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Economia

AGRONEGÓCIO. Tecnologia,
produtividade e conflitos

O agronegócio é responsável por um terço do Produto Interno Bruto (PIB), mais de 40% das exportações e dos empregos brasileiros. No estado do Mato Grosso do Sul corresponde a 70% das riquezas geradas, já que boa parte do comércio também gira em torno do setor. Esse bom desempenho não pode ser atribuído apenas à vocação agropecuária brasileira. O desenvolvimento científico-tecnológico e a modernização da atividade rural, contribuíram igualmente para transformar o país numa das mais respeitáveis plataformas mundiais do agronegócio. Entretanto, conflitos com grupos indígenas na região centro-oeste podem reduzir o fólego desse importante setor da economia do Brasil.
Por Marcos Antonio Soalheiro_ Agência Brasil

O agronegócio dos grandes latifúndios no sudoeste de Mato Grosso do Sul é responsável por cerca de 70% da economia regional, já que boa parte do comércio também gira em torno do setor. De plantações de soja, somente no município de Dourados, há 140 mil hectares de lavoura altamente produtiva, com média de 55 a 60 sacas por hectare, que representam um volume de negócios de R$ 300 milhões anuais.
Em Dourados há também produção de milho safrinha no inverno – 100 mil hectares, nas mesmas áreas em que se planta soja, no verão. Outra cultura de destaque é o trigo, além dos rebanhos bovinos, que podem ser vistos durante as viagens pelas rodovias, num cenário absolutamente plano. Um dos setores em ascensão é o sucroalcooleiro – 24 mil hectares são destinados à plantação de cana-de-açúcar.
O sucesso financeiro é garantido pelas condições naturais favoráveis da terra vermelha e pelo investimento constante em tecnologia. Um hectare de terra na região está avaliado em R$ 20 mil.
“Hoje trabalhamos com agricultura de precisão. Todo o solo é mapeado, e cada pedaço é corrigido de acordo com o que ele precisa. Quando se faz a colheita, se sabe o que cada área produziu e se busca uniformizar. Na pecuária temos a parte de fertilidade embrionária. Estamos fazendo cruzamento de animais para melhorar a precocidade”, descreveu o presidente do Sindicato Rural de Dourados, Marisvaldo Zeuli.
O produtor rural César Dierings, gaúcho e filho de colonizadores, tem com a família 2 mil hectares de lavoura em Dourados. Membro da diretoria do Sindicato Rural local, ele ressaltou que o bom desempenho do agronegócio no município é fruto de um processo iniciado há várias décadas.
“A partir do final da década de 60 houve o boom da agropecuária na região, com a chegada de gaúchos, paranaenses, paulistas e mineiros. A região de Dourados se desenvolveu de forma sólida e a terra hoje é altamente produtiva, com muita tecnologia, se tornou um celeiro do país. De uns anos para cá, cresceram a avicultura, a suinocultura, o setor sucroalcooleiro e tem três fábricas de adubo se instalando”, destacou Dierings.
O Sindicato Rural avalia que o agronegócio poderia ter um resultado ainda melhor se a Fundação Nacional do Índio — Funai, não tivesse publicado portarias prevendo estudos técnicos para identificação de áreas indígenas na região.
“Quando a Funai lançou portaria de maneira irresponsável, havia a perspectiva de a Perdigão se instalar aqui e montar um frigorífico bovino. Eram grandes empresas chegando. Hoje, já não se fala mais em venda de terras, porque todo mundo tem medo de investir aqui, afirma Dierings.”

