tentaram comprá-la, mas Bloomberg foi mais sedutor.
A BusinessWeek tem hoje 900 mil assinantes, o que dá a Bloomberg uma base para concorrer também no mercado de publicações impressas com seus principais rivais, o “The Wall Street Journal” , de Rupert Murdoch e o grupo Barron’s, que tem parte da revista “SmartMoney”. Mas a compra da “BusinessWeek” deve ter ao menos uma consequência imediata: já se fala na redução de 20% de sua equipe.
Os novos donos têm um plano: irão investir em produtos editoriais na BusinessWeek que, provavelmente, será rebatizada de Bloomberg BusinessWeek, na expectativa que os leitores e, por consequência, os anunciantes os sigam. “Finalmente vimos que você consegue ter uma rentabilidade através de um produto melhorado, tais quais nossos recursos nos permitem fornecer, que é fundamentalmente, tanto online quanto impresso, mais atrativo para os leitores, espectadores e publicitários” disse ao jornal Advertising Age Daniel L. Doctoroff, presidente da Bloomberg.

Mais e melhor.
“Ele [o plano] começa com a criação de uma grande revista”, disse Norman Pearlstine, gestor de conteúdo da Bloomberg, que está se tornando o presidente da BusinessWeek. “Existem muitos talentos na BusinessWeek que podem fazer isso. Mas eles têm certeza que o recurso estava sendo limitado nos últimos anos por causa do modelo de negócios que eles tinham.”
Para melhorar e dinamizar a produção editorial da BusinessWeek, os novos proprietários planejam aumentar o número de páginas editoriais em cada edição, explorando os 2.200 jornalistas existentes na Bloomberg.
“Nós achamos que, dado o alcance global e os valores disponíveis para nós na Bloomberg, associados com a BusinessWeek, nós podemos fazer uma grande revista” avalia Pearlstine em entrevista. “Se nós fizermos isso, nós seremos recompensados pela procura do consumidor e consequentemente, da publicidade”.
E não é só o anúncio o carro chefe da Bloomberg, eles também estão de olho na melhor circulação da economia, a prioridade que tantas editoras de revistas têm dado à caça desesperada pelos dólares dos anunciantes. “Nesse momento, o preço da assinatura anual é de US$ 35” informa Doctoroff. “Já o da The Economist é US$ 106. Nós temos que melhorar o produto e fazer a BusinessWeek corresponder à isso”.
Isso não quer dizer que a Bloomberg vai ignorar a chance de vender anúncios em seus produtos recém-combinados face a seus consumidores, “A outra oportunidade existente é online, entre os dois sites Bloomberg.com e BusinessWeek.com. Nós teremos cerca de 8 milhões de acessos, o que significa mais do que qualquer outro portal de negócios ou finanças” disse Doctoroff. “O mais interessante é que os sites não apresentam nenhuma sobreposição de anunciantes e quase nenhuma em relação aos visitantes. Essa é a grande oportunidade” completa.
O novo dono também pode enxugar custos mudando a BusinessWeek para os nove andares vagos na sede da Bloomberg. Além isso, os encargos da empresa agora sob o domínio da Bloomberg serão menores do que na época de McGraw Hill.
Não há nenhuma previsão de quando será feita a transformação de BusinessWeek para a Bloomberg BusinessWeek, mas tudo indica que isso será feito rapidamente. “Não é um projeto para ser feito da noite para o dia” disse Pearlstine, “Achamos que há realmente um nicho para uma revista semanal com alcance global dedicada aos negócios. Se você conseguir esse direito, você terá o tipo de circulação que você quer e o tipo de retorno que você está procurando”.

  • Jim Spanfeller, ex-Forbes Digital, que recentemente começou a sua própria consultoria de mídia, disse que a aquisição não irá alterar, pelo menos de imediato, o jogo para os anunciantes. “Eu não acho que haja um impacto imediato em todos os anunciantes”, disse ele. “Mas daqui para frente poderá haver.”