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10Perguntas
Laércio Consentino
"Cada vez mais o jornalismo vai ter que se reinventar ou inovar e dizer assim: usar a mídia de Internet naquilo que é muito rápido; e usar aquela mídia mais tradicional no que tiver opinião, discussão, na necessidade de um argumento maior."

Um dos maiores investidores do setor de Tecnologia da
Informação (TI) do Mundo e Ceo da Totvs, Laércio Cosentino, de 47 anos, é um defensor ardoroso do jornal impresso. Consolidada, a Totvs, oitava maior mundial desenvolvedora de sistemas de gestão integrada (ERP) é a primeira em países emergentes e oferece soluções em tecnologia, consultoria e serviços, atuando em mais de 23 países. Trabalha fornecendo ao mercado soluções em quatro ramos de negócios: software, tecnologia, consultoria e serviços de valor agregado, garantindo maior competitividade e resultados no atendimento.
Hoje, a empresa que conta com equipe especializada e inovadora, atua gerando um total de nove mil empregos. Nos últimos 12 meses, faturou mais de R$ 1 bilhão. No segundo trimestre de 2009, teve recorde de faturamento com R$ 240,3 milhões, o que representa um aumento de 15,6% em comparação ao mesmo período de 2008. O lucro líquido no primeiro semestre de 2009 foi de R$ 74 milhões, representando 17.8% a mais que o mesmo período de 2008.
A Totvs (Tudo ou Todo em latim) revolucionou o mercado de softwares ao lançar uma estratégica campanha publicitária em nível internacional, através de anúncios em mídias como TV, jornais, revistas, rádio, internet, além de marketing direcionado. A Totvs é líder absoluta no Brasil, com 38,03% de share de mercado — Por Lauriberto Braga

Fale! Brasília. Qual o perfil do cliente Totvs?
Laércio Cosentino. São micro, pequena, média e grande empresas. Todo esse processo de consolidação do mercado brasileiro que nós trabalhamos, buscamos fazer aquisições e fusões de empresas para que a gente tivesse uma solução completa para todo tipo de empresa nas regiões que trabalhamos. Então hoje temos software para médicos, pequeno varejo, pequenas, micros, médias empresas e temos depois a segmentação, onde se tem software para manufatura, varejo, saúde, jurídica, construção civil, projetos e educacional”.

Fale! Brasília. Qual o DNA da Totvs, o seu diferencial competitivo?
Laércio Cosentino. É que nós trabalhamos muito forte. É que somos um grupo baseado em pessoas. Em 2000, 2001 nós lançamos um conceito chamado genoma empresarial. Nós tentamos identificar qual é a carga genética que uma companhia deveria ter. Que tipo de gene deveria ter para conseguir continuar crescendo, expandindo e seguindo em frente com toda sua trajetória. No momento nós definimos qual a carga genética da Totvs. E com isso a gente vem dissiminando em cada uma das nossas regiões, em cada um dos nossos negócios, e assim por diante. Em conjunto com isso nós buscamos o modelo de crescimento baseado por um forte regionalismo. Nós acreditamos que, no Ceará, a nossa operação tem que ser conduzida por cearenses. Na Bahia, por baianos. Em São Paulo, por paulistas, No México, por mexicanos. Na Argentina, por argentinos e assim por diante.

Fale! Brasília. A que o Sr. atribui ao crescimento vertiginoso da Totvs?
Laércio Cosentino. É preciso descobrir e fundamentar os valores da companhia, sempre. O mercado deve perceber o valor de nossas empresas para tornar-se, de um lado, nossos clientes e, de outro, nossos acionistas. Os empreendedores devem compreender cada vez mais o que significa a palavra acionista. É preciso que o empreendedor tenha plena consciência do papel de cada um. Ele busca maximizar seu negócio, enquanto o acionista quer maximizar seu investimento, Assim, é necessário profissionalizar a empresa, saber dividir o poder e mostrar resultados, além de ter uma estratégia que faça sentido para o futuro.

