O SERTÃO VAI VIRAR MAR?
Em viagem de três dias por quatro estados do Nordeste para vistoriar as obras de revitalização e integração do Rio São Francisco, o presidente Lula posa com Ciro, Dilma e Aécio e faz o seu melhor, política.
Na maratona empreendida pelo presidente Lula em várias cidades do nordeste, a política teve seu momento privilegiado. Com a ministra da Casa Civil Dilma Rousseff a tiracolo, Lula abriu espaço para o ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes e para o Governador de Minas Gerais, Aécio Neves, todos os três de olho na cadeira presidencial que deve ter ocupante novo em 2010. “Gosto igual dos dois [Ciro e Dilma]. Eles têm vocação para cantores solo”, disse Lula, admitindo pela primeira vez, em público, a pré-candidatura de Ciro Gomes, por muitos considerado o seu plano B, numa hipótese de a ministra Dilma não decolar nas pesquisas eleitorais.
Sobre as obras no São Franciso, cobrou do atual ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. “Nós vamos entregar o eixo leste da obra ainda em 2010 e deixar o eixo norte como uma obra irreversível, seja quem for o sucessor do presidente Lula”, disse ele.
Filiado ao PMDB da Bahia, estado governado pelo petista Jaques Wagner, Geddel lembra que “infelizmente a questão sucessória se adiantou muito em nível nacional, o que cria uma certa angústia sobre as relações nos estados”. Mas ele assegura que será buscada uma “definição de como seria esse andamento entre o PT e o PMDB em nível nacional para que se comece discutir nos estados.”
Rompidos na Bahia PT e PMDB não negociam. O ministro Geddel, pré-candidato do governo da Bahia pelo PMDB, classificou de “medíocre” a gestão do petista Jaques Wagner, que tentará a reeleição. “É melhor ter um adversário leal do que um aliado traidor”, retruca Jaques Wagner.
No sertão pernambucano, cerca de 8,4 mil pessoas trabalham dia e noite para apressar o andamento das obras de transposição do Rio São Francisco. De acordo com o Ministério da Integração Nacional, 4,5 mil máquinas estão sendo usadas nas áreas onde as águas do rio passarão até chegar aos reservatórios dos estados de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e Ceará.
O coordenador-geral do Projeto São Francisco, Frederico Fernandes de Oliveira, informa que desde fevereiro, as obras, que foram iniciadas em setembro do ano passado, estão sendo realizadas em dois turnos. A ideia é que pelo menos a primeira etapa de construção do canal eixo leste, com 287 quilômetros de extensão, seja concluída em dezembro de 2010. “A maior parte dos trabalhadores admitidos pelo consórcio que executa as obras é da região”, diz Oliveira. “O contrato firmado com as empreiteiras tem uma cláusula que exige prioridade na contratação de mão de obra local.”
Segundo ele, no eixo leste serão construídas seis estações de bombeamento para levar as águas do São Francisco até a altura de 300 metros, de onde o canal seguirá com o efeito da gravidade. Uma dessas estações, no município de Fazendas (PE), foi visitado pelo presidente Lula. Nesse ponto, a água do São Francisco, no Lago de Itaparica, começará a ser captada para o eixo leste.
No canal eixo norte, com 429 quilômetros de extensão e que cruza quatro estados, serão utilizadas apenas três estações de bombeamento. Oliveira lembrou que apesar do eixo norte ser maior, o trajeto é menos elevado do que o do leste.
O principal objetivo da transposição é suprir a demanda da população do sertão por água limpa e que o eventual uso da água para o agronegócio só será estudado se houver excedente. No atual período de seca o rio está tendo vazões de 1,8 mil metro por segundo e será captado 1,8% para os dois eixos.
Os canais que estão sendo construídos para levar a água do São Francisco vão ser revestidos por uma manta plástica impermeável coberta por uma camada de concreto. Eles terão profundidade de 3,43 metros e largura que varia de 4 a 7 metros, dependendo do terreno. As margens dos eixos terão extensão de 200 metros, 100 de cada lado. No limite dessa área, serão construídas cercas para evitar que haja utilização indevida da água do canal. Ao longo dos eixos também serão construídas passagens para pessoas, animais e veículos.
Dilma agora tem seu núcleo político
O deputado Antonio Palocci (PT-SP), Gilberto Carvalho e Franklin Martins são alguns dos nomes que formam o grupo de trabalho da campanha da ministra-chefe da Casa Civil à presidência da República. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, nos últimos dois meses o grupo já se reuniu três vezes com o presidente Lula e com Dilma, com o objetivo de traçar estratégias para a corrida de 2010.
O deputado Antonio Palocci (PT-SP), foi quem chefiou a equipe do programa de governo de Lula, em 2002,
O chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho e o ministro Franklin Martins (Comunicação Social) são outros nomes fortes do núcleo duro. O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o marqueteiro João Santana fecham o círculo.
O jornal informa que num jantar, há cerca de um mês, Lula falou sobre dificuldades enfrentadas em suas campanhas para atrair apoios além das “fronteiras da esquerda”. Dessas conversas reservadas decidiu-se que Dilma passaria a comandar reuniões com os partidos aliados e apresentar-se como candidata disposta a fazer acordos políticos, e não apenas como “gerentona” do governo.
O marqueteiro Santana tem orientado a ministra a vestir o figurino da simpatia. É ele que incorpora o papel de personal stylist da ministra que está mais sorridente e veste cores mais vivas. Conhecida também por ser dona de um temperamento explosivo, Dilma ameniza: “Sou uma mulher dura, cercada por homens meigos.”
Palocci voltou com toda força à cena política após decisão do Supremo Tribunal Federal de arquivar a denúncia contra ele, em agosto, no episódio de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. “Politicamente, [a decisão do STF] demonstra a superação de uma fase na sua carreira. Agora ele [Palocci] vai ter mais tranquilidade para pensar as alternativas que terá”, avalia Berzoini.
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