ARENAPOLÍTICA


O confuso meio de campo

O quadro sucessório no Ceará tem uma conexão direta com a corrida presidencial de 2002 por alguns motivos menos partidários e muito mais exóticos da política brasileira.

Por Luís-Sérgio Santos

O governador Tasso Jereissati — tão tucano quanto o presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Sérgio Machado —, é o condutor de sua própria sucessão, com a perspectiva de continuar um ciclo de poder de mais de 15 anos se eleger um nome de sua inteira confiança.

Só que o tucano Sérgio Machado é candidato ao Governo do Ceará e não encontra em Jereissati um alinhado em sua pretensão. Ao contrário, mesmo convivendo sob a mesma sigla e tendo, principalmente Machado, o presidente FHC como interlocutor cotidiano, no Ceará os dois não se bicam.

Amigos de infância e parceiros em cenários memoráveis da recente política brasileira, os dois tucanos cearenses romperam há algum tempo o que tem motivado o senador Sérgio Machado a, regularmente, lembrar que as metas sociais do ciclo Tasso continuam quase imexíveis, etc, como demonstram indicadores do IBGE e Ipea.

Sérgio Machado foi até secretário de Governo de Tasso, quando tinha enormes poderes na administração. Hoje, esta vaga é privilégio de um primo seu, o engenheiro Assis Machado Neto que, se não deu certo na política eleitoral (sofreu acachapante derrota em disputa pela Prefeitura de Fortaleza), na política administrativa é a outra face na moeda de Tasso Jereissati.

Asfixiado no seu PSDB, a Sérgio Machado resta migrar para outro partido, talvez PMDB ou PFL e, aí, sair cabeça de chapa na sucessão cearense.

Da parte de Tasso, o candidato deve ser alguém com alinhamento ortodoxo como o senador Luis Pontes, também amigo de infância do governador, fortes laços afetivos que envolvem família e uma herança política da família.



A sucessão de 2002, já em pleno andamento, promete emoções e lances de Hitchcock.
O ministro do Planejamento, Martus Tavares — cearense de Maranguape, a terra onde também nasceu Chico Anysio —, é uma alma que quer reza. Vive na ponte aérea Fortaleza-Brasilia, mantêm contato direto com os jornalistas de Fortaleza e, com certeza é candidato em 2002. Deve ser para o Congresso. Tavares se dá muito bem com o clima de Brasília.



José Airton Cirilo, vereador do PT em Fortaleza e ex-prefeito do pequeno município de Icapuí, no litoral leste do Ceará, deve sair candidato pelo partido ao Governo, em 2002. Vai ganhar visibilidade e mídia.



O reitor da Universidade Estadual Vale do Acaraú, professor José Teodoro Soares, vem despertando inveja de pessoas importantes no esquema de poder estadual, com influência em setores da imprensa. O motivo: Soares vem fazendo — sem trocadilho — um trabalho invejável à frente da UVA, partindo para parceiros privados e convênio com o exterior. Quer dizer, muitos preferiam vê-lo medíocre e acanhado.



A cidade tecnológica do Ceará, objeto de marketing e mídia há pelo menos quatro anos, deve ganhar uma forma original, ocupando o prédio da antiga sede do Banco do Nordeste, na Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza.


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