Fale Brasília » Brasília


Da Agência Brasil

A Comissão de Ética da Câmara Legislativa do Distrito Federal deve se reunir hoje (25) para analisar os pareceres do corregedor temporário da Casa, deputado Raimundo Ribeiro (PSDB), sobre os pedidos de cassação de nove deputados distritais por quebra de decoro parlamentar.
Oito deles são acusados de envolvimento no esquema de pagamento de propina no governo de José Roberto Arruda. O outro parlamentar é o atual presidente da Câmara, Cabo Patrício (PT), acusado de favorecer empresas em projeto de lei.


O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que o governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), procurou-o no último dia 16, para propor um pacto de governabilidade para o DF. O senador disse que falou com Paulo Octávio que sua posição em relação à expulsão dele do partido e a intervenção no diretório já estava tomada e que outros integrantes da legenda também apoiavam a expulsão e a intervenção . “Eu disse que não tinha como refluir. Minha posição já estava tomada”.

O DEM vai avaliar a situação do governador Paulo Octávio, na semana que vem. O partido poderá expulsar Paulo Octávio e intervir no Diretório Regional do DF. A estratégia de lideranças nacionais da legenda é a de tentar isolar a pecha de corrupção ao partido no Distrito Federal.

Requerimento neste sentido será apresentado na reunião da Executiva Nacional, possivelmente na terça-feira (22), pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). “Não tem como contemporizar. Vamos resolver de uma vez esse problema” disse o senador Demóstenes Torres.

Segundo Demóstenes, filiados do partido em todo o Brasil, que não tem nada a ver com os problemas no DF, estão “carregando uma cruz, absolutamente desnecessária”. O parlamentar disse que o DEM tem que agir de forma cabal, tomar providências e demonstrar que não tem nada a ver com as irregularidades cometidas no governo do Distrito Federal. “Se o partido for conivente naufraga junto com todos aqueles que praticaram irregularidades”, afirmou.

Iolando Lourenço – Repórter da Agência Brasil


Brasília – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, solicitou hoje (9) à Procuradoria-Geral da República parecer sobre ação movida pela Câmara Legislativa do Distrito Federal pedindo o retorno de deputados distritais à análise dos pedidos de impeachment do governador José Roberto Arruda (sem partido).

A Câmara Legislativa recorreu ao STF depois que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal manteve o afastamento, da análise dos processos de impeachment, de oito deputados e dois suplentes suspeitos de serem beneficiados pelo suposto esquema de pagamento de propina – que teria como autor o chefe do Executivo local.

Os deputados foram citados na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, cujo inquérito tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Eles foram afastados por liminar da 7ª Vara de Fazenda Pública. De acordo com o STF, não há prazo para a resposta da procuradoria.


por Marcos Linhares
Diretor de redação Fale!Brasília

Mais do que alegrar crianças de todas as idades que assistirão apresentações singulares, a 2ª. Festa dos Mamulengos do Brasil trará também mestres nordestinos famosos para uma proposta arrojada: discutir formas de preservação dessa expressão única da cultura popular. As rodas de prosa, abertas a participação de todos – bem no estilo “chegue e participe” -, antecederão o evento principal, o Seminário de Salvaguarda do Teatro de Bonecos do Nordeste. Além disso, serão realizadas exposições e oficinas de fabricação de bonecos. O evento será realizado no Complexo Cultural da República (próximo a Rodoviária do Plano Piloto, do Plano Piloto), de 22 a 24 de janeiro. Toda a programação é aberta ao público, e GRATUITA. A Censura é livre.

 

Mestres – Mestres como Zé Lopes (Mamulengo Teatro do Riso” de Glória do Goitá-PE), Mestre Zé Divina (Lagoa de Itaenga-PE), Chagas Vale (Teresina- PI), Mestre Afonso Miguel Aguiar (Teresina-PI), Carlos Machado (Mamulengo Mulungu- Sobradinho-DF), entre outros, darão o brilho da festa. Eles, além das apresentações que farão, discutirão com acadêmicos e público presente políticas de preservação deste inestimável patrimônio imaterial brasileiro.

