
PROJETO DE PODER
Siglas como PRTB, PSL, PRB, tem como clara estratégia ampliar o número de filiados com potencial eleitoral. Querem eleger o maior número de deputados e, ao mesmo tempo, aumentar também o valor dos recursos recebidos via fundo partidário, que é distribuído conforme a composição da Câmara. Uma estratégia comum a todos os partidos. |
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Como sempre na história política do país, os partidos pequenos tiveram sua parcela significativa no processo eleitoral, seja nas disputas majoritárias ou proporcionais. E no caso do Distrito Federal nunca foi e nem será diferente. Os “pequenos” terão papéis definitivos nas eleições de 2010. Parte deles sonha em alçar vôo solo nas proporcionais, mas, não conseguirá escapar das coligações nas majoritárias. Por um simples fato: quadros políticos. Os poderosos nomes tradicionalmente disputam por siglas de grande porte.
As próximas eleições trarão algumas surpresas para as grandes siglas, por parte das pequenas. O Partido Trabalhista Nacional (PTN) entrou em ritmo acelerado de filiação. O momento para o partido é de reavaliação |
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de quadros e busca por nomes que agreguem votos à legenda. O presidente do PTN-DF, Abdon Henrique de Araújo, não pretende se coligar com nenhum outro partido no pleito proporcional, apenas no majoritário – presidente, vice-presidente, governador, vice-governador, prefeito e senador. A legenda abriga em torno de cinco mil filiados, ou seja, cinco mil votos. A idéia é lançar de 30 a 35 candidatos à Câmara Legislativa e 12 à Câmara dos Deputados. As coligações majoritárias ficarão para uma conversa mais à frente, pois segundo o presidente, ainda falta um ano para as urnas.
O presidente do Partido Trabalhista Cristão do Distrito Federal (PTC-DF), Divino Omar do Nascimento, está com a chapa de candidatos a deputado distrital fechada. São 48 novos nomes, entre médicos, universitários, professores e até lutadores de vale-tudo. Mas, Divino garante que os nomes foram estudados e os candidatos entrevistados. “Queremos eleger, pelo menos, um deputado distrital. E todos os nomes foram selecionados”, disse Divino. O raciocínio do presidente resulta em uma conta matemática, onde o partido elegerá um deputado distrital com quatro mil votos. A chapa de concorrentes a deputado federal está quase pronta, restando apenas alguns bons nomes. “Para federal lançaremos 16 candidatos”, ressaltou.
No campo das coligações, os “pequenos” trarão surpresas. Nenhum deles vai se coligar para disputas proporcionais no Distrito Federal. A explicação de Divino é bem simples. “Queremos renovar. Se eu coligar com partido grande, vou eleger deputados que já estão lá há dois ou três mandatos”, alfinetou.
Para o PTC-DF, as conversas com os campos majoritários estão bem encaminhadas. A sigla sentou-se há algumas semanas, com o ex-governador, Joaquim Roriz (PSC-DF), de onde saíram encaminhamentos proveitosos. Mas, tudo no seu tempo, ainda falta o governador Arruda (DEM), e o candidato do PT, Agnelo Queiroz. A decisão só será tomada em junho de 2010.
O recém-filiado ao Partido Social Cristão (PSC), deputado federal Laerte Bessa, adianta que a legenda se fortalecerá no Distrito Federal, com as caravanas de filiações realizadas pelo ex-governador do DF Joaquim Roriz (PSC-DF). A sigla, em âmbito regional, pretende manter coligações com partidos menores. Até o momento, Roriz fechou nove alianças para 2010.
O líder nacional do PSC, deputado federal Régis de Oliveira (SP), afirmou que ainda não há nenhuma definição. “Não fomos chamados por ninguém para dialogar em nível nacional, nem nos estados. Tem muito palpite, mas falta conversa”, disse. Atualmente, o PSC conta com 16 deputados federais e um senador. No DF, a idéia é reeleger o deputado federal Laerte Bessa, e mais um. Em nível nacional, entrar o ano de 2011 com pelo menos 30 deputados federais, ou seja, triplicar o número atual, segundo Régis de Oliveira. Em São Paulo, uns dois ou três deputados estão na previsão do líder.
Em Brasília, o deputado esteve com Roriz, algumas vezes. “Ele está se preparando. As expectativas são boas, creio que ele tem chances reais de vencer”, analisou. Mas, o momento é ideal para dialogar com todos, em todas as esferas, segundo Régis.
A surpresa do partido para o ano que vem será a eleição de mais um senador, além de Mão Santa (PI). Segundo Régis, o deputado federal do Sergipe, Eduardo Amorim, deve sair candidato ao Senado. “Ele é muito forte no Estado, temos confiança nele”, disse.
Para o consultor político da Expressão Brasil Marketing Político, Armando Uema, existem dois fatos para explicar o sobressalto das pequenas legendas: uma, o presidente Luís Inácio Lula da Silva acabou com a ideologia partidária e o enfraquecimento dos grandes partidos. As fortes lideranças regionais contribuíram para o agigantamento dos pequenos, a exemplo da senadora Marina Silva, no Acre.
Quanto às surpresas esperadas por esses partidos, em todos os níveis, Armando acredita apenas nas regionais. “Nos Estados teremos grandes mudanças por causa das figuras políticas. O presidente Lula centralizou a figura política e isso ajudou os pequenos partidos”, explicou.
Disputa nacional. No palco nacional, a disputa deve seguir tradicionalmente polarizada, entre PT-PMDB e PSDB. Mas, especificamente em 2010, algo interessante deve ocorrer, na visão do consultor. “Lula não transfere voto para outro candidato e a ministra Dilma Rousseff não absorverá também o eleitorado”, frisou.
