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Gestão

A nova fase da Fiec

Depois de um período marcado que disputas internas, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará vivencia uma fase de apaziguamento conduiza pelo empresário Roberto Macêdo que, em outrubro, iniciou seu segundo mandato como presidente da entidade. E o fato mais inovador nesta nova fase foi o modelo do novo processo eleitoral que rompeu com o formato histórico das federações. Por Cinara Sá


Nova diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará
A eleição de Macêdo, no dia 19 de agosto de 2010, aconteceu pelo voto direto dos industriais. Eles escolheram a nova diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará para o quadriênio 2010-2014. “O empolgante percentual de 67,2% de votantes, do total de 1.046 credenciados, já na primeira experiência de um novo processo eleitoral, demonstrou o quanto os industriais estão desejosos de participar diretamente da sua instituição maior”, comemora Roberto Macêdo.
Agora, o novo desafio, é implantar um novo modelo de gestão que já tem até um documento “Pilares para 2010-2014” que prevê “o Fortalecimento da representação empresarial, com intensificação do associativismo e ações compartilhadas com a sociedade e com as diversas áreas dos diferentes níveis governamentais” uma das principais formulações identificadas no Planejamento Estratégico da Federação.
Desde 1950, as indústrias cearenses são representadas pela federação das indústrias do estado do ceará (fiec), que, atualmente, congrega 39 sindicatos ligados ao setor. a entidade é integrada ao sistema confederativo da representação sindical da indústria — que por sua vez é liderado pela confederação nacional da indústria (cni). a fiec foi constituída com o intuito de defender e coordenar os interesses dos industriais do Estado. Com 60 anos de trajetória, completos neste ano, a Fiec é consolidada como um espaço de discussões sobre questões industriais — dos âmbitos nacional e regional — e como uma impulsionadora de negócios, o que amplia e fortalece sua interferência na conjuntura social e econômica do Ceará.
Em 2010, a entidade segue com essa postura, mas acrescentou elementos inovadores em sua política interna. A começar pelas eleições para a nova diretoria que foram marcadas por um intenso processo participativo. Os industriais escolheram pelo voto direto os futuros dirigentes da Federação. Eram 1.046 credenciados para votar em 39 zonas eleitorais. Estiveram presentes em seus respectivos sindicatos, no dia 19 de agosto, 703 empresários interessados em moldar, com o voto, a instituição que representa sua classe. “Tem empresário que nunca foi à Federação e não tem o menor interesse. Isso fez com que o empresário comparecesse à Federação. Cada presidente de sindicato, cada diretoria se empenhou em trazer seus eleitores”, afirma o presidente reeleito da entidade, o empresário Roberto Macêdo, sobre o que chamou de “a festa da eleição”.
Processo democrático.
A democratização do processo eleitoral foi implantada pela atual gestão através de uma reforma no Estatuto e Regulamento Eleitoral. A partir dessa reforma, a Comissão Eleitoral passou a ser escolhida pelo Conselho de Representantes e não mais indicada pelo próprio presidente da instituição, como era até então. Segundo Macêdo, o lançamento do novo processo causou espanto na CNI. “Alguns diziam que a federação ia perder o controle. Acho que não. Acho que a partir de agora está no controle de quem merece e dos que são os donos do negócio: os empresários”, diz.
Outros enxergaram as mudanças como grandes avanços, que servirão de inspiração para as federações de outros estados brasileiros. A expectativa, segundo o presidente, é que em pouco tempo (não de imediato) metade das federações adotem esse mesmo sistema eleitoral.
Pilares da nova etapa.
A gestão do último quadriênio tinha como pilares a reunificação da instituição, a dinamização dos Sindicatos, a renovação de suas diretorias, a modernização da gestão – através de planejamento e mapa estratégicos -, início da implantação do Movimento Empresarial para Inovação (MEI) - que busca consolidar uma cultura de inovação – e o fortalecimento da governança sindical. Para esta última plataforma, a mudança no processo eletivo e o aumento da representatividade foram conquistas festejadas.