 

Apresentações - As apresentações serão realizadas o dia todo (vide programação no site) e trarão mestres nordestinos que apresentarão os diversos “sotaques” (características,estilos) desse brinquedo que, segundo o coordenador do evento, o bonequeiro e professor Ricardo Moreira, “é mais conhecido pelo nome de mamulengo como é chamado em Pernambuco, mas que traz também outras alcunhas que mudam de acordo com a região. Na Paraíba, por exemplo, é chamado de Babau; no Rio Grande do Norte, de João Redondo ou Calunga;, no Ceará, Piauí, Maranhão e Pará como Cassimiro Coco e na Bahia quando existiu se chamou João Minhoca. Já em Minas Gerais recebeu o nome de Briguela.”

Palestra/Seminário – O Presidente da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos (ABTB), Renato Perré fará uma palestra sobre o plano de ação do Registro do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste como patrimônio cultural do Brasil, levando a criação de um plano de salvaguarda desta expressão cultural.

Estrutura-Serão quatro tendas com 12mx12m, e uma tenda-tunel interativo com cerca de 30m2, que abrigarão as apresentações e as exposições

 

Oficina de fabricação de bonecos - Durante todo o evento serão fabricados, o tempo todo, bonecos para apreciação do público.

 

Para quem tiver interesse, poderão ser adquiridos (comprados) alguns do bonecos fabricados ou em exposição.

 

O evento é uma realização da Associação Ruarte de Cultura e conta com o patrocínio do Ministério do Turismo e apoio do Museu da República -GDF.

 

Informações: (61) 3037-8606


Categoria (Brasília, Política) by admin on 12-01-2010

Vice teria omitido rádio

Ao registrar sua candidatura no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, em 2006, o vice-governador, Paulo Octávio (DEM), omitiu a participação societária numa emissora de rádio que recebe recursos públicos para divulgar publicidade do governo do DF.

 

Desde 2004, a rádio Voz do Cerrado está registrada na Junta Comercial de Goiás em nome de Paulo Octávio e da empresa de investimentos imobiliários dele. Contudo, o nome da emissora não consta no formulário de bens da Justiça Eleitoral nem na declaração de Imposto de Renda apresentados ao TRE-DF em 2006, quando ele disputou a eleição como vice de José Roberto Arruda (sem partido), suspeito de comandar o mensalão do DEM.

 

A ausência da rádio na declaração pode configurar crime eleitoral e o vice – hoje protegido pela cúpula do DEM, que quer manter o governo do DF com a sigla – pode ser processado por falsidade documental. O Código Eleitoral prevê reclusão de até cinco anos e multa a quem “omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar”.

 

Por meio das Organizações Paulo Octávio, o vice-governador explicou que deixou de declarar a empresa à Justiça Eleitoral porque, apesar de registrada, ela não estava funcionando à época. Afirmou ainda que a rádio está “devidamente informada na declaração de ajuste anual”, apresentada à Receita Federal em 2007, referente ao ano anterior.

 

Retransmissora em Brasília da Band AM, a Voz do Cerrado tem sede na zona rural de Santo Antônio do Descoberto (GO). Os estúdios da rádio, que faturou ao menos R$ 622,5 mil do governo Arruda, funcionam numa cidade-satélite do DF com outras emissoras do vice.

 

As quatro rádios das Organizações Paulo Octávio receberam do governo do DF ao menos R$ 5,8 milhões entre 2007 e 2009 para fazer propaganda. As verbas foram repassadas por empresas que venceram licitação para atender ao governo. O levantamento, feito no sistema de execução orçamentária do DF, não incluiu a publicidade das empresas públicas, como a Brasiliatur, subordinada à secretaria comandada por Paulo Octávio. Ainda assim, os repasses para as empresas do vice aumentaram 189% na era Arruda-Paulo Octávio, saltando de R$ 902 mil em 2007 para R$ 2,6 milhões em 2008.

