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Cultura

INFIDELIDADE
Estudos e pesquisas tentam explicar razões da infidelidade. “85% dos homens traem. Mas as mulheres não ficam tão atrás. 75 % delas também traem. A diferença é que os homens traem mais vezes, diz especialista. Por Marcos Linhares

Estamos vivendo a fase da consolidação da chamada Vingança da Amélia, ou seja, com a independência cada vez maior das mulheres, a dissolução das famílias, a penetração no mercado de trabalho, entre outros fatores, as mulheres estão traindo como nunca. Os homens que se cuidem!” Quem afirma é o psicólogo e sexólogo, José Roberto Cabral. Cabral é especializado em sexualidade humana, tendo fundado duas clínicas de psicologia e escrito livros sobre o tema. Pouco ortodoxo, ele sempre se negou a seguir uma linha específica da psicologia. Recentes pesquisas embasam as alegações do sexólogo.
Segundo informações divulgadas pela psiquiatra que coordenou o estudo Mosaico Brasil, do Projeto Sexualidade (ProSex), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, Carmita Abdo, uma em cada cinco mulheres acima dos 60 anos confessaram ter traído ao longo da vida. Com as mais jovens, o resultado impressiona: uma em cada duas mulheres, entre 18 e 25 anos, afirmaram ter traído seus parceiros. Os números falam por si, nessa pesquisa que ouviu 8,2 mil pessoas que não se identificaram e assim puderam falar, com mais tranqüilidade, detalhes sobre a vida afetiva e sexual.
Há teses científicas que tentam justificar esses números femininos. Recente pesquisa da Universidade do Texas, por exemplo, sugere que níveis altos do hormônio estradiol pode diminuir tanto a satisfação feminina como o comprometimento com os parceiros. Segundo os pesquisadores texanos, quando as mulheres apresentam esse hormônio (que é ligado à auto-estima) em grande quantidade, elas tendem a beijar, e ter relações com homens fora do relacionamento que elas vivem no momento. Ao mesmo tempo, a pesquisa sugere que elas ficam mais envolvidas com relacionamentos duradouros do que com os inesperados. Para uma das autoras do estudo, a psicóloga Kristina Durante, tudo indica que as mulheres usam um comportamento de monogamia serial, atrás do parceiro mais apto para reprodução. O estudo foi feito com 53 mulheres, com idade variando de 17 a 30 anos, e abordou assuntos como vida sexual e emocional.
A psicóloga canadense Beth Hedva defende que a infidelidade resulta da combinação da oportunidade com a vulnerabilidade emocional. Mas José Roberto Cabral lembra da traição masculina também. Para ele, “85% dos homens traem. Mas as mulheres não estão tão atrás assim. 75 % delas também traem. A diferença é que eles traem mais vezes, não se sentem culpados, acham que estão cumprindo o papel social que lhes é imposto pela sociedade. Enquanto elas, traem menos vezes, se sentem culpadas e geralmente se envolvem emocionalmente com o amante. Os dados estão no livro que escrevi com a jornalista Tatiana Flores, Nem tudo são flores quando o assunto é homem! As verdades por trás das mentiras que os homens contam. Não é em boates, em shoppings e em bares que eles encontram a possível amante, mas sim, pasmem: no trabalho. O local de trabalho e os contatos profissionais a eles relacionados são responsáveis por cerca de oito entre dez traições”, revela.
“Outro aspecto que já dava as caras e que se afirmou definitivamente da publicação do livro (2003) para cá foi a consolidação absoluta da infidelidade.com – ou seja, a internet tornou-se uma das principais armas para o infiel. Ali está tudo à disposição. Sites de relacionamento onde cada um mente como quiser (inclusive sua identidade), namoros virtuais, utilização da webcam para encontros... enfim... ficou muitíssimo mais fácil ‘trair’ sem sequer sair de casa!”, explica Cabral.
A jornalista Tatiana Flores, co-autora do livro citado por José Roberto Cabral, teve um impacto com as histórias que coletou de infidelidade masculina. “Os homens mentem muuuuito. Pela cultura, pela própria natureza... Apesar deles serem o objeto do desejo e conseqüentemente responsáveis pela felicidade afetiva das mulheres, são também o tormento delas”, diz.

ENTREVISTA   CINEMA   HORMÔNIO
José Roberto Cabral e Tatiana Flores   A versão do cinema   A ciência por trás da infidelidade