Para o segundo mandato a diretoria pretende ampliar a sua representatividade político-social, uma das principais formulações do Planejamento Estratégico da gestão. Para isso, irá fortalecer sua imagem empresarial, com a intensificação do associativismo e ações compartilhadas com a sociedade e com as diversas áreas dos diferentes níveis governamentais.
A nova gestão também quer consolidar a cultura de inovação através do já implantado MEI, que deve assumir a mesma dimensão e importância do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade (PBQP), que deu peso à economia brasileira, colocando-a em nível competitivo no mercado mundial. Consolidará também a cultura da exportação, visando exportar mais de 2 bilhões de dólares em 2014.
Para os próximos quatro anos será fundamental a implantação de um sistema de marketing de comunicação interna e externa para expor aos empresários e à sociedade o diferencial e a excelência dos serviços prestados pela Senai, Sesi, IEL e pela Confederação Nacional da Indústria, promovendo uma integração interna e o alinhamento com as demandas dos sindicatos e das empresas. Com o marketing interno, a entidade vende seus serviços e mostra aos empresários as atividades disponíveis, pois, muitas vezes, eles contribuem, mas não sabem o que está ao seu dispor. E o marketing externo ajuda a criar a imagem da federação junto à sociedade, a outras instituições e ao governo; além de criar o clima de atração para os associados que ainda não se aproximaram. “Os empresários vêm nesse processo de acomodação e não procuram seus sindicatos. Se associam, mas não participam”, diz o presidente. Esse trabalho de marketing corporativo ajudará também a entidade a mudar sua imagem de espaço apenas para os “grandes”.
O comprometimento com a representatividade também inclui o empenho em fortalecer as cadeias produtivas. Dar continuidade a um trabalho que passa por essas cadeias será um dos objetivos da gestão, já que a complementaridade entre as indústrias de transformação pode ser uma grande oportunidade de atrair novos investimentos, o que dá mais competitividade para as indústrias locais. Nessa mesma linha, a diretoria pretende, por exemplo, agrupar os sindicatos da indústria têxtil, do algodão e da confecção, no sentido de uni-los em torno de interesses comuns. “Melhor é reunir todo mundo em um sindicato, pois os empresários vêm aqui, discutem um assunto geral e quando sair alguma coisa para melhor é bom para todo mundo. Se for o contrário, você se enfraquece”, afirma Roberto Macêdo.
Novos líderes.
A valorização de novas lideranças também está entre as prioridades dessa gestão. Identificar e desenvolver líderes emergentes faz parte de um processo renovador fundamental para o fortalecimento dos sindicatos e da Federação. “Tenho certeza que no dia seguinte em que houve a eleição, o pessoal já começou a querer se movimentar para saber quem vai substituir o Roberto”, afirma o presidente. Ele diz que é preciso saber quem são as lideranças e formar novas opções para que, assim, a instituição continue se renovando.
Sendo uma entidade representativa, a Fiec deverá enfrentar novos desafios — além de continuar a encarar os antigos. Um dos temas mais discutidos e que estão na zona de interesse da instituição é a redução da jornada de trabalho. Roberto Macêdo afirma que essa já é uma realidade no Brasil. A redução, segundo ele, já existe de forma negociada, variando de acordo com as necessidades e a capacidade de cada empresa e de cada setor da economia. Mas ele ressalva que reduzir a jornada de trabalho para 4 horas, por exemplo, não garante mais emprego, como alguns acreditam. Pode até mesmo desempregar, pois o empregador tem de respeitar a força do mercado. “Tem outras coisas que a gente precisa fazer para melhorar. Reduzir os impostos e a ineficiência do Estado, por exemplo. Isso é que precisa ser trabalhado”, sugere.
Encerrando o mandato com ações inovadoras, pulverizando o poder de decisões da instituição — sem enfraquecê-la, é preciso dizer — e lançando propostas consistentes que darão continuidade ao trabalho que está sendo realizado, a atual gestão legitimou seu esforço ao ser reeleita, democraticamente, pelo voto dos próprios empresários. “Eu não quero fazer história. Eu não quero, em nenhum momento, que prevaleça a minha vontade e, sim, aquilo que é possível”, palavras do presidente.
Frases
“Eu não quero fazer história. Eu não quero, em nenhum momento, que prevaleça a minha vontade e, sim, aquilo que é possível.”
Roberto Macêdo
“Tenho certeza que no dia seguinte em que houve a eleição, o pessoal já começou a querer se movimentar para saber quem vai substituir o Roberto.”
Roberto Macêdo