 

No levantamento, a rádio do grupo do vice que mais recebeu dinheiro foi a JK FM, em nome de Paulo Octávio e da mulher dele, Anna Christina Kubitschek. De 2007 a 2009, ela faturou R$ 2,2 milhões, ou 38% do total repassado pelas agências.

 

Paulo Octávio, que duplicou o patrimônio milionário entre 1998 e 2006, tornou-se no período magnata da radiodifusão na capital federal. Em 2002, quando se elegeu senador, declarou ser sócio de uma rádio (JK FM) e de uma rede de TV. Em 2006, não listou a Voz do Cerrado, mas acrescentou a Gama Super Rádio, retransmissora da Globo AM. Há ainda a Mix FM que a própria Organizações Paulo Octávio informa ser do grupo, apesar de registrada em nome de terceiros.

 

Ao comprar rádios quando estava no Congresso, o vice contrariou a Constituição, que proíbe congressistas de “serem proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contato com pessoa jurídica de direito público”. A lei orgânica do DF não diz se vice pode ter rádio e TV nem se há ilegalidade no repasse de verba a firmas do ocupante de cargo eletivo.

 

Uma das ordens bancárias obtidas pela Folha liga rádio do vice a uma das empresas citadas por Durval Barbosa, autor das denúncias do mensalão do DEM, ao Ministério Público. A Band AM recebeu dinheiro público pago pela AV Comunicação, registrada em nome dos filhos de Haroldo Meira. Meira aparece no depoimento de Barbosa como dono da empresa que subcontratou a agência do filho de Arruda e do assessor de imprensa Omézio Pontes, alvo da operação da PF. Barbosa também disse ter entregue R$ 200 mil da propina a Paulo Octávio. Antônio Carlos de Almeida Castro, advogado do vice, diz que a declaração não tem valor jurídico.


Categoria (Brasília, Política) by admin on 12-01-2010

Investigação liga vice de Arruda a rombo de R$ 27 mi

 

Ministério Público entrou com cinco denúncias na Justiça Federal contra construtoras de Paulo Octávio

 

Leandro Colon

Em meio ao escândalo do “mensalão do DEM”, o grupo empresarial do vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), é acusado de provocar um rombo de R$ 27 milhões aos cofres da Caixa Econômica Federal. O Ministério Público Federal entrou, há três semanas, com cinco denúncias na Justiça Federal contra as construtoras do vice-governador. O procurador da República Carlos Henrique Martins Lima cobra, entre outras coisas, a devolução do dinheiro à Caixa.

 

Paulo Octávio é a aposta do DEM para suceder o governador José Roberto Arruda, que deixou o partido após as denúncias de corrupção no governo.

O Estado teve acesso à íntegra dessas novas ações judiciais que complicam ainda mais a vida do vice-governador, citado no inquérito sobre as fraudes no governo. No centro das investigações está o Brasília Shopping, um dos mais luxuosos da cidade, situado em área nobre da capital federal.

 

O Ministério Público aponta uma série de irregularidades na construção feita em parceria entre o Grupo Paulo Octávio e o Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa. Essa sociedade dura até hoje na administração do shopping. O fundo tem 105 mil associados e um patrimônio de R$ 32 bilhões. O procurador lembra que o rombo prejudica “interesses das dezenas de milhares de pessoas” que participam do Funcef. Dos R$ 27 milhões de prejuízo, R$ 14 milhões referem-se a apenas uma das cinco denúncias.

 

Há vários indícios, segundo a investigação, de que ex-diretores do Funcef autorizaram repasses às empresas do vice governador “como estratagema para subtrair indevidamente recursos”. “É uma afronta à legalidade e à moralidade pública”, afirma o Ministério Público. As apurações mostram que o Grupo Paulo Octávio e ex-diretores do fundo teriam atuado em conjunto para transferir recursos, supostamente ilícitos, do fundo para a obra do shopping, inaugurado em 1997. Pelo contrato, cada parte teria 50% de participação no negócio. No entanto, em 19 de novembro de 2009, após quatro anos de cobrança do Ministério Público, o Grupo Paulo Octávio admitiu que o Funcef repassou mais dinheiro do que deveria. “Tais pagamentos se configuram indevidos”, diz a ação civil, que contou com a ajuda de auditores da própria Caixa.