“Funai é inoperante”
A prosperidade da atividade é outro argumento para que os fazendeiros não gostem da ideia de que parte das terras particulares seja desapropriada para os índios. Para os produtores, muitos problemas enfrentados pelos indígenas se devem à ineficiência dos órgãos oficiais.
“A Funai é inoperante, deixa os índios passando fome, mas ainda é apoiada pelo MPF [Ministério Público Federal], que defende abertamente a anarquia e a bagunça no estado”, criticou o pecuarista Gino José Ferreira.
Segundo o produtor César Dierings, mesmo sendo uma prática proibida, alguns índios arrendavam parte de suas terras para produtores rurais. Para ele, isso demonstra a incapacidade da Funai de estimular uma atividade agrícola nas reservas.
“A Funai não tem capacidade de fazer com que os índios produzam e só alguns deles têm aptidão agrícola. Então só dar terra a eles não vai resolver”, disse Dierings.
Os agricultores acreditam que o caminho para uma redução da desigualdade social na região passa obrigatoriamente pela maior integração do índio à sociedade, com todas as perdas culturais que isso possa acarretar.
“Se quer que o índio viva numa condição que todo mundo merece, tem que deixar de lado a pressão das ONGs [organizações não governamentais] e a cultura [de subsistência] dos índios, trazê-los para a sociedade, inseri-los no mercado de trabalho e dar a eles deveres e obrigações”, defendeu Zeuli.

ÍNDIOS DO AMAMBAI SONHAM EM PRODUZIR E REDUZIR DEPENDÊNCIA
Com aproximadamente 6 mil índios em uma área de 2,2 mil hectares, a aldeia de Amambai abriga famílias que sonham em recuperar terras de seus antepassados e enfrentam os reflexos negativos da falta de espaço para manter hábitos de uma cultura tradicional.
Há moradias em boas condições, mas também muitas casas de sapê, com coberturas improvisadas por indígenas, que chegaram ao local depois de serem expulsos ou removidos de outras localidades que deram lugar a fazendas.
Calejado na luta pela terra, o índio kaiowá Italiano Vásquez, 52 anos, estima que as famílias da aldeia teriam direito a pelo menos mais 1,5 mil hectares onde viveram antigas gerações. Os estudos de demarcação iniciados em 2008 foram suspensos por determinação judicial. No fim de agosto, entretanto, a Advocacia-Geral da União – AGU, conseguiu cassar a liminar na Justiça liberando a retomada dos estudos na região.
“Aqui em Amambai está lotado e não cabe mais ninguém. Estamos cheios de gente morando, praticamente, um em cima do outro. Cada patrício tem só 1 hectare”, descreveu Italiano, pai de oito filhos, ao caminhar entre pequenas plantações de mandioca, banana e cana-de-açúcar.
“Tinha 3,6 mil hectares o nosso tekoha [o lugar onde o indígena realiza o seu modo de ser, na língua guarani], que agora se chama aldeia indígena de Amambai. Cada vez mais foi diminuindo e a população Guarani Kaiowá cada vez mais aumentando. Queremos terra para trabalhar e plantar, porque tem mais crianças chegando”, acrescentou o indígena, ex-capitão da aldeia em que nasceu e presidente de uma associação de produtores indígenas.

Italiano sabe que a esperança de recuperar a terra depende de um acordo entre produtores rurais e autoridades para desapropriação das áreas.
“Nossa luta é para retomar o chão que foi nosso. Isso é o mínimo que nós queremos do governo federal e da Funai, o nosso chão de volta. Não estou pedindo ao fazendeiro para me dar área produtiva dele, só o que é nosso”, argumentou.

Falta apoio para produzir
Retomar o chão tradicional, entretanto, não será suficiente para garantir melhores condições de sustento. Uma queixa geral da comunidade é a ausência de assistência técnica adequada para lidar com a lavoura. Sem orientação, a tribo não consegue produzir, ficando na dependência das cestas básicas doadas pelo governo.
“Precisamos de orientação, acompanhamento técnico, defensivos, adubos e sementes na época certa. Muitas vezes chegam as coisas depois que passou a época certa e aí falam que os indígenas não querem trabalhar. Depois que passou a época do plantio não adianta”, ressaltou Italiano.
A aldeia de Amambai, como outras na região, está cercada por latifúndios nos quais há produção de soja e outros cereais e criação de grandes rebanhos bovinos.
É embaixo de parte dessas terras que os índios encontram os argumentos para reivindicar o direito às áreas. “Queremos o lugar onde moravam nossos avós. Lá tem cemitério indígena em que os fazendeiros meteram trator em cima”, disse Italiano.

