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Política

Deu no The New York Times
Jornal americano cita caso de censura na imprensa brasileira e mostra como a América Latina vem sofrendo censura e restrições por parte dos governos de seus países. O caso brasileiro é o do jornal O Estado de S. Paulo, proibido de publicar informações sobre as investigações contra Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e investigado pela Polícia Federal

Numa democracia robusta não há a necessidade de defender a liberdade de imprensa porque simplesmente não entra na cebaça de ninguém a idéia de limitá-la, de alguma maneira. A idéia, transposta pelo maior escritor italiano vivo, Umberto Eco, em recente ensaio, não se aplica ao Brasil. Há aqui, em andamento, um hediondo caso de censura à imprensa perpetrado por renomado membro da família Sarney.



Para The New York Times a censura ao jornal O Estado de S. Paulo é um dos símbolos do retrocesso da liberdade de imprensa na América Latina. Desde o dia 31 de julho, o jornal e o portal estadao.com.br estão impedidos de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica, desencadeada pela Polícia Federal e que envolve Fernando, filho do senador José Sarney. Além de Fernando Sarney sua mulher Teresa Murad foi indiciada pela PF por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e por operar instituição financeira sem autorização. Fernando Sarney é o responsável pelos negócios da família no Maranhão. Ele figura com Teresa e com a filha, Ana Clara, como sócio das empresas do grupo, investigadas por suspeita de transações financeiras ilegais no Estado.
“Para a família de José Sarney, presidente do Senado brasileiro, a enxurrada diária de reportagens sobre nepotismo e corrupção envolvendo seu nome não dava para aguentar” escreve o correspondente do NYT, Alexei Barrionuevo sobre a tentativa de Fernando Sarney para bloquear as reportagens do jornal paulista. A proibição da publicação de textos referentes ao caso acabou sendo autorizada pelo desembargador Dácio Vieira.
A reportagem “Jornalistas latino-americanos enfrentam nova oposição”, enfatiza que censura ao jornal O Estado de S. Paulo exacerbou o fato de que em governos populistas da América Latina “juízes continuam se curvando aos poderosos para censurar jornalistas”. O The New York Times cita o cerco aos veículos de comunicação na Venezuela, como exemplo. “O que está ocorrendo na Venezuela pode ser visto em outras partes da América Latina”, diz Carlos Lauría, coordenador do comitê para proteção de jornalistas. O NYT diz que líderes da América Latina têm restringido a cobertura crítica da imprensa e veem a mídia como o grande inimigo.
No começo de agosto, o New York Times já havia tratado do tema Sarney. Acreditava que o escândalo provocado pelas denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney, paralisaria o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
“O líder do Senado do Brasil está sob forte pressão para renunciar em meio a um escândalo de nepotismo e corrupção que ameaça paralisar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o último ano do seu mandato”, afirma a reportagem.

Na prática, o que se viu, foi um sufocamento da crise pela força, com uma intervenção branca do Palácio do Planalto junto à bancada do PT. Até mesmo o senador Aloízio Mercadante, líder do Governo no Senado, foi desautorizado. E Sarney saiu ileso no Conselho de Ética onde todas as denúncias contra ele foram rejeitadas. A melhor tradução para esta crise interna no PT foi dada pelo jornal Correio Braziliense, um dia após a votação no Conselho de Ética, “Estrela Estilhaçada. O arquivamento das denúncias, no dia 19 de agosto, confirmou tendência anterior. O senador Paulo Duque (PMDB-AP), presidente do Conselho, já havia rejeitado as denúncias, mas houve recurso ao plenário do colegiado.
Lula bancou a continuação da aliança com o PMDB de Sarney para manter a “maioria magra” no Senado mas, principalmente de olho em 2010, onde o papel do partido será fundamental para potencializar a candidatura Dilma Rousseff.