 

A investigação aponta o sumiço de relatórios mensais da obra e aditivos contratuais, além de uma falha importante: a conta bancária da construção do shopping foi gerenciada apenas pelas empresas do vice-governador, e não em conjunto com o fundo da Caixa, como exigia o contrato. Cerca de R$ 8,2 milhões, relata o Ministério Público, saíram dos cofres do Funcef para obras realizadas antes da parceria com Paulo Octávio. Não haveria “amparo legal” para tanto. O gestor do Funcef não cumpriu com as “boas práticas de gestão”, diz o Ministério Público, “devendo a ele e à Paulo Octávio Investimentos Imobiliários ser imputada a responsabilidade pelos prejuízos”. Pagamentos indevidos também teriam sido feitos por meio do condomínio, do stand de vendas e do marketing.

 

ALIANÇA DURADOURA

 

Paulo Octávio é um dos homens mais ricos de Brasília. Declarou um patrimônio de R$ 320 milhões à Justiça Eleitoral em 2006. É dono de um império da construção civil que envolve prédios residenciais, shoppings e hotéis. Em cima desse patrimônio, ganhou prestígio e força política que o levaram a ser deputado, depois senador e hoje vice-governador.

 

Não é a primeira vez que sua parceria com o Funcef é posta sob suspeita. Essa aliança, aliás, é considerada fundamental para o crescimento financeiro de Paulo Octávio em Brasília. O Ministério Público já apontou irregularidades em outros empreendimentos, entre eles a construção de 11 edifícios numa quadra residencial. Desde 2005, duas ações contra o vice-governador sobre o assunto aguardam decisão do ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na época, Paulo Octávio era senador.

 

Novas denúncias devem ser protocoladas na Justiça até março contra o Grupo Paulo Octávio. Como essas recentes ações citam a empresa, não há foro privilegiado, o que pode acelerar a tramitação dos processos. Estima-se que os prejuízos aos cofres públicos ultrapassem os R$ 200 milhões.

 

O nome de Paulo Octávio aparece na Operação Caixa de Pandora – deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público no dia 27 de novembro -, que investiga o esquema de corrupção no governo de José Roberto Arruda. Delator do esquema, Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais de Arruda, afirma que Paulo Octávio recebeu propina oriunda de empresas contratadas pelo governo. Em vídeo gravado por Barbosa, Marcelo Carvalho – que dirige o Grupo Paulo Octávio – discute partilha de dinheiro que seria do esquema. Em depoimento ao Ministério Público, Barbosa diz que entregou pessoalmente R$ 200 mil ao próprio vice-governador. O escândalo fez o DEM pressionar Arruda a deixar o partido em dezembro. Deu resultado. Mas o comando da legenda tem poupado Paulo Octávio.


Categoria (Brasília, Política) by admin on 05-01-2010

Publicado no Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=571JDB003

 

Por Marcos Linhares em 5/1/2010
Diretor de redação Fale!Brasília

 

O ano começou e continuamos assistindo atônitos a suave cobertura que o Correio Braziliense faz em relação aos escândalos do Panetogate do governador, José Roberto Arruda (sem partido), assim como do vice, o onipresente (nas obras e negócios do DF) e ausente da mídia local, Paulo Octávio Pereira.

 

Na edição de 27/12/09, na coluna “Brasília-DF”, o competente jornalista Luis Carlos Azedo, acha uma boa terminologia – para mim eufemismo –, para descrever a suposta compra de apoio e derrame de dinheiro público: “Estrago eleitoral dos desvios éticos em administrações que aparentemente apresentavam bom desempenho”.