Fale! Brasília. Qual o papel das chamadas mídias sociais no mundo dos novos negócios?
Laércio Cosentino.
É importante a gente salientar que são vários aplicativos que nasceram na Internet. Tem o Twitter, tem Facebook, o próprio Orkut e assim por diante. O grande desafio de todos esses mecanismos é de você ter segurança, credibilidade naquilo que está colocado. Tem empresas que já estão utilizando algumas dessas ferramentas para divulgar produtos, para apresentar outras soluções,– e assim por diante. O que nós acreditamos é que são ferramentas válidas, mas vão ter que passar por um processo de profissionalização para que o mundo corporativo coloque as informações de forma consciente dentro dessas ideias.

Fale! Brasília. Segurança na rede é uma ameaça ao negócio?
Laércio Cosentino.
É importante criarmos mecanismos de segurança, passwords, controles para que você possa gerenciar e coibir hackers [rastreadores] evitando o vazamento de informações para dar segurança aos seus clientes. Então nós acreditamos que, com a grande troca de informações, entre iniciativa privada e governo; entre governo e governo ; e iniciativa privada e iniciativa privada, cada vez mais o tema segurança estará na pauta de todas as companhias.
Fale! Brasília. O Sr. acredita que as novas mídias digitais determinarão o fim do jornal impresso?
Laércio Cosentino. Não. A Internet é complementar aos jornais e revistas e assim por diante. Eu acho que cada vez mais existem dois tipos de jornalismo. Existe aquele jornalismo imediato, que está no mundo da Internet, hoje. Que tudo que acontece alguém vai lá e já escreve, já publica, já faz, põe no blog, sem ter um tempo para você maturar, para você pensar e escrever de uma maneira lúcida ouvindo outras pessoas para exibir opiniões diversas, porque sempre foi assim que o jornalismo fez.

Fale! Brasília. Qual o potencial do ensino à distância como negócio?
Laércio Cosentino.
Estamos investindo bastante em EAD. Acreditamos que é uma forte ferramenta. A gente aposta muito e entende que a EAD, sem você trabalhar no aculturamente desse conceito, pode não trazer os resultados esperados. Quando você fala em EAD você fala de uma auto disciplina. De uma pessoa realmente não só receber o conhecimento, mas ela sair na busca do conhecimento. A gente acredita que desde que se trabalhe a cultura das pessoas, nós vamos ter EAD e ao mesmo tempo a gente cria modelos de transmissão de informação, através de Internet, através de computadores e a distância, a gente vai conseguir ter um resultado adequado.

Fale! Brasília. Essa pressa compromete a qualidade?
Laércio Cosentino.
Cada vez mais o jornalismo vai ter que se reinventar ou inovar e dizer assim: usar a mídia de Internet naquilo que é muito rápido; e usar aquela mídia mais tradicional no que tiver opinião, discussão, na necessidade de um argumento maior. E por outro lado, eu pessoalmente sou apaixonado por papel. Eu acho que não tem preço ler um jornal, ler uma revista. Se estamos com raiva amassamos o papel. Um dispositivo eletrônico na sua mão não é a mesma coisa”.

Fale! Brasília. Como está a presença internacional da Totvs?
Laércio Cosentino.
Estamos hoje em 23 países. Nós acreditamos que temos que avançar, colocando a Totvs, em outros países, em outras regiões; mas queremos ser muito forte em cada uma das regiões que nós nos propusemos a fazer. Não acreditamos em expansão por expansão — entrar no mercado só para dizer que você está em determinado país. Nós acreditamos que para entrar num país tem que crescer, consolidar, entregar, ter clientes satisfeitos e aí você irá ampliando a sua participação no mundo.

Fale! Brasília. A Tecnologia da Informação faz parte das preocupações do empresariado brasileiro?
Laércio Cosentino.
Sim. O empresariado brasileiro está plenamente consciente de que ele precisa realmente buscar a Tecnologia da Informação, para ele ser mais competitivo e inovar e, assim, mudar o perfil da sua empresa. Se compararmos o Brasil com o México, precisamos fazer um discurso para apresentar as soluções, para motivar que o empresariado mude de patamares e assim por diante. Isso no Brasil já está totalmente resolvido. A decisão passa a ser relativa a valor financeiro. É uma questão do momento financeiro de se investir ou não. Mas que vai se investir, vai.