Premissas e Projeções

Algumas expectativas de Macêdo e do setor industrial para 2011


Roberto Macêdo
BRASIL “A CNI colocou nas mãos dos candidatos em questão um plano da agenda da indústria para o próximo governo, que passa pelas reformas tributária, trabalhista, política e por todas as reformas que se tem falado e desejado. Mas nós não sabemos exatamente o que vai ser possível fazer. Em campanhas se promete tudo, mas na hora na hora que senta da cadeira diz que não dá pra fazer. Tudo por conta do desgaste político para o próximo mandato e para fazer seu sucessor. O que é desejado colocamos no papel e foi entregue formalmente aos candidatos através da CNI. Eu não sei o que o próximo governo vai fazer. Como a gente pode pressionar pra que isso aconteça? Se for Dilma, vai ser uma característica. Se for serra, vai ser outra. A minha análise política é muito superficial, porque não me aprofundo. Não é que eu não goste, eu acompanho dentro daquilo que para o meu consumo é necessário, como empresário. Mas politicamente eu não tenho partidário, não me atrai. Eu sou pelo país, não sou pelo partido. Eu me baseio mais pelo perfil dos candidatos.”

CEARÁ “O nosso desejo é que a gente possa ter o desenvolvimento que o Ceará merece e precisa ter, apesar de não ter o apoio do governo de Brasília na proporção que merecemos. O Ceará, pelo que tem feito, pelo apoio que tem dado e pela votação que deu ao presidente Lula, merecia ter tido mais. Mas, infelizmente, Pernambuco levou muito mais. Temos a refinaria que está acatada há décadas, mas ouvimos Tasso Jereissati dizendo que a refinaria do Ceará não consta no orçamento da Petrobras. Ele quis dizer que isso é uma enganação. Se for verdade, eu lamento muito, mas espero que ela venha realmente. Pernambuco não é nem mais uma refinaria, é um pólo petroquímico. A nossa siderúrgica está para vim e as obras estão em andamento. Estivemos lá e ficamos encantados com o que vimos. A pujança do Porto do Pecém faz parte da modernização ao longo do tempo. Então, com essa infraestrutura o Estado tem condições de atrair projetos estruturantes. A criação da ZPE (Zona Processamento de Exportação) foi consolidada neste ano e a gente tem que continuar atraindo as empresas para virem se instalar nela. De tudo isso o Ceará precisa para que continue com essa atratividade.”

GOVERNO “Temos um contato permanente com a Adece (Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará) e com todas as áreas. Participamos de todos os conselhos do Estado, de todas as câmaras setoriais, criadas pelo Governo de uma forma muito oportuna. E isso faz com que cada setor da economia possa ter seus assuntos discutidos com todos os membros e protagonistas do setor. Assim, as decisões saem de forma mais rápida e compartilhada por todos. “Colocamos sempre a Fiec à disposição dos governos para que a gente possa juntos desenvolver e somar os esforços na melhor direção possível. Então, estamos abertos para isso.”

Uma Frente Ampla

A nova diretoria da Federação Fas Indústrias do Estado do Ceará (23ª Gestão) para 2010-2014


Roberto Macêdo - prestação de contas da ultima gestão
- Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará
Roberto Proença De Macêdo

- 1º Vice-Presidente da Fiec
Ivan Rodrigues Bezerra

- Vice-Presidente da Fiec
Carlos Prado
- Vice-Presidente da Fiec
Jorge Alberto Vieira Studart Gomes
- Vice-Presidente da Fiec
Roberto Sérgio Oliveira Ferreira
- Diretor Financeiro
José Carlos Braide Nogueira da Gama
- Diretor Financeiro-Adjunto
Edgar Gadelha Pereira Filho

- Diretor Administrativo
Carlos Roberto Carvalho Fujita
- Diretor Administrativo-Adjunto
José Ricardo Montenegro Cavalcante