 

Pois bem, para dar maior robustez ao discurso, menciona a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, para atingir seu alvo: cotejar Arruda. Na coluna lemos que “a governadora tucana Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul, salvou os gaúchos do colapso financeiro e administrativo, mas teve o projeto de reeleição praticamente inviabilizado por causa do escândalo do Detran. O governador José Roberto Arruda, que transformou o Distrito Federal num canteiro de obras (o grifo é meu), também foi volatilizado. Por ora, o ex-governador Joaquim Roriz foi beneficiado pela crise, mas não está livre de ser tragado por ela. ”

 

Azedo é jornalista experiente e versado em assuntos da política brasileira, por isso causa estranhamento quando vemos a defesa de Arruda se apoiar no velho bordão do “fazedor de obras”. É de conhecimento público que fazer obras além da visibilidade política é um dos melhores artifícios para negociatas, sobrepreço, enfim, para fazer todo tipo de esquema. Maluf, ACM, Jader, Sarney (pai e filha, amém) e o próprio Roriz, que o digam. Ingenuidade do colunista? Quem sabe…

 

Reunião sigilosa

 

Pelo blog do Noblat, soubemos por meio de nota publicada no dia 14/12, que “Arruda saiu da granja de Águas Claras, onde mora, para se reunir com seus secretários na cidade-satélite de Taguatinga. Antes visitou o jornal Correio Braziliense. Entrou no prédio pela garagem. Subiu pelo elevador privativo. Foi recepcionado pela direção do jornal no terceiro andar. Foi embora há pouco”. Faz pensar, não? Isso no mesmo dia em que os deputados distritais resolveram sair de recesso, em plena crise. Um encontro secreto, de pé de orelha, com a direção do periódico.

 

Depois do Correio, Arruda teria se reunido com a bancada de deputados distritais que compõem a dita bancada governista. Resultado: ganhou tempo mais que útil. Com o recesso, os universitários, por exemplo, que tanto incomodaram entraram de recesso, e o homem ganhou tempo para traçar suas estratégias.

 

Ameaças nada veladas

 

Também do Blog do Noblat, transcrevo outra pérola, publicada no mesmo dia:

 

“Em março último, Cabo Patrício (PT), então vice-presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, procurou José Roberto Arruda (DEM) na Granja de Águas Claras, residência oficial do governador. Foi tratar do novo plano de salários da Polícia Militar. Arruda foi grosseiro com ele. – Vou acabar com você – prometeu Arruda. Alguns dias antes, Patrício havia feito um duro discurso criticando o governo. – Acabar? Que conversa é essa? Sou lá da sua quadrilha? – respondeu Patrício. – Vou acabar, sim. O Álvaro vai cuidar de você – retrucou Arruda. – Que Álvaro? Tenho lá medo de nenhum Álvaro? – esquivou-se Patrício. – O dr. Álvaro – corrigiu. Ele vai acabar com você.

 

Antes que Patrício desse as costas para ir embora sem saber quem era o dr. Álvaro, surgiu um sujeito de corpanzil avantajado e cabelos brancos.- Eu vou acabar com você como acabei com o Cabo Júlio – disse o tal sujeito. – Eu não sou o Cabo Júlio. Sou Cabo Patrício. – Pois vou acabar com você do mesmo jeito.

 

Cabo Júlio foi o líder da greve de 1997 da Polícia Militar de Minas Gerais. Depois se elegeu deputado federal duas vezes. Hoje é vereador em Belo Horizonte pelo PMDB. O dr. Álvaro é Álvaro Teixeira da Costa, presidente dos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas. Cabo Patrício, atual presidente interino da Câmara Distrital, repete essa história para quem quiser ouvir. E diz ter outras para contar.”

 

Sem pressão: omissão?

