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Política

Um Senado conciliador

Sem nomes como Tasso Jereissati, Arthur Virgílio e Mão Santa a nova composição do Senado Federal ganha um tom alinhado ao Executivo, como defendeu o presidente Lula mas recebe novos membros, como Aécio Neves e Itamar Franco


O presidente Lula recebe os governadores e senadores eleitos no Palácio da Alvorada
Tudo aconteceu como o presidente Lula queria. O Senado Federal, o foco de oposição ao seu governo no Congresso Nacional, mudou de configuração. As bancadas do PMDB e PT cresceram e o perfil mais moderado é o que passa a prevalecer a partir de 2011. A bancada do PT no Senado sobe de 8 para 14 senadores. A bancada do PMDB foi de 17 para 19 senadores. No item renovaçãao 33 das 54 vagas passam a ser ocupadas por estreantes no Senado embora, a maioria, não seja neófita em gestão pública. Dos alinhados ao PT estão a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (SP), o ex-governador do Acre Jorge Viana e o ex-ministro da Saúde, Humberto Costa (PE)., o ex-ministro da Previdência Soc ial, José Pimentel (CE) e o ex-ministro das Comunicações, Eunício Oliveira (PMDB-CE), Walter Pinheiro (BA), Eduardo Braga (PMDB-AM)
No Senado, agora serão três os ex-presidentes da República com assento, José Sarney, Fernando Collor e Itamar Franco, reste eleito sob os auspícios do ex-governador de Minas Aécio Neves, também senador estreante em 2011.
Baixas marcaram a não eleição de senadores, como Tasso Jereissati (PSDB-CE), Arthur Virgílio Netto (PSDB-AM), Marco Maciel (DEM-PE), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Efraim Moraes (DEM-PB). Eles eram críticos do governo federal dentro do plenário e tiveram participação importante na votação que derrubou a prorrogação da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Enfrentaram, durante a campanha, a oposição direta do presidente Lula.

Gráfico referente a bancada do Senado
Dois senadores de tom moderado também comporão a nova bancada no Senado, também se acentuou. Pelo PTB o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro, o mais votado em Pernambuco. No Distrito Federal, o PSB elegeu Rodrigo Rollemberg um dos principais articuladores governista nas votações da Câmara. Ciro Nogueira (PP-PI) também se elegeu para o Senado. Ele ocupou, como deputado federal, vários cargos na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.
Outra estréia importante é o tucano Aloysio Nunes Ferreira, eleito em São Paulo com a maior votação para o Senado. “Eu acho que vou ganhar”, comentava Aloysio, antes do final da apuração. “É importante ter um senador aqui de São Paulo para ajudar o governador Alckmin em Brasília e dar suporte ao presidente Serra.” O PMDB é o maior partido no Senado e o PT ganhou a maior bancada na Câmara dos Deputados. É provável que cada um desses partidos passe a presidir uma das Casas. Hoje, o PMDB ocupa os dois cargos, mas, com certeza, o PT deverá mudar esta condição.
A Câmara passou por uma renovação menor que a média das últimas eleições. Nos cálculos do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a renovação ficou em 44,25%: 286 deputados não se reelegeram e 227 serão novos na Casa. Na Câmara, os partidos que mais cresceram foram os da atual base governista, capitaneados por PMDB e PT. Eles tinham juntos 357 dos 513 deputados e somarão 372 na próxima legislatura. O atual governo conta potencialmente com 69,5% da Câmara. Dilma Rousseff contará com 72,5% de apoio parlamentar — é quase uma sucursal do Executivo. No Senado, a base governista, teoricamente, controlava 59% das cadeiras. Agora, o bloco governatista irá a 72% da Casa. Se eleita, Dilma terá uma situação folgada também no Senado, inclusive para aprovar emendas constitucionais.
A ser confirmada a hipótese de José Serra presidente, a negociação permeará a relação com o Legislativo, já que PSDB e DEM têm nas duas casas cerca de 27% das cadeiras.
Para o segundo mandato a diretoria pretende ampliar a sua representatividade político-social, uma das principais formulações do Planejamento Estratégico da gestão. Para isso, irá fortalecer sua imagem empresarial, com a intensificação do associativismo e ações compartilhadas com a sociedade e com as diversas áreas dos diferentes níveis governamentais.
Não estarão no Senado políticos de índole mais combativa, como Tarso Jereissati, Arthur Virgílio e Heráclito Fortes, que teriam tentado, juntamente com Jorge Bornhausen, articular o impeachment em 2005 em decorrência do escândalo do mensalão que derrubou alguns petistas notórios, dentre eles o então ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu.
No Rio Grande do Norte, o senador José Agripino Maia, do DEM, foi reeleito com o apoio de peemedebistas. Marco Maciel (DEM-PE), um intelectual conciliador não consegiu a reeleição.
A nova Câmara perdeu nomes importantes, alguns porque não quiseram concorrer, como o secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo e Ciro Gomes, do PSB, outros porque foram derrotados, como José Genoino e Antonio Carlos Biscaia, ambos do PT. Não se elegeram ainda tucanos de alta plumagem como Arnaldo Madeira, João Almeida, atual líder, e Antonio Carlos Pannuzio. Antonio Palocci, do PT, também não voltará porque não concorreu, optando por coordenar a campanha de Dilma Rousseff.
Em compensação entra o deputado como Tiririca (PR-SP) com 1.353.820 de votos. Ele se elegeu envergando o slogan “pior que está não fica.” Pior de tudo é que pode ficar pior, Tiririca.