Henrique Costa Lima
O atual diretor -presidente da Companhia de Água e Esgoto do Ceará , Cagece, está no cargo desde 2007.O engenheiro civil Henrique Vieira Costa Lima, 38, natural de Fortaleza, tem preocupação especial com o meio ambiente; além de diretor da empresa, é também professor do curso de Engenharia Ambiental da Universidade de Fortaleza — Unifor. Mestre e Doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS , em entrevista exclusiva à Revista Fale! ele discute o papel da empresa na melhoria da qualidade de vida de fortalezenses e cearenses nas áreas de saneamento e abastecimento d’água. Com grandes investimentos em parceria com os governos estadual e federal, o problema da distribuição de água que historicamente assolou o estado está a caminho de ser erradicado. Sem esquecer a preocupação mundial com o meio ambiente e a otimização do uso de energia, o presidente descreve projetos desenvolvidos pela Cagece tendo em vista o desenvolvimento sustentável. — Por Lívia Pontes
Fale! Como o Sr. avalia as condições de cobertura sanitária em Fortaleza e no Ceará atualmente?
Henrique Vieira. Eu posso falar da cobertura em Fortaleza e em outros 148 municípios, que são os locais atendidos hoje pela Cagece. Nos outros 35 municípios a atuação é da própria prefeitura. Em termos de cobertura de abastecimento de água, o sistema é praticamente universalizado nas sedes dos municípios. Temos uma cobertura em torno de 99%. No que diz respeito a esgotamento sanitário temos muito a fazer e estamos fazendo. Hoje, a média de cobertura das cidades atendidas pela Cagece é de 35,78%. Se analisarmos somente Fortaleza, a cobertura é de 52,24%. Apesar da capital cearense ter, hoje, a segunda maior cobertura do Nordeste, ficando atrás somente de Salvador, nosso desafio ainda é muito grande e por isso estamos investindo, a cada ano, valores recordes. A cobertura em Fortaleza é bem acima da média nacional, mas nós queremos mais que isso. A Cagece, o governo do Estado e o governo Federal têm total preocupação com o esgotamento sanitário porque todos esses atores sabem a extrema importância do serviço para a qualidade de vida da população. Embora a população não perceba de imediato esse benefício, ele é fundamental para o Estado. Por exemplo: os óbitos por diarréia em crianças diminuíram de forma acentuada no Ceará nos últimos anos, na medida em que melhorou a cobertura de esgoto.
Fale! Qual será o foco de investimento e projetos da empresa em 2010?
Henrique Vieira. A previsão de investimentos para 2010 é de mais de R$ 350 milhões, a serem revertidos em ampliações, implantações ou melhorias nos sistemas de água e esgoto. Um dos destaques será o investimento em Fortaleza, com a ampliação do sistema de esgotamento sanitário. No interior, faremos esgotamento sanitário em Barroquinha, Poranga, Santana do Cariri, Maranguape, Aracati, Crateús, Quixadá, entre outros. Em 2010 vamos ter todas as obras já iniciadas e em execução. Isso nos permite centrar esforços na expansão do serviço. Claro que vamos continuar desenvolvendo projetos para captar mais recursos, ir atrás de linhas de financiamento, conversar com a Caixa Econômica Federal, Governo do Estado, Governo Federal e outros financiadores, mas também vamos estar nas ruas executando obras e fazendo o trabalho de conscientização da população sobre a importância do saneamento.
Fale! Qual o faturamento líquido da Cagece em 2009?
Henrique Vieira.O valor do faturamento líquido total da Cagece em 2009 foi em torno de R$ 564,4 milhões. Temos uma empresa com saúde financeira, o que nos permite investir mais para expandir os serviços.
Fale! Então a saúde financeira da empresa é consistente.
