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Editora Abril
É MAIS QUE UM CARTEL

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Em suas revistas de informação como Veja e Exame a Editora Abril defende o livre mercado, a concorrência limpa sem os truques do dumping ou da cartelização — dois crimes contra a economia popular. Na prática, ele quer dominar o mundo
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A EDITORA ABRIL, que edita revistas como Veja, Exame e Playboy é reconhecida pelo seu grau de excelência editorial e pelo domínio de uma incrível logística de distribuição, dentre outras coisas. Mas, nos últimos meses, uma atitude da empresa tem chamado a atenção do mercado, principalmente dos pequenos editores. A Abril, que já é dona da distribuidora Dinap, a maior do setor no Brasil, comprou a principal concorrente, a Fernando Chinaglia, formando claramente um monopólio e acendendo ao sinal vermelho no mercado, principalmente junto a quem edita publicações concorrentes e depende de distribuição para chegar ao ponto de venda.
Há claramente uma concentração enorme de poder, embora os sábios do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) não vejam isto. Assim, no dia 26 de agosto, o Cade, aprovou por unanimidade a aquisição da Fernando Chinaglia Distribuidora, pelo Grupo Abril.
A fusão foi anunciada em setembro de 2007, com o objetivo de unificar logística e distribuição. Desde então, o Cade analisava o negócio. No dia 26 de maio deste ano, o Cade havia recomendado a rejeição do negócio, temendo uma concentração no setor de distribuição de revistas e publicações.
A Dinap — Distribuidora Nacional de Publicações —, do Grupo Abril, detém cerca de 70% do mercado, e a Fernando Chinaglia 30%. A transação manteve administração e operações das duas empresas funcionando separadamente. A quem as distribuidoras darão preferência na distribuição? À revista Veja, da Abril, ou às suas concorrentes IstoÉ, Época ou CartaCapital?
O gosto pelo monopólio é tão grande na Abril que redes de supermercados só distribuem revistas daquela editora, por força de contrato.
O Grupo Abril assegura que manterá sua política de não-exclusividade no serviço de distribuição de revistas para pontos de vendas, sejam distribuidoras regionais ou editoras. Douglas Duran, vice-presidente de Finanças e Controle do Grupo Abril, diz que a resolução do Cade favorece o mercado como um todo.
Mesmo com restrições do Cade que proibe as distribuidoras de privilegiarem as revistas da Abril, há claramente uma concentração enorme de poder nas mãos daquela editora.
A fusão entre Dinap e Chinaglia é um risco à democratização do setor. Para Renato Rovai, editor da revista Fórum, distribuída pela Chinaglia, se todo o mercado de distribuição se concentrar nas mãos de uma única empresa, cria-se um “risco grandíssimo” de que ele seja manipulado. “Sempre fizemos críticas à Veja. Será que a empresa da Abril vai continuar distribuindo nossas revistas?”, questiona Rovai. |
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