| Um choque de gestão |
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Nos últimos três anos, os investimentos em Juazeiro do Norte provocaram um salto de qualidade na infra-estrutura do município. Reformas na educação, com a construção de quatro escolas modelos — as melhores do Ceará — na saúde, com a ampliação da UTI neonatal, diminuindo a mortalidade infantil em 80% e o fortalecimento industrial da região, com 250 indústrias calçadistas, gerando 10 mil empregos — Juazeiro é o maior pólo industrial do Norte e Nordeste e o terceiro maior do país —, explicam porque esta cidade se firma como centro de desenvolvimento humano e industrial
Por Sara Lucena — texto — e João Justino — fotos —, enviados a Juazeiro do Norte, Ceará
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Barbalha, Juazeiro do Norte, Crato, Nova Olinda, Jardim, Santana do Cariri, Missão Velha e Porteiras são os municípios que formam a região do Cariri, ao sul do Ceará. Juntos, englobam mais de 520 mil habitantes e um PIB de R$ 1,3 bilhão de reais. A ascensão da região é notável em diversos quadros, a começar pelo turismo religioso. É no Cariri que se encontra a estátua do Padre Cícero, padroeiro de fé de milhares de romeiros que passam pela cidade de Juazeiro do Norte. Essa fé move milhões de reais e proporciona um tipo de turismo tão lucrativo quanto a presença de centenas de indústrias na região. Apesar da importância do turismo para a região, o Cariri cearense cresce sob diversos ângulos, passando pela saúde e infra-estrutura. A educação é outro ponto forte desta localidade: Crato, Juazeiro e Barbalha formam o triângulo Crajubar, um pólo de desenvolvimento estudantil de nível superior, chegando a duas dezenas de instituições. Nove delas estão em Juazeiro do Norte, como a Faculdade de Medicina de Juazeiro (FMJ) e uma unidade da Universidade Federal do Ceará (UFC). Tais motivos transformam Juazeiro do Norte na cidade que mais vem se destacando na região, graças aos investimentos dirigidos ao quadro de desenvolvimento da cidade, seja em educação, economia ou saúde, áreas precisas para a existência de uma vida digna para os moradores e que estão fazendo a diferença neste município, a 565 km da capital Fortaleza e uma população estimada em 242.139 mil habitantes.

Nacionalmente conhecida pelo turismo religioso, Juazeiro não é apenas a terra do Padre Cícero, pois é através das romarias que inúmeros turistas impulsionam ainda mais a economia local, já abastecida pelo maior pólo calçadista das regiões Norte e Nordeste e o terceiro maior do país.
Segundo o chefe de gabinete da prefeitura, Wilton Almeida, os 1,5 milhão de romeiros que passam pela cidade de setembro a fevereiro, épocas de romaria e de maior concentração de religiosos, deixam R$120 milhões de reais. Para Verônica Lúcia, 26 anos e há 16 se dedicando ao trabalho no Horto — bairro onde se localiza a estátua — as romarias de setembro, novembro e fevereiro, com duração de três dias cada, são muito lucrativas. “Consigo juntar mais de um salário mínimo em cada época dessas, em poucos dias”, afirma, atentando para um fato curioso: Verônica é apenas uma dos camelôs entre os 105 cadastrados da cidade, mas ainda existem centenas que vêm de outras localidades e até estados. “Vem muita gente aqui para vender artigos religiosos e a concorrência aumenta. Mas são tantos turistas que dá para todo mundo lucrar”, assegura. Os preços dos ambulantes variam de R$1 a R$5 reais, entre terços, chaveiros e fitinhas do Padroeiro.
O Horto passou por uma revitalização recente que tirou as tendas comerciais do começo da rua por onde a romaria tem início, sendo transferidas para 53 boxes comerciais, localizados abaixo da estátua do Padre Cícero. Essa obra estava parada havia cinco anos, mas foi concluída em 2006. Ivan Ferreira já se instalou em uma das lojas, e diz que quando não tem romaria, a situação complica. “A maioria dos comerciantes tem um trabalho paralelo. Eu colho frutas e verduras, porque sem romaria não dá para garantir o sustento de casa”, garante, em meio a estátuas, camisas e acessórios do “Padroeiro do Comércio”.
