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Economia

O custo da Copa de 2014 no Brasil.
Segundo orçamento prévio apresentado por estados e municípios, as obras para a Copa de 2014 deverão chegar a quase R$ 80 bilhões, a maior parte dos investimentos serão feitos com dinheiro público

Segundo levantamento feito pelo portal G1 o custo total das obras para a realização da Copa de 2014 no Brasil ficará em torno de R$ 80 bilhões, valor que supera em 30% o investimento da Petrobras – maior empresa brasileira no ano de 2008, (R$ 53,8 bilhões), de acordo com dados da própria estatal petrolífera.
Para se adequarem aos encargos exigidos pela FIFA as cidades-sede, precisam de grandes investimentos tanto na infraestrutura esportivas quanto em outras aéreas como transporte e telecomunicação. Projetos modernos para estádios, ferrovias, aeroportos e pontos turísticos estão presente em todas as sedes.
Governos estaduais e prefeituras estão buscando recursos de varias formas para viabilizar seus planos, principalmente com o Governo Federal, seja com recursos do Plano de Aceleração do Crescimento – PAC, financiamento de bancos oficiais ou até mesmo por meio de emendas parlamentares.
O ministério dos esportes afirma que não existe um valor fixo estimado dos custos com as obras de infraestrutura para a Copa do Mundo. Muitos projetos, como a reforma do Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, não possuem valor estipulado de quanto será gasto neles, alem de outros possíveis empreendimentos que nem mesmo a origem do dinheiro a ser investido foi definida pelos comitês organizadores locais.

revisão. O projeto do estádio amazonense sofreu auterações para diminuir os custos, de R$ 580 milhões para R$ 400 milhões. Foi retirado do projeto o teto retrátil e o acabamento em granito. O Estado só possui um time que disputou em 2009 a quarta divisão do Campeonato Brasileiro.

Setores de infraestrutura como transporte e telecomunicações terão os maiores investimentos. Estão previstas, em todas as sedes, a construção de diversas rodovias e ferrovias – de vários tipos: trem bala, metrô de superfície, etc. – sem falar nas reformas e ampliações de todos os aeroportos. É de fundamental importância a melhoria do serviço de telecomunicações no estádios, principalmente internet banda larga para os profissionais que trabalharão nas partidas.
Os estádios por sua vez são um verdadeiro caso à parte, 9 das 12 arenas que sediarão as partidas do mundial de 2014 são de propriedade do poder publico, algumas delas como em Cuiabá, Manaus e Salvador, serão demolidas para uma nova construção. Em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba, as melhorias na infraestrutura esportiva deverão ser bancadas pelos proprietários e seus parceiros, sem o dinheiro do contribuinte, segundo o presidente da Confederação Brasileira de Futebol – CBF, Ricardo Teixeira. Fato que o mesmo, em entrevistas mais recentes, afirmara ser impossível, e que clubes como o São Paulo Futebol Clube já procurou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, para financiamento do estádio do Morumbi. As arenas esportivas que pertencem aos estados e prefeituras terão reformas e melhorias com dinheiro público ou através de parcerias com a iniciativa privada. Apesar do ministro dos esportes Orlando Silva afirma que não será colocado nenhum centavo do cofre do Governo Federal em estádios.
A demora do governo federal em promulgar decreto-lei que isente as cidades-sedes da Copa de 2014 do pagamento de impostos na compra de materiais de construção pode comprometer a reforma do Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. “Se não houver isenção de impostos de importação, IPI, PIS e Cofins, o Inter- nacional deixa de se preocupar com a Copa, avisou Emídio Ferreira, vice de patrimônio do clube gaúcho.

A dinheirama da Copa. Estado do Mato Grosso já gastou em torno de R$ 20 milhões sem que um tijolo tivesse sido colocado na cidade. Os recursos foram utilizados para elaboração dos dois projetos para o Estádio Verdão. O primeiro projeto da Castro Mello Arquitetos Ltda custou modestos R$ 500 mil, se comparado ao segundo, da GPC
Arquitetura, R$ 14,2 mihões. Foi também contratada pelo Estado a Deloitte Touche Tohmatsu por R$ 4,2 milhões, para exercer a consultoria financeira do projeto. Por outra serviço de consultoria foi pago R$ 762 mil para a Exe Extrategy Turismo. Os contratos foram abrigados na Secretaria de Desenvolvimento do Turismo.

Dirigentes do São Paulo Futebol Clube fazem coro, e exigem do Governo Federal uma definição “sobre as regras” para financiamento das obras através do BNDES. O clube necessita de R$ 250 milhões para a reforma.
Os organizadores da Copa afirmam que grande parte das obras será custeada pelas chamadas PPPs (parcerias pública-privada), mas que vem enfrentando dificuldade para “levantar” o capital necessário com parceiros. Muitos projetos estão sendo questionados sobre sua viabilidade e funcionalidade após a copa e podem não ter recursos aprovados.
Enquanto algumas cidades trabalham para reduzir custos e viabilizar financeiramente seus projetos, Brasília joga pesado para assegurar a abertura da Copa e superar as concorrentes São Paulo e Belo Horizonte. O Mané Garrincha, que terá 80% de sua estrutura reconstruída, é o estádio mais caro, estimado em R$ 700 milhões. A capital federal, por ser uma cidade planejada, possui poucos problemas urbanos para solucionar dentro do plano piloto, onde as ações da Copa devem se concentrar.
Em Fortaleza, o comitê organizador afirma que já possui R$ 5,8 milhões garantidos pelos governos Municipal, Estadual e Federal do total de R$ 9,4 bilhões previstos para os investimentos que serão feitos na capital cearense. Mais da metade deste valor, praticamente todo vindo do poder público, será gasto na esfera do transporte, um dos mais graves problemas estruturais da cidade.
É preciso lembrar que de acordo com a CBF, a cidade que não cumprir o cronograma exigido pela FIFA será substituída, sendo assim, governos municipais e estaduais desde já, correm contra o tempo a fim de que toda estrutura saia do papel até o fim do prazo, para evitar transtornos como os que têm acontecido na África do Sul, sede do próximo mundial em 2010, onde os operários entraram em greve atrasando todo o planejamento da FIFA e do comitê organizador sul-africano.