O que já é diferente em Brasília. “Roriz transfere votos, como transferiu para sua filha, Jaqueline Roriz”, disse. Para o consultor, no Distrito Federal, o próximo ano trará novidades no teatro político candango.
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Caso PMDB. O diretório regional do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB-DF) perdeu seu maior símbolo de referência, o ex-governador Joaquim Domingos Roriz, um dos fundadores do partido. A decisão veio durante a reunião da Executiva Nacional em tentar resolver o impasse entre Roriz e o presidente da legenda regional, deputado federal Tadeu Filippelli. Tudo começou quando Filippelli negou-se ( de maneira velada, evitando as discussões) em dar legenda ao ex-governador para concorrer ao Buriti ,em 2010, e direcionou o partido para a base de apoio do governador do DF, José Roberto Arruda (DEM). Filippelli, supostamente, negociou a legenda com Arruda em troca de apoio para concorrer ao Senado Federal.
Em discurso de despedida, Roriz lamentou ter sido preterido, mas garantiu que seu nome estará na disputa pelo GDF, independente de legenda. Até porque, por si só, Roriz já é uma legenda. O ex-governador anunciou que nove partidos da cidade prometeram uma coligação para o ano que vem. Atualmente, o ex-governador está filiado ao nanico PSC, na esperança de repetir o feito das eleições de 1990, quando se elegeu pelo PTC.
O companheiro de Bessa e aliado de Roriz, deputado federal Marcelo Melo (PMDB-GO), considerou inaceitável essas manobras de bastidores e lamentou que o diretório local tenha cavado a própria sepultura. “Sem Roriz, não existe PMDB-DF”, ressaltou Melo.
O ex-governador assegura estar vivendo um drama interno. Está triste por deixar o partido, |
| mas, feliz por estar convicto que voltará ao governo. Roriz culpou Filippelli pelo ocorrido e declarou que aliança com o deputado será impossível. Marcelo Melo não vê saída para a legenda, a não ser encolher. “Acredito que o partido não fará deputado federal nem distrital no ano que vem. Não tem mais nome que puxe voto”, explicou. |
Os dez mais. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) publica anualmente os deputados e senadores mais influentes do Congresso Nacional. O órgão, através de um criterioso processo de estudo, escolhe os 100 mais influentes. Posteriormente, os próprios 100 parlamentares escolhem os 10 mais influentes, dentre os listados. Na lista dos 100, alguns partidos pequenos marcam presença com alguns representantes: os deputados federais Chico Alencar (Psol/RJ) e Régis de Oliveira (PSC-SP) e o senador José Nery (Psol) do Pará.
ENTREVISTA Joaquim Roriz
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Rejuvenescido e com todo gás. Foi assim que Joaquim Roriz recebeu a equipe de Fale! Brasília e concedeu a seguinte entrevista:
Fale! Brasília. Quais as expectativas no PSC-DF para 2010?
Joaquim Roriz. A expectativa do PSC é a melhor possível. Em apenas um mês de campanha de filiação conseguimos milhares de novos filiados em Brazilândia, Planaltina e Itapõa. No próximo ano, vamos disputar as eleições em todos os níveis. Teremos candidatos a governador, senador, deputado federal e deputado distrital. Queremos fazer aliados com partidos como PMN, PSDC, PTdoB e PRTB e outros, a maior bancada na Câmara dos Deputados e na Câmara Legislativa. |
Fale! Brasília. Como o senhor vai trabalhar com o eleitorado a partir de agora? O discurso deve mudar?
Joaquim Roriz. Ainda não posso falar que sou candidato ao governo porque as leis do meu país me impedem e eu respeito as leis. Vou continuar participando, como militante do PSC, da campanha de filiação, sempre reafirmando o meu compromisso com aqueles que mais precisam, que são os pobres.
Fale! Brasília. O PSC deve trazer alguma surpresa para o DF, em termos de aliança, coligação?
Joaquim Roriz. Ainda é muito cedo para falar de alianças e coligações para 2010. Todos os partidos dependem muito das coligações nacionais. É preciso, primeiro, que haja essa definição para depois discutirmos a nossa situação aqui em Brasília.
Fale! Brasília. Quais são as estratégias para trabalhar agora, com um partido com menos tempo de TV? Isso pode influenciar no resultado final da campanha?
Joaquim Roriz. Vamos trabalhar para ampliar o tempo de televisão e rádio. Mas conto com a minha história política em Brasília. Fui governador por 14 anos, conheço a cidade e seu povo, e acredito que eles me conhecem. Sabem que, aquilo que prometo, eu cumpro. As pessoas sabem da minha vida política. Além disso, se for eleito, superarei todos os governos anteriores, inclusive os meus.
Fale! Brasília. Em 1990, contra tudo e contra todos, o senhor conseguiu se eleger governador por um partido pequeno e repleto de alianças, levou 12 deputados distritais enquanto o PMDB fez, na época, apenas dois. Pretende fazer uma campanha como a de 1990, em 2010?
Joaquim Roriz. Esse é o meu objetivo. Vou lutar por isso.
Fale! Brasília. Ainda dá tempo de conquistar novos aliados? Como o senhor pretende fazer isso, trazer para o seu lado pessoas que hoje estão de lados opostos?
Joaquim Roriz. Os aliados, dentro de uma proposta de governo, sempre é bom contar com eles. Mas quero pessoas honradas, pessoas que me ajudem a fazer o melhor governo de todos. Estou conversando com diferentes partidos e políticos, sempre discutindo o futuro do Distrito Federal, mesmo aqueles que no passado foram adversários. Sou um homem aberto ao diálogo, sempre fui, em todas as minhas administrações. Então, vamos conversar com todos aqueles homens de bem, que amam Brasília e seu povo, como eu amo. |
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