 

A impressão que se tem é que o Correio perdeu a vontade de “furar” os concorrentes em relação à dupla Arruda vs. PO. Parece que só publica “empurrado pelos outros. Ou seja, levar furo tudo be, agora não publicar fica pior ainda. Um bom exemplo, foi a posse do novo presidente da OAB-DF, Francisco Caputo. Ele foi empossado no dia 1 de janeiro, e o telejornal DFTV, da rede Globo, cobriu. Qualquer um poderia tê-lo feito também, afinal era fato público, sabido e esperado. A matéria do Correio, todavia, só saiu dois dias depois. Qual a relevância?

 

Bem, a OAB é uma das poucas instituições que não tem deixado o assunto esfriar, protocolando ação atrás de ação contra os envolvidos nos atos de corrupção denunciados pela Ação Caixa de Pandora. Entretanto, a então presidente, Estefânia Viveiros, foi substituida por ninguém menos que Caputo, cujo escritório advoga há anos para…( um panetone para quem adivinhar) Arruda.

 

No discurso de posse, o novo presidente a OAB-DF garantiu dar sequência nas ações de sua antecessora, mencionou o presidente da Câmara Legislativa (o do dinheiro na meia), Leonardo Prudente (sem partido), contudo, em relação a Arruda, houve um silêncio para lá de incômodo. Caputo afirma ter isenção. É ver para crer. A matéria do Correio comentando tudo saiu depois, bem atrasada. Comeram mosca ou tiveram que publicar? As perguntas ficam no ar…

 

Resta esperança no presidente da OAB nacional, Cezar Britto, que prometeu não parar com a luta. Por motivos éticos preferiu não se manifestar sobre o novo presidente da OAB-DF.

 

Veja algo mas não com destaque

 

Quanto a Veja, ela também parece ter amaciado o governador. Em sua edição com a retrospectiva de 2009, abordou o maior escândalo político da capital federal e do ano, com uma imagem de Leonardo Prudente e um texto que citava Arruda. Tudo muito convenientemente en passant.

 

Fraldas e políticos

 

Por essas e outras ao comentar a cobertura midiática local da Operação Caixa de Pandora com um ex-jornalista do Correio Braziliense, o valente Ézio Pires, ele soltou uma provocação que gostei: Liberdade de imprensa ou de empresa? De empresa que precisa faturar e seguir adiante, diriam muitos…

 

Começamos 2010 rezando para que o bom jornalismo possa fazer algo e mostrar sua cara. Esperamos que nem todos corações e mentes tenham sucumbido aos arranjos monetários daquele eterno senhor Chorão, que jurou pelos filhos em plena tribuna. A ele, a esperança do tribunal. E a todos nós, a esperança de que as urnas renovem o que aí está. Como disse certa vez o ilustre autor de Primo Basílio, entre tantas outra obras literárias preciosas, Eça de Queiroz: “Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão”.


Categoria (Brasília, Política) by admin on 21-12-2009

Ilustre autor do Primo Basílio, a Relíquia, a Cidade e as Serras, e tantas outra obras literárias preciosas, escreveu também essa frase:

“Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão” Eça de Queiroz


Categoria (Brasília) by admin on 18-12-2009

Postado por Marcos Linhares

Diretor de redação da Fale! Brasília

No domingo (20/12), no autódromo Nelson Piquet, cerca de 30 carros antigos disputarão a primeira corrida de regularidade de carros antigos do Distrito Federal.

O público terá acesso livre, pois a entrada é gratuita. Quem realiza a façanha é Federação de Automobilismo do Distrito Federal (FADF) em parceria com o Museu do Automóvel.

Inscrições pelo telefone: 61 3272- 2268


Do Estadão Online: O patrocínio do governo do Distrito Federal para a escola de samba Beija-Flor fazer seu desfile no carnaval de 2010, no Rio, virou uma disputa entre os deputados “mensaleiros”, o carnavalesco Joãosinho Trinta e o grupo político do vice-governador Paulo Octávio (DEM), responsável pelas festividades dos 50 anos de Brasília no ano que vem. Os parlamentares envolvidos no chamado “mensalão do DEM”, liderados pelo deputado Leonardo Prudente (DEM), atravessaram a negociação para superfaturar a verba e negociar propina com o governo do DF e uma das mais vitoriosas escolas de samba do Rio. “É um dinheiro maldito”, afirma Joãosinho Trinta, que também tentou ganhar dinheiro no negócio, mas foi passado para trás.