Populoso e sem estrutura
Acampados em barracos improvisados em um canto da aldeia de Amambai, os cerca de 20 integrantes da família do kaiowá Nízio Gomes têm de se acomodar com dificuldade para dormir no chão, enrolados apenas em um pano. Eles reivindicam outra área que hoje está ocupada por uma fazenda. Segundo o indígena, a cesta básica distribuída pela Funai é insuficiente para o sustento. A precariedade faz com que Gomes deseje ainda mais depressa a “recuperação” da terra de onde seus antepassados teriam sido expulsos na década de 70.
“Essa aldeia é dos outros, não é minha. Quero entrar [na outra área], acampar, sem prejudicar fazendeiro. Se ele quer, pode retirar tudo, madeira, árvore. Só queremos uma terra, na quantia que o governo demarcar” (sic), afirmou.
A falta de terra cria distintas situações na aldeia de Amambai. Enquanto famílias ficam dependentes das cestas básicas doadas pelo governo, outras tentam melhorar de vida com ajuda dos mais jovens que deixam aldeia em busca de trabalho na lavoura de cana. As usinas que usam a mão-de-obra indígena ficam a até 500 quilômetros de distância. Pela temporada de trabalho com o facão, em torno de 70 dias, cada índio volta para casa com a quantia de R$ 1 mil a R$ 2 mil. Com esse dinheiro, a família compra material de construção, móveis e paga dívidas.
“[O índio] Não acha serviço por aqui, tem muito preconceito. Quase não tem patrício que trabalha na cidade”, queixou-se Italiano.
A administradora regional da Funai, em Dourados, Margarida Nicolleti, admite a ocorrência de atrasos na entrega de cestas básicas e de sementes para projetos agrícolas nas aldeias e acampamentos indígenas. Ela atribui o problema tanto a fatores administrativos quanto ao clima da região. “É um trabalho operacional difícil. Às vezes chove demais e as estradas ficam muito ruins”, alegou Margarida.


Abandono. Crianças indígenas crescem em acampamento precário à beira de rodovia federal. FOTO Valter Campanato_ABr

Guarani Kaiowá vivem às margens de rodovia
A apenas 5 quilômetros do centro de Dourados, 12 índios Guarani Kaiowá vivem acampados às margens da Rodovia BR-463, na saída para Ponta Porã, em frente a uma grande fazenda na qual dizem estar enterrados alguns de seus antepassados.
Os três barracos, improvisados com lona e pedaços de madeira velha, contrastam com as grandes propriedades rurais da região. No acampamento não há energia elétrica e os índios tomam banho e bebem água em um córrego próximo, que está poluído. Eles se alimentam de cestas básicas entregues pela Fundação Nacional do Índio – Funai, a cada 15 dias. Não trabalham e às vezes vendem latinhas e garrafas descartáveis recolhidas às margens da rodovia. Dormem no chão ou em finos e gastos colchonetes, num local usado como galinheiro durante o dia.
“Estamos passando dificuldade aqui. A comunidade está sem coberta, dormindo no chão, fazendeiro não deixa a gente cortar nem lenha seca. Já falou que, se cortar madeira lá, pistoleiro vai matar índio aqui e se pescar no córrego também”, lamentou a líder do grupo, Damiana Cavanha, 75 anos.
“A gente já pediu pão na cidade. Aqui não dá para plantar nada, nem para criar galinha direito. Ainda tem dez [galinhas], mas estão acabando. Se chove, molha a gurizada toda, que não tem cama nem coberta para diminuir o frio. Precisamos de lona, agasalhos e roupinhas”, acrescentou.
Na luta pela terra, os índios já se instalaram além dos limites da cerca. Nas duas vezes foram retirados – uma pela Polícia Federal e outra por uma empresa de segurança privada contratada pelos fazendeiros.
Os indígenas dizem ter sido orientados pela Funai a se manterem pacificamente às margens da rodovia até que tenham uma autorização judicial para ocupar parte do que hoje é a fazenda. “Tem que esperar a ordem do juiz. Mas essa terra é do índio mesmo. Minha tia está enterrada num cemitério lá. Tem que pegar para a gente pelo menos um pedaço de terra”, afirmou Damiana.
“Quando a gente quer muito conseguir alguma coisa, tem que cantar e rezar”, explicou Damiana, ao fazer uma demonstração de sua cultura tradicional, com cantos e danças. Nas andanças pela aldeia, a líder indígena tem a companhia constante de um urubu que costuma pousar em sua cabeça como se fosse de estimação.
Os donos da propriedade não foram localizados para comentar a reivindicação dos índios de ter parte da área reconhecida. Outros fazendeiros da região disseram que a família já se aborreceu muito com a situação e evita comentar o assunto.