Ricardo Teixeira admite necessidade de dinheiro público
Depois de afirmar, categoricamente, que a Copa do mundo seria toda custeada pela iniciativa privada o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira mudou seu discurso. Em entrevista concedida ao jornal Estado de S. Paulo, o manda-chuva do futebol brasileiro coloca como impossível realizar um mundial sem a participação de recursos públicos.
Teixeira, que também preside o comitê organizador da Copa 2014, lembrou que a maioria dos estádios escolhidos é de propriedade dos governos estaduais e prefeituras, “Esses estádios são do governo. Necessariamente, (a reforma deles) vai ter que envolver governo” ponderou.
O ministro dos esportes, Orlando Silva, reiterou que não haverá dinheiro do governo federal na construção e reforma de estádios. Os governos estaduais, em contrapartida, reconhecem o uso de dinheiro de seus cofres para as obras.

FIFA pede mudanças em todos os estádios
Os comitês locais das 12 cidades-sede participaram do II Seminário para as Cidades-Sede da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014, foram três dias de reuniões no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Cada cidade recebeu as orientações e pedidos de modificações para os projetos dos estádios.
Foram encontros individuais entre a comitiva da Fifa, membros do Comitê Organizador da Copa, e os comitês de cada cidade, com duração de mais de uma hora cada, com ênfase na apresentação pela Fifa dos elementos críticos em relação ao projeto definitivo dos estádios, incluindo aspectos econômico-financeiros.
Os homens da Fifa não pouparam críticas a alguns projetos, e a todos foram solicitadas modificações. A entidade está preocupada com as acomodações e condições técnicas para o trabalho da imprensa durante o mundial.
Para Fortaleza, o Secretário do Esporte, Ferruccio Feitosa, afirmou “que nenhuma das observações vai impactar fortemente no projeto, pelo contrário, são apenas pequenos ajustes”, assim o projeto do Castelão, considerado arrojado, não sofrerá atrasos, e o edital de licitação por ser publicado o mais rápido possível, e as obras inicias em fevereiro de 2010.
Já, o projeto do estádio da Arena da Baixada, por exemplo, passará por duas mudanças significativas. Para receber os jogos da Copa de 2014, o estádio curitibano deverá ter 41.700 assentos, 500 a mais que no projeto original, mas poderá dispensar a construção da cobertura, um dos itens mais caros da obra.
A outra mudança atinge a área de TV Compound, onde ficam os equipamentos de geração de imagens para televisão. Este setor será realocado, aproximando-o do estacionamento dos caminhões de transmissão. A mesma solicitação também foi feita ao projeto do estádio Arena das Dunas, em Natal.
Segundo estimativas da Fifa, a Copa da 2014 deve ser a mais assistida de todos o tempos, por acontecer em um país que é sinônimo de futebol para o mundo. Vem daí tanta preocupação com a imprensa.
O estádio Vivaldão, em Manaus, não terá mais a cobertura retrátil, considerada muito cara. Ao invés disso para minimizar os danos de 400mm de chuva que chegam a cair na cidade por mês, o comitê investirá em um profundo estudo para otimizar a drenagem do gramado.
No estádio da Fonte Nova, em Salvador, a comissão da Fifa solicitou a criação de um acesso único para os times e entradas diferenciadas para áreas VIP e imprensa. Mas o projeto arquitetônico permanece inalterado. Uma das preocupações dos baianos é reconstruir o estádio – a Fonte Nova será totalmente demolida – com as mesmas características originais, como o formato ferradura, por exemplo. Para isso, durante o mundial, esta área deverá receber ações de receptivo e comércio ligado ao futebol.
O projeto do Morumbi, em São Paulo, se mostra até agora mais problemático para os especialista da Fifa. O estádio necessita de adequações especialmente em relação ao setor destinado à imprensa, áreas VIPS e zonas de hospitalidade destinadas aos patrocinadores da Fifa e ao público que vier pela empresa de turismo da entidade internacional.
São Paulo deseja sediar a partida de abertura do mundial, sendo o jogo que recebe atenção tão grande quanto a partida final. Assim, a Fifa exige para as zonas de hospitalidade, uma área de 85 mil metro quadrados, “Já temos 35 mil metros quadrados dentro do clube para isso. Vamos arrumar alternativas”, prometeu Caio Luiz de Carvalho, presidente da São Paulo Turismo – SP Turis, e coordenador do Comitê de São Paulo para o Mundial.
A próxima visita da Fifa ao Brasil será nos dias 28, 29 e 30 de setembro, quando acontecem, no Rio de Janeiro, as reuniões do presidente da Fifa, Joseph Blatter, com os presidentes das confederações de futebol, e as reuniões do Comitê Executivo da entidade.

O MAPA DO INVESTIMENTO