- Diretores
Antonio Lucio Carneiro
Fernando Antonio Ibiapina Cunha
Francisco José Lima Matos
Frederico Ricardo Costa Fernandes
Geraldo Bastos Osterno Júnior
Hélio Perdigão Vasconcelos
Hercílio Helton e Silva
Ivan José Bezerra de Menezes
José Agostinho Carneiro de Alcântara
José Alberto Costa Bessa Júnior
José Dias de Vasconcelos Filho
Lauro Martins de Oliveira Filho
Marcos Augusto Nogueira de Albuquerque
Marcus Venicius Rocha Silva
Ricard Pereira Silveira
Roseane Oliveira de Medeiros
- Delegados Representantes junto à CNI - Efetivos
Fernando Cirino Gurgel
Jorge Parente Frota Júnior

- Delegados Representantes junto à CNI - Suplentes
Roberto Proença De Macêdo
Carlos Roberto Carvalho Fujita

- Diretor Regional de Maracanaú
Álvaro De Castro Correia Neto

- Diretor Regional de Sobral
Jocely Dantas De Andrade Filho

- Diretor Regional do Cariri
Marco Aurélio Norões Tavares

- Diretora Regional de Horizonte/Pacajus
Verônica Maria Rocha Perdigão

Os Depoimentos

Jesualdo Farias, Honório Pinheiro e Fernando Cirino opinam sobre parcerias e perspectivas


Reitor Jesualdo UFC
ESTREITAR RELACIONAMENTO “É função primordial da Universidade formar profissionais de alta qualificação para atuar nos mais diferentes setores da sociedade. Esta missão a Universidade Federal do Ceará tem cumprido há mais de 50 anos e, hoje, mantém exatos 100 cursos de graduação, encaminhando-se para abrir mais três no próximo semestre letivo.
Ao mesmo tempo, a instituição acadêmica trabalha para ampliar e fortalecer suas conexões com o meio onde atua, sendo imprescindível um estreito relacionamento com o setor empresarial. Atenta ao rápido processo de transformação por que passa o Ceará, e que deverá acentuar-se nos próximos anos, com a ampliação das atividades no complexo portuário e industrial do Pecém, a UFC vem preparando profissionais e pesquisadores para atuar nos novos empreendimentos, que incluem as áreas de siderurgia, metalurgia, refinaria de petróleo e produção de energia a partir de fontes alternativas, dentre outras.
Fundamental, nesse projeto institucional, é o estabelecimento de parcerias duradouras, capazes de resistirem ao tempo e às mudanças administrativas. Estou certo de que nossa aproximação com a Fiec, que vem de longa data, tem-se constituído em fator decisivo para alavancar o desenvolvimento tecnológico do parque industrial e de outras empresas existentes no Ceará. Ao mesmo tempo, posso garantir que o potencial da academia está longe de esgotar-se. De mãos dadas com o setor empresarial, repassando para a sociedade o conhecimento e a tecnologia desenvolvida na Universidade, muito ainda poderemos fazer pelo Ceará, o Nordeste e o Brasil inteiro.”
Jesualdo Pereira Farias, reitor da Universidade Federal do Ceará


Honorio Pinheiro

SETORES COMPLEMENTARES “Prosseguir com propostas positivas em prol do desenvolvimento do estado do Ceará. É com esse conceito que sinalizo para a reeleição do empresário Roberto Macêdo, ao cargo de presidente da Fiec. O comércio e a indústria são setores complementares e estamos em uma aliança forte para animar e fortalecer esse mercado. Nos últimos anos, temos defendido, conjuntamente, a diminuição de impostos, entre outras ações.”
Honório Pinheiro, presidente da Federação das CDLs do Ceará





Fernando Cirino Gurgel

PERSPECTIVAS EXCELENTES “Roberto Macêdo conseguiu o que parecia impossível: pacificar o conjunto da Federação das Indústrias do Estado do Ceará. Ele está fazendo um trabalho muito bom e a entidade vai ficar devendo muito a ele. Nós defendemos as grandes bandeiras da indústria nacional. O que está em jogo é o interesse da indústria como um todo. É fundamental que o próximo presidente assegure a estabilidade política. A questão cambial é muito preocupante. Se cada país não tomar sua providência fica difícil. Se os governantes não atrapalharem, as perspectivas para 2011 são excelentes.”
Fernando Cirino Gurgel, diretor presidente da Durametal e delegado representante da Fiec junto à Confederação Nacional da Indústria