Mesmo fora das épocas de romaria, aqueles que passam pela região têm curiosidade de conhecer as histórias do Padre Cícero e tirar as tradicionais fotos com a estátua. Assim fez o recifense Marcelo Duque, que estava acompanhado de uma colega paulistana, ambos representantes do banco Cruzeiro do Sul. “Vim passar essa semana aqui a trabalho e tinha que conhecer a tão comentada estátua do Padre Cícero. Estou surpreso com o local asseado e bem organizado. Aqui sempre tem alguém limpando”, comenta, admirado com a organização da área.
O turismo da região é tão intenso que o prefeito de Juazeiro, Raimundo Macêdo resolveu dar continuidade a obra do Centro de Apoio ao Romeiro, que antes de sua gestão estava parada. O local tem estrutura com serviço policial, médico e abriga mil boxes para os comerciantes, enriquecendo ainda mais a questão turística da cidade e apoiando aqueles que buscam melhorar o orçamento nos períodos religiosos.

Há 30 anos, existiam sete empresas de borracha em Juazeiro do Norte, como explica Antônio Mendonça, o presidente do Sindindústria, Sindicato das Indústrias de Calçados e Vestuário de Juazeiro e Região, e dono de uma grande empresa de calçados em Juazeiro do Norte que exporta para todo o Brasil, a Sagian. “Como essas empresas (de borracha) eram sediadas em Juazeiro, surgiu uma demanda por chinelos de dedo, de borracha. A indústria calçadista começou assim em Juazeiro e hoje tem vários tipos de calçados, entre os de borracha, injetáveis, de couro e modelado”, afirma o empresário. As indústrias têxtil, moveleira, de jóias folheadas e as de alumínio também se destacam e apresentam visível desenvolvimento na cidade. “São 250 indústrias em um espaço de 800.000m², gerando 10 mil empregos diretos”, conta Antônio, explicando o motivo de Juazeiro se formar como pólo de desenvolvimento industrial. De 2005 para cá, o pólo ganhou maior apoio da prefeitura com a inauguração do novo distrito industrial Severino Duarte, com 11 empresas instaladas e mais de três mil empregos entre diretos e indiretos. “Além disso, desde 2006, aconteceu a geração de cinco mil empregos através da abertura de dois distritos industriais. Isso foi permitido porque houve um maior incentivo da prefeitura para os industriais, que antes caminhavam sozinhos. Mais de 13 indústrias foram beneficiadas com tais incentivos”, relata, fazendo ligação com a criação do Sindindústria, responsável por se dispor aos anseios daqueles que trabalham nas indústrias, entre empresários e empregados.
O Sindindústria foi criado para consolidar ainda mais o setor industrial de Juazeiro, que já tem nome e tradição não apenas no Brasil, mas nos outros continentes. De acordo com Antônio, “o pólo calçadista de Juazeiro exporta para a Europa, África, países do Mercosul e restante da América, além de munir o mercado nacional. Diariamente, centenas de comerciantes chegam à Juazeiro para abastecer suas lojas”, diz. Isso é possível porque as indústrias de Juazeiro já têm força, com representantes que sempre viajam às feiras nacionais e internacionais do ramo, por onde o contato começa. “E os produtos locais também são divulgados nas feiras”, completa. O mercado industrial de Juazeiro é tão forte que a própria cidade ganhou uma feira específica que já está na 10º edição, a FETEC (Feira de Tecnologia e Calçados). 160 expositores enriquecem a variedade de opções, mostrando seus produtos aos representantes de 11 países compradores. Juazeiro conta com o maior Programa de Atração de Indústrias da história com 24 indústrias, entre novas e ampliadas, motivando 8.000 novos empregos. Mais de 10.600 pessoas fazem parte de um projeto de capacitação, pioneiro no interior cearense, visando a entrada no mercado de trabalho. A Central Fácil teve seu prédio reformado para apoiar os pequenos e médios empresários, como disse Antônio Mendonça ao falar sobre os incentivos industriais.
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