Henrique Vieira. A Cagece é uma empresa sólida financeiramente, garantindo sua autonomia. Para se ter uma idéia arrecadou, de janeiro a novembro de 2009, cerca de R$ 507,7 milhões. Com isso, em 2009, o investimento com recursos próprios somou R$ 17,4 milhões, beneficiando diretamente a sociedade. A previsão é investir, de 2010 até 2012, com recursos próprios, cerca de R$ 72 milhões. A maior parte dos nossos investimentos é feita com recursos que captamos com órgãos financiadores e pagamos ao longo dos anos. Temos, nos próximos dois anos, quase R$ 600 milhões para investir no Ceará.
Fale! A cobertura de abastecimento d’água em Fortaleza é de 100% ou falta algo para cumprir esta meta?
Henrique Vieira. Fortaleza não enfrenta qualquer problema de abastecimento de água. A nossa rede está presente em quase 100% da cidade. Temos uma cobertura de 99%. Os locais em que não há rede são áreas de proteção ambiental ou áreas em que há disputa de titularidade da terra, onde não podemos instalar rede, ou pequenas expansões porque a cidade está crescendo. Mas esse crescimento é perfeitamente acompanhado pelos investimentos que fazemos. Para se ter idéia, de 2007 para 2010, os investimentos em água e esgoto no Ceará somam R$ 840 milhões e mais da metade disso está concentrada em Fortaleza. Temos uma rede de distribuição espalhada em toda a cidade e mais uma capacidade de tratamento acima do que é consumido. Hoje, Fortaleza e região metropolitana consomem 6,5 metros cúbicos por segundo (m³/s) e a Estação de Tratamento de Água do Gavião — ETA Gavião — tem capacidade para tratar 10m³/s. Isso quer dizer que a demanda pode crescer até 40% a 50%. Além disso, estamos construindo uma nova estação de tratamento em Caucaia com capacidade de tratar 5m³/s.
Fale! Em 2009, a Cagece recebeu o prêmio do Ministério das Minas e Energia por desenvolver um projeto que otimiza o consumo de água, gastando menos energia. Com a crescente preocupação com o meio ambiente e as mudanças climáticas, quais
são os planos da empresa para operar de maneira sustentável?
Henrique Vieira.A Cagece já desenvolve vários projetos no sentido de operar de maneira sustentável. Resumidamente, a companhia ganhou com o projeto de redução do consumo de energia, utilizando tecnologia desenvolvida para celulares. O projeto foi colocado em prática, em caráter experimental, na região leste de Fortaleza para gerenciar as pressões nas redes de distribuição de água. Como resultado diminuíram-se vazamentos, reduziram-se as perdas e evitou-se a produção de mais água e, consequentemente, mais gasto de energia. Outra ação foi a implantação de cinco usinas de geração termelétricas, em estações elevatórias de Fortaleza. Outro projeto que já alcançou resultados preliminares foi de utilização do gás metano, gerado a partir do esgoto, na estação de tratamento de Itaitinga. Por enquanto, o piloto permite que o gás seja utilizado como combustível no fogão da unidade.
Fale! Existe escala na produção?
Henrique Vieira.O processo está em fase experimental, mas vem apresentando resultados satisfatórios. A utilização do gás evita que o metano seja lançado na natureza. Como projeto para os próximos anos, a Cagece prevê investir em energia eólica, para suprir o fornecimento de energia da Estação de Tratamento de Água do Gavião. Segundo o projeto, a demanda de consumo de energia para operação da ETA Gavião será plenamente atendida, através da produção de energia eólica. Isso quer dizer que cerca de 20% de toda energia consumida pela Cagece em todo o Ceará poderá ser produzida pela própria Companhia.
Fale! Qual a meta da Cagece para a cobertura do serviço de esgoto no Ceará em 2010?
Henrique Vieira. A meta definida para dezembro de 2010 para o índice de cobertura de esgoto no Estado do Ceará é de 37,67%. No ano que se inicia, a previsão de investimento em esgoto supera R$ 220 milhões. |