Antes de entrar na negociação, deputados como Prudente – flagrado colocando nas meias propina do “mensalão do DEM” – criticavam publicamente o patrocínio à Beija-Flor, comandada pelo bicheiro Anísio Abraão David. Após as conversas com o governo e a escola, silenciaram. A ofensiva dos parlamentares foi desencadeada numa reunião em setembro na casa de Prudente num bairro nobre de Brasília. Além do parlamentar, outros três colegas de Câmara Legislativa estavam presentes: Júnior Brunelli (PSC), notabilizado pela “oração da propina”, Rogério Ulysses (PSB) e Batista das Cooperativas (PRP). Eles queriam dobrar o patrocínio negociado de R$ 3 milhões do governo à agremiação de Nilópolis, que vai contar na avenida a história dos 50 anos de Brasília. Em troca, não usariam a Câmara Legislativa para atrapalhar a iniciativa.

O encontro com os quatro parlamentares foi confirmado ao Estado por outros três personagens da conversa: o secretário de Cultura do DF, Silvestre Gorgulho, o subsecretário, Beto Sales, e o empresário Ricardo Marques, amigo de Joãosinho Trinta e responsável por um instituto que leva o nome do carnavalesco. A reunião ocorreu em setembro na casa de Prudente.

Num primeiro momento, os deputados “mensaleiros” se aliaram a Joãosinho Trinta para que o governo do Distrito Federal ficasse de fora das negociações. Queriam que a ONG do carnavalesco representasse Brasília na arrecadação dos recursos e na relação com a Beija-Flor dentro de um projeto de R$ 6 milhões. “Foi uma das reuniões mais constrangedoras que eu tive na minha vida”, diz o secretário Silvestre Gorgulho. “O Brunelli ficou o tempo todo ao telefone e disse: “nós vamos fazer o contrato da Beija-Flor com o Instituto Joãosinho Trinta”.” Assim como Prudente, Brunelli aparece no inquérito do “mensalão do DEM” recebendo, em vídeo, propina de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do DF. Segundo Barbosa, Rogério Ulysses, integrante da reunião sobre o carnaval, também está envolvido no esquema supostamente comandado pelo governador José Roberto Arruda.

Brunelli deu dois telefonemas naquela reunião: um para o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e outro ao presidente da Beija-Flor, Farid Abraão David, irmão de Anísio e primo do deputado Simão Sessim (PP-RJ), que representa os interesses da escola de samba em Brasília. Aos dois, pediu ajuda para intermediar o contrato do carnaval. Os deputados ameaçaram usar a Câmara para criar problemas ao patrocínio à Beija-Flor. “O Brunelli virou para o Leonardo Prudente e disse: “lembra aquela CPI que estava na gaveta? Se não fizer (o contrato) pode tirar”, conta Silvestre, sem detalhar qual era essa CPI.

Naquele momento, a BrasíliaTur, empresa de turismo do governo, e a Secretaria de Cultura já tinham fechado o acordo com a Beija-Flor sem a participação do Instituto Joãosinho Trinta. Uma nova reunião com os deputados, o carnavalesco, o secretário de Cultura e, dessa vez, o vice-governador Paulo Octávio manteve a decisão de deixar a ONG de Joãosinho de fora, contrariando a reivindicação dos deputados. Os parlamentares, no entanto, aceitaram e não criaram mais problemas. E, no dia 23 de setembro, a Beija-Flor recebeu R$ 1,5 milhão, referente à primeira parcela do patrocínio.

Ao Estado, Ricardo Marques deixou no ar a possibilidade de um acerto ilícito entre os envolvidos na negociação. “Depois das cenas a que todos nós assistimos, não podemos descartar a suspeição de nenhum tipo de projeto em Brasília. O governo está em suspeição. Todos os contratos devem ser revistos.”