Produção agrícola registra recorde em 2008 com alta de 9,1%
A produção agrícola brasileira de grãos encerrou o ano de 2008 com 145,4 milhões de toneladas colhidas, o maior resultado já registrado. Em relação ao ano anterior, houve incremento de 9,1%. O volume recorde foi influenciado pelas condições climáticas verificadas no ano passado, pela oscilação nos preços das commodities agrícolas e pela elevação na demanda por produtos agrícolas, impulsionada pela expansão do mercado de agroenergia.
Os dados fazem parte da Pesquisa Agrícola Municipal – Cereais, Leguminosas e Oleaginosas, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o levantamento, tiveram bom desempenho o milho – com um aumento de 13,1% sobre a safra anterior, totalizando 58,9 milhões de toneladas – e a soja, cuja produção somou 59,2 milhões de toneladas, um acréscimo de 2,4% sobre o ano passado.
O valor da produção alcançou R$ 148,4 bilhões, registrando um acréscimo de 27,3% em relação a 2007. Esse resultado representa uma elevação de R$ 31,9 bilhões de reais, explicada principalmente pelo aumento dos preços da soja – que respondeu por 26,1% do valor da produção agrícola brasileira –, do milho, do feijão e do arroz, além da maior produção de cana-de-açúcar, que teve aumento de 17,4% (apesar de ter contribuído com apenas 8,2% no valor da produção), de café e de trigo.
O levantamento também mostra um crescimento de 4,8% na área plantada, com a incorporação de quase 3 milhões de hectares, somando 65.338.804 milhões de hectares. Somente a soja teve um aumento de cerca de 500 mil hectares no período, e o milho, de 736 mil hectares.
“O crescimento do milho nos últimos dois anos deve-se ao aumento da demanda pelo produto no mercado internacional, já que os Estados Unidos, maior produtor e exportador mundial do grão, destinaram boa parte de sua produção para fabricação de etanol, o que, consequentemente, elevou o preço do milho no mercado, e acabou gerando a crise mundial de alimentos”, destaca o documento.
Já no cenário nacional, como o álcool é produzido a partir da cana-de-açúcar, os investimentos feitos nos últimos cinco anos para abastecer os mercados nacional e internacional com etanol, acabaram favorecendo a produção da cana-de-açúcar , que teve expansão em 2008 de 15,9%, com a incorporação de 1,1 milhão de hectares.
O levantamento ressalta, no entanto, que apesar do crescimento verificado, a área total plantada ainda é inferior às referentes aos anos de 2004 e 2005, o que, segundo o IBGE, ratifica os ganhos de produtividade influenciados pelo clima e pela maior utilização de insumos e tecnologia. —
Thais Leitão, da Agência Brasil

A OPINIÃO DO ANTROPÓLOGO
O antropólogo garante que os levantamentos feitos em Mato Grosso do Sul para embasar as demarcações de terras, não são um jogo de cartas marcadas a favor dos indígenas

