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Economia

Desenvolvimento Humano
Brasil, 75o. lugar na lista

O Brasil continua na 75º posição no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), que inclui 182 países, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Noruega, em primeiro

O Brasil permaneceu em 75º lugar no ranking do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), que inclui 182 países. Segundo o documento divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Brasil obteve nota 0,813 — numa escala que vai de 0 a 1, em que 1 representa o desenvolvimento absoluto — e ficou entre os países com nível de desenvolvimento alto. A divisão vai de nível baixo a muito alto.
A Noruega está em primeiro lugar na lista, com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,91. A última posição ficou com o país africano Níger, com 0,340.
A posição brasileira se manteve estável de 2006 para 2007, ano em que os dados do relatório divulgado se baseiam. Entre os cinco países que se destacaram por subir três ou mais posições no período, três são sul-americanos: Colômbia, Peru e Venezuela.
Os outros dois são a China e a França, que voltam a figurar na lista dos dez primeiros. O progresso desses países, segundo o relatório, está relacionado a melhorias na educação, expectativa de vida da população e nos rendimentos médios per capita.
O Relatório ressalta ainda que os dados revistos desde 1980 mostram avanços no IDH dos países, que subiu em média 15%. Os progressos foram verificados principalmente em educação e saúde, mas a desigualdade de renda ainda persiste. Essas tendências devem ser analisadas mais profundamente no próximo ano, quando o relatório completará 20 anos.
A última lista divulgada pelo Pnud continha 179 países. Com o aumento para 182 e a revisão da metodologia feita pelo programa, o relatório recomenda que os dados divulgados em 2009 não sejam comparados aos de anos anteriores. Relatório divulgado no ano passado informava que o Brasil ocupava a 70ª posição no ranking. Mesmo passando para a 75ª, a sua colocação foi considerada inalterada pelo relatório em função dessas revisões. — Mariana Jungmann, ABr

Migração para países ricos traz melhorias de vida, mostra relatório
Rendimentos 15 vezes mais elevados, escolaridade duas vezes maior, taxa de mortalidade infantil 16 vezes menor e mais acesso à saúde, são alguns dos benefícios que a migração traz para trabalhadores que mudam de países em desenvolvimento para nações ricas em todo o mundo. A conclusão está no estudo Ultrapassar Barreiras: Mobilidade e Desenvolvimento Humanos, que faz parte do Relatório de Desenvolvimento Humano 2009, divulgado hoje (5) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
“O relatório entende migração como um direito humano. As pessoas migram em busca de uma vida melhor”, ressaltou o coordenador do relatório no Brasil, Flávio Comim.
No Brasil, a taxa de migração interna é de 10,1%. A taxa de emigração, ou seja, de brasileiros que vão para o exterior, é de 0,5% e tem se mantido estável, segundo Comim. Já a taxa de imigração, que se refere a pessoas que vêm de outros países para o Brasil, tem caído e atualmente é de 0,4%.
Em 1960, havia 1,3 milhão de imigrantes no Brasil. Atualmente esse número é de 686,3 mil pessoas. O relatório não explica o que motivou a queda no número de estrangeiros morando no Brasil.
Segundo o coordenador do relatório, a maior parte da migração ocorre internamente e não entre países. Há cerca de 1 bilhão de migrantes em todo o mundo, dos quais 740 milhões mudam de cidade em um mesmo país.
As pessoas pobres, segundo o relatório, são as que mais se beneficiam com o processo migratório, mas também são as que mais sofrem com os obstáculos impostos por ele. Em geral, elas fogem de desastres naturais, regiões em conflito ou da pobreza, e, com isso, ficam mais expostas aos riscos da migração, como o tráfico de pessoas. A assistência à saúde e o acesso à educação são os principais motivos da mudança, acima, inclusive, dos salários mais elevados.
Os altos custos financeiros da mudança acabam propiciando a migração irregular, o que expõe ainda mais os imigrantes às pressões dos países de destino. “Isso é um ponto importante. Existe muita desigualdade nas oportunidades que são dadas para pessoas com diferentes níveis de habilidade. É possível perceber que, daqueles lugares onde o IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] é muito baixo, a migração resulta num diferencial de renda muito maior do que para aquelas que migram de um país onde o IDH já é alto”, afirma Comim.
O relatório sugere que os países facilitem o acesso dos imigrantes a documentos e à regularização, para promover o acesso dessas pessoas a serviços de assistência social e de saúde. Segundo o coordenador, o objetivo do relatório não é estimular a migração para países ricos, mas buscar a formalização das pessoas que vivem nessas nações. “A motivação das pessoas não vai deixar de existir enquanto você tiver diferenciais de qualidade de vida. A questão é que elas podem continuar se movimentando em condições humanas ou subumanas”, avalia.