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Economia

FMI. O Brasil agora é sócio
O Brasil passa a ser oficialmente, pela primeira vez, na história, à condição de credor do Fundo Monetário Internacional, com a compra de US$ 10 bilhões em bônus. Isso implica em poder e prestígio internacional

Agora é oficial. O Brasil é credor do Fundo Monetário Internacional. O Brasil vai adquirir US$ 10 bilhões em bônus do Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo anúncio do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na Turquia. Após a revisão, o acordo será encaminhado à Diretoria Executiva do fundo para aprovação. Pela primeira vez, na história, o Brasil passa à condição de credor do FMI, em vez de devedor.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Fazenda, no encontro que teve com o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, o ministro oficializou a decisão de assinar um Acordo de Compra de Notas (ACN) com à instituição, faltando apenas o envio a instâncias técnicas do governo para a revisão final.
Ao mesmo tempo, o Fundo Monetário Internacional rejeitou a proposta do ministro Guido Mantega de transferência de 7% das cotas e do poder de voto às economias emergentes e em desenvolvimento. Continua a fórmula escolhida na conferência de cúpula do Grupo dos 20 (G-20) realizada em Pittsburgh: “pelo menos 5%”, sem indicação de um número preciso.
Em abril deste ano, o FMI convidou o Brasil a fazer parte dos países credores da organização multilateral e o governo brasileiro aceitou a proposta. Na ocasião, Mantega antecipou que durante reunião do G20, em Londres, naquele mês, ficou combinado que os países “mais fortes, os que têm recursos disponíveis” dariam aportes de forma que o fundo obtivesse mais US$ 500 bilhões para poder ajudar os países em dificuldade.
Dois meses depois do convite, Mantega ressalta que em meio à maior crise econômica desde a Grande Depressão dos anos 1930, além de não precisar de apoio financeiro do FMI, o Brasil está em condições de emprestar um montante expressivo de recursos à instituição.
O documento registra ainda que o ACN é parte da decisão de ampliar a capacidade de empréstimo do FMI, conforme acordado pelos líderes do G20. Com esse objetivo, diversos países (Japão, Canadá, Noruega, França, Reino Unido, Alemanha, Suíça, Espanha e Países Baixos) já concluíram acordos bilaterais de empréstimo, aprovados pela Diretoria do fundo. No caso do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), a opção foi pela modalidade de compra de notas. O acordo com o Brasil terá duração de dois anos.

Crise na Europa.
No plano mundial, o Fundo Monetário Internacional demonstra preocupação com a crise. Os líderes do G20 manterão as políticas de estímulo no momento, enquanto a crise persiste, apesar de recentes sinais positivos em algumas economias, disse o diretor-gerente Dominique Strauss-Kahn, do FMI.
“Na Europa, sobretudo na França, o crescimento vai voltar, mas o desemprego continuará. Então, desse ponto de vista, obviamente não podemos dizer que a crise ficou para trás”, comenta Strauss-Kahn.
“Eu acredito que a tendência seja boa. Os ministros das Finanças entenderam que a crise significa que continuaremos a dar suporte à economia, que não pararemos agora.”

  • A balança comercial iniciou outubro com reversão do saldo negativo registrado nas duas últimas semanas de setembro. Na primeira semana, com apenas dois dias úteis, o superavit comercial foi de US$ 415 milhões, com exportações de US$ 1,427 bilhão.