A identificação de áreas indígenas desperta reações contrárias da classe produtiva. Em Mato Grosso do Sul, onde 45 mil índios reivindicam mais espaço, os fazendeiros taxam como “viciado” os trabalhos dos especialistas responsáveis pelos estudos. O antropólogo Rubem Thomaz de Almeida, que há 30 anos estuda a região, garante que os levantamentos feitos para embasar as demarcações pelo governo federal, não são um jogo de cartas marcadas a favor dos indígenas. Ele atribui a “desconhecimento de causa” as críticas dos ruralistas.
“É necessário que eles [fazendeiros] entendam que o estudo não vem definido. Em estudos passados, inclusive, deixamos de incluir área porque não tínhamos argumentos nem dados suficientes para colocar espaços como terra indígena. É fundamental realizar os estudos para que o governo possa atuar e decidir um problema social gigantesco, que são 45 mil índios que estão ali sem terra, sem ter onde plantar”, afirmou Almeida.
“Temos atrás da gente a academia. Somos vinculados à Associação Brasileira de Antropologia e, se a gente incorrer em desvios na nossa produção científica, haverá facilidade em derrubar [os laudos]”, acrescentou.
Almeida diz ser contrário à “criminalização” dos fazendeiros e reconhece que eles deveriam ser recompensados pelo governo para deixar a terra, em valor além das benfeitorias.
“Dificilmente essa coisa vai resolver sem negociação com os produtores rurais. Não podemos criminalizar os fazendeiros, dizer que são todos bandidos. Ficará muito difícil dar conta do problema se não houver mecanismo para se pagar a terra aos fazendeiros”, ressaltou.
Entretanto, o antropólogo classifica de “absurdos” os argumentos que tentam vincular a luta dos índios pela terra a interesses estrangeiros.
“São 45 mil pessoas que têm uma história, tradição, e sabem exatamente onde vivem e o que querem. Não tem Cimi [Conselho Indigenista Missionário], antropólogo nem estrangeiro, absolutamente ninguém. Eles não vão deixar de reivindicar a terra. O fazem por sua conta. Quem fala o contrário é para jogar fumaça e não enfrentar o problema”, criticou.
Pesquisa da década de 80 já alertava o governo para a necessidade de reconhecer mais áreas  indígenas em Mato Grosso do Sul, após o processo de colonização que resultou no confinamento de índios em aldeias delimitadas pelo próprio governo. Hoje o sudoeste do estado é apontado por estudiosos e pela própria Fundação Nacional do Índio (Funai) como o espaço mais problemático da questão indígena no Brasil. Para Almeida, o país já poderia ter superado o quadro.
“Faltou um pouco de decisão política e de ânimo do governo para dar conta antes do problema. É necessário que o governo pegue esse touro a unha, e decida levar adiante primeiro os estudos e depois as decisões [de demarcação e homologação de áreas]” , defendeu o antropólogo.
A expectativa dos profissionais envolvidos no trabalho de identificação em Mato Grosso do Sul é concluir a fase dos estudos em abril de 2010.
O antropólogo entende que as críticas de parte da população de Mato Grosso do Sul à vida dos índios em áreas homologadas, como a aldeia de Panambizinho, a 25 quilômetros de Dourados, deve-se a uma percepção equivocada da cultura tradicional. Na região, áreas antes produtivas viraram mato e os índios trabalham apenas com agricultura de subsistência.
“Não podemos esperar que os guarani vão produzir como nós produzimos. Eles têm um viés cultural e se mostram abertamente contra a produção em larga escala. Eles têm uma relação cosmológica importante com o mato. Buscam o mato, porque lá tem que ter bicho e tem que proteger a água. Mas eles também têm plena consciência de que quem não trabalha não come.”
Se os estudos na região confirmarem as reivindicações indígenas, os antropólogos calculam que o problema fundiário das comunidades tradicionais estará resolvido para pelo menos três gerações, cabendo aos indígenas se organizarem futuramente para viver ali.
Durante os estudos antropológicos, as equipes deverão ser acompanhadas por representantes do governo estadual e de proprietários rurais na vistoria em fazendas, além de receberem escolta policial. No ano passado, quando os estudos começaram, especialistas foram seguidos e fotografados por desconhecidos.
“A presença da polícia é um modo de a gente entrar nas áreas que precisam ser verificadas”, disse Almeida ao destacar a importância do estudo para